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Saúde

Covid-19: empresas podem exigir uso de máscaras de funcionários?

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Mulher usando máscara
Foto: Governo de SC

Mulher usando máscara

Com o crescimento dos casos de Covid-19 no país, que enfrenta, segundo especialistas, uma 4ª onda da doença, aumenta também a procupação com as medidas de prevenção. No ambiente de trabalho, o uso de máscara deixou de ser obrigatório desde abril. No entanto, diante da expansão dos casos, as empresas podem exigir o uso do equipamento de proteção de seus funcionários?

Advogados avaliam que as companhias têm autonomia para exigir o uso de equipamentos de proteção e do comprovante de vacinação, tal como outros protocolos que entendem como necessários para garantir a saúde e o bem-estar da equipe.

Estados e municípios têm autonomia para adotar medidas sanitárias contra a Covid, dizem. Mas em cidades onde o uso de máscaras não é mais obrigatório em locais fechados, cabe à empresa decidir se esta será uma exigência, uma vez que não há mais uma portaria federal que determine as regras sobre o assunto.

As empresas devem orientar os funcionários sobre o uso e, caso algum deles se recuse a seguir as regras, existe a possibilidade de demissão por justa causa, embora essa decisão não seja um consenso entre os juristas.

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O professor de Direito do Trabalho no Ibmec-RJ Leandro Antunes disse que na maioria dos casos em que houve recusa do trabalhador em usar a máscara ou outro equipameto de proteção exigido pela empresa, o poder Judiciário deu razão ao empregador:

“A Justiça entende como uma medida que beneficia a coletividade. Se a empresa estabelece o uso da máscara dentro das suas dependências e o empregado não a utiliza, isso caracteriza um ato de indisciplina e pode gerar a demissão por justa causa. O que a empresa não pode, por exemplo, é pedir para que o funcionário use máscaras fora do ambiente de trabalho, porque isso já invade sua esfera privada”, diz.

Existem casos, no entanto, em que o empregado demitido por se recusar a usar máscara ou a apresentar o comprovante de vacinação, teve razão perante a Justiça, segundo Luiz Antonio Franco, advogado trabalhista do escritório Machado Meyer Advogados. Ele afirma que vale a gradação de sanções.

Ou seja, antes da demissão, é preciso alertar o funcionário. A destituição do cargo deve ser um recurso usado com parcimônia, afirma.

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“Só deve acontecer (demissão) em caso de recorrência (da negativa) do empregado, após aplicação de suspensões. Se você se atrasa para o trabalho, não será demitido de cara, vai receber uma advertência. O mesmo vale para quem não quer seguir os protocolos de saúde da empresa. Devem ser dadas advertências verbais, depois por escrito para, no fim, se recorrer à demissão”, analisa.

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Fonte: IG SAÚDE

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Estudo: dislexia não é um distúrbio, mas uma adaptação para a evolução

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A dislexia não é um distúrbio, mas uma adaptação essencial para a nossa sobrevivência, diz estudo
Getty Images

A dislexia não é um distúrbio, mas uma adaptação essencial para a nossa sobrevivência, diz estudo

A dislexia do desenvolvimento é considerada um distúrbio genético que dificulta o aprendizado, a leitura e a escrita. No entanto, um novo estudo afirma que a dislexia não é um distúrbio e sim uma parte da evolução da espécie humana, que teve um papel fundamental na nossa sobrevivência.

O cérebro de pessoas com dislexia apresenta alterações em redes neuronais que envolvem o reconhecimento de letras e a associação dessas letras com o som. Por outro lado, de acordo com pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, o cérebro dessas pessoas também é especializado em explorar o desconhecido. Esse ‘viés exploratório’ tem uma base evolutiva e desempenha um papel crucial em nossa sobrevivência como espécie.

Para chegar a essa conclusão, a equipe reexaminou estudos experimentais em psicologia e neurociência que envolviam cognição, comportamento e cérebro. Os resultados foram evidenciados em todos os domínios de análise, do processamento visual à memória. Esta é a primeira vez que uma abordagem interdisciplinar usando uma perspectiva evolutiva é aplicada na análise de estudos sobre dislexia.

As novas descobertas, publicadas na revista Frontiers in Psychology, são explicadas no contexto da “cognição complementar”, uma teoria que propõe que nossos ancestrais evoluíram para se especializar em maneiras de diferentes, mas complementares, de pensar o que aumenta a capacidade humana de se adaptar por meio da colaboração.

Os pontos fortes do cérebro disléxico podem ter evoluído à medida que os humanos se adaptaram a um ambiente em mudança. Para sobreviver, precisávamos aprender habilidades e adquirir hábitos específicos, mas também precisávamos ser criativos e encontrar novas soluções por meio da exploração.

Como o cérebro tem capacidade limitada, a única maneira de melhorar a adaptação era especializando-se em diferentes estratégias. Dessa forma, algumas pessoas se tornaram mais especializadas em absorver todo o conhecimento existente, enquanto outras se concentraram mais em descobertas e invenções.

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“Encontrar o equilíbrio entre explorar novas oportunidades e explorