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Ciro Nogueira apoia aumento a servidores, mas tem outras prioridades

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Bolsonaro e Ciro Nogueira
Sophia Bernardes

Bolsonaro e Ciro Nogueira

O ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, disse nesta sexta-feira (21) que “acha junto” o aumento para servidores, mas é preciso pensar em quem passa fome. O ministro defendeu a responsabilidade fiscal e o teto de gastos em entrevista ao site Poder360 e acrescentou ter total confiança no trabalho do seu colega da Economia, Paulo Guedes, mas não garantiu a manutenção do ministro.

“Temos economia sólida, respeito ao teto de gastos, respeito às despesas públicas. Não adianta. Se nós aumentarmos indefinidamente, gostaria muito, acho justo aumento para servidores. Mas temos que pensar em quem passa fome hoje em dia. O servidor mal ou bem recebe seu salário. No final do mês está aí fruto da política econômica responsável. Não podemos hoje simplesmente abrir os cofres públicos e aumentar despesas. Quem vai sofrer são os miseráveis. Temos que ter responsabilidade, controle rígido”, declarou.

Para ele, a escolha do presidente Jair Bolsonaro de privilegiar categorias da segurança pública é justificável, mas afirmou manter contato com demais servidores para “fazer o que for possível” para dar reajuste.  

“É um setor fundamental para combate à corrupção, problema de drogas. O país hoje enfrenta a maior proliferação desses comandos, dessas entidades criminosas pelo país inteiro. Até nas pequenas cidades. Vejo no Piauí. Temos que valorizar polícias públicas, mas temos que olhar para o servidor como um todo. Não digo que está suspenso, mas estamos analisando. Quando for possível, iremos dar aumento que o presidente será muito sensível”, afirmou.

Guedes sai?

No dia 13, o governo federal publicou uma portaria dando  mais poderes à Casa Civil sobre o Orçamento da União . O texto determina que a pasta terá que dar aval para algumas ações de abertura ou remanejamento de despesas.

Segundo Ciro, o texto foi elaborado em conjunto com Guedes para dividir o ônus e “tirar aquela imagem de que a Economia é o vilão da história”.

“No que depender da Casa Civil e, tenho certeza, do presidente Bolsonaro, iremos manter o controle dos gastos públicos com responsabilidade. Se temos hoje perspectiva que a população quer que inflação seja reduzida e emprego volte a ser ofertado, é por conta desse controle, da responsabilidade fiscal, implementada pelo ministro Paulo Guedes”, acrescentou Ciro.

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Apesar da confiança em Guedes, Ciro não garante a permanência dele num eventual segundo mandato. 

“Aí nem eu sei se eu vou estar aqui. É lógico que, ao terminar um governo, o natural é todos os ministros entregarem seus cargos. Mas o presidente já tem um norte, a espinha dorsal do seu governo. E eu tenho certeza que o que está dando certo irá continuar. Mas aí é uma avaliação do presidente”.

Inflação

Em relação à inflação, o ministro culpou a dependência do dólar que influencia no preço de commodities como “arroz, combustível, feijão e carne”. Como solução, Nogueira defendeu o aumento proporcionado pelo Auxílio Brasil para famílias mais vulneráveis. 

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“Tudo depende do dólar. Não adianta darmos com uma mão e tirarmos com outra. Tem que ter visão técnica.”

Ainda parte do esforço do Planalto para reduzir a alta nos preços, está sendo preparada uma PEC para zerar impostos federais sobre os combustíveis. Ciro disse que o problema não é só do Brasil e que o presidente está fazendo um “esforço jamais visto” para conter a alta no preço. O ministro também culpou os Estados dizendo que são os “grandes responsáveis” pela disparada.

Fundo eleitoral

O prazo para sancionar o Orçamento federal termina nesta sexta-feira (21) e com isso permanece a dúvida entre manter o fundo eleitoral em R$ 5,7 bilhões ou cortar despesas no ano das eleições. Para Nogueria, devido ao superavit federal, não será necessário cortar tantos gastos quando o estimado (R$ 9  bilhões).

“Estamos vendo ainda quais áreas. Área que possa ter mínimo de impacto no funcionamento da máquina pública, nos investimentos fundamentais para o país. Podem ter certeza que vocês irão se surpreender com a redução de cortes. Vai ser com certeza um orçamento que vai ter apoio total do Congresso. As modificações vão ter toda transparência possível para que elas sejam aceitas pela imprensa, pelo Congresso, que é quem dá veredito. Estamos buscando o melhor caminho para a sanção presidencial, que tem que acontecer hoje à noite. Vai ser bem menos”, declarou.

Se o valor será mesmo de quase R$ 6 bilhões, o ministro desconversou: “Vai depender do ajuste que estamos fazendo para chegar a um bom-termo. Se [o eventual projeto] for bem explicado, feito com transparência, o Congresso Nacional é um grande parceiro do governo federal, tem sido muito assertivo”.

Orçamento secreto

Nogueira aproveitou para rebater as críticas feitas pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dizendo que Bolsonaro “está de joelhos” ao Congresso por conta dos repasses das emendas do relator, que formam o  “Orçamento Secreto”.

“Não tem nada de secreto. O presidente Lula… Poxa, meu Deus, quem não lembra do seu governo? Meu partido mesmo recebeu ministérios naquela época de porteira fechada, se nomeava sem participar, sem crivo do governo federal. É diferente agora”, rebateu.

Privatizações

O ministro disse que aposta no avanço da privatização da Eletrobras para solucionar um “problema global como o fornecimento de energia elétrica”. 

“Se nós enfrentamos problemas de racionamento, de apagões, foi muito fruto dessa parceria com o setor elétrico. Mas que precisa de investimentos. Senão, nós iremos colapsar o nosso sistema. E eu tenho certeza que o Tribunal de Contas da União, com a sua sensibilidade, com a sua responsabilidade, irá fazer com que nós possamos viabilizar esse investimento, que será um dos maiores do mundo, no nosso país. Quanto antes melhor.”

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Iniciativa Jovem inscreve empreendedores até 3 de julho

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Jovens que tenham espírito empreendedor e ideias de negócios que tragam contribuições significativas para a sociedade têm até o próximo domingo (3) para se inscrever no programa Iniciativa Jovem, criado pela Shell.

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no site do programa. Podem participar jovens na faixa de 20 a 34 anos, que tenham ensino médio completo e residência fixa nos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo, onde a empresa opera plataformas de petróleo.

O programa é uma iniciativa global da empresa e, atualmente, está presente em 19 países. No Brasil, o programa completa 22 anos, este ano.

A gerente responsável pela área de Responsabilidade Social da companhia no país, Maria Angert, disse hoje (29) à Agência Brasil que o novo ciclo do programa tem uma novidade: a divisão entre as fases de “ideação” e “operação”.

Na fase de ideação, o foco é em projetos que estão na etapa inicial. “Se a pessoa tem somente uma ideia, pode se inscrever no ciclo de ideação. Não precisa estar com um negócio já amadurecido”, disse Maria. O ciclo de operação refere-se a negócios mais maduros, que estejam em uma etapa mais avançada, de comercialização. “Esta é uma novidade. Antes, era uma turma só.”

Imersão

Os participantes do programa serão divididos em dois grupos, com seleção de 200 jovens para o estágio de ideação e 80 para o de operação. Eles passarão por uma grande imersão, que vai durar de três a seis meses, incluindo treinamento, oficinas e mentorias, cujo início está previsto para o mês de agosto.

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Muitos empregados da própria empresa são voluntários para mentorias, observou Maria Angert. No fim do ano, os jovens selecionados participarão da feira de produtos e serviços que o programa retoma este ano, no formato presencial, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. Por causa da pandemia de covid-19, o evento foi realizado durante dois anos em formato online.

Os melhores trabalhos serão escolhidos por uma banca de avaliação e poderão participar da competição global de empreendedores Top 10 Global Innovators, que será realizada de 14 a 20 de novembro.

Maria disse que vários brasileiros que foram para fora foram escolhidos e citou o projeto social Mulheres do Sul Global, que é um ateliê de costura especializado na gestão de resíduos de banners e material plástico para confecção de novos produtos, como bolsas e cadernos. Mulheres refugiadas e migrantes são responsáveis pelo projeto.

Rede

Executado anualmente pelo Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável (Cieds), o Shell Iniciativa Jovem aproxima os empreendedores e propicia o trabalho em rede.

Segundo Maria Angert, se uma pessoa já participou do programa e quer fazer parte da Rede de Empreendimentos Sustentáveis, é possível que seja certificada a cada ano. “É como se fosse uma auditoria. É o Cieds que faz essa certificação anual para empreendimentos que queiram se manter nessa rede.”

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Atualmente, mais de 450 empresas integram o grupo, formado por participantes que se destacam e recebem o Selo de Empreendimento Sustentável. Este ano, a meta é reconhecer mais 50 empreendimentos que passarem pelo programa.

Vários critérios são considerados na escolha dos melhores empreendimentos, entre os quais, destacam-se sustentabilidade, potencial de crescimento econômico e geração de renda e acesso à inclusão. “Tentamos também integrar os empreendimentos na nossa cadeia de valor. O número ainda não é alto, em nível global, mas é um norte”, afirmou a gerente de Responsabilidade Social da companhia.

Um exemplo surgido durante a pandemia foi o de um empreendimento que lidava com questões de saúde mental, como relaxamento e ioga nas empresas, e acabou sendo recrutado pela Shell para fazer treinamento com seus empregados “naquele momento de pico de estresse, com todo mundo trabalhando de casa”, destacou.

Diversidade

No primeiro ciclo deste ano, realizado no primeiro semestre, foram 772 inscritos — 536 na etapa ideação e 236 na etapa operação. Do total de inscritos, 125 eram do Espírito Santo e 647 do Rio de Janeiro. O número de participantes autodeclarados pardos e pretos (65% dos selecionados) foi recorde no primeiro ciclo este ano e, pela primeira vez, o grupo formado foi composto por maioria feminina (58%).

Edição: Nádia Franco

Fonte: EBC Economia

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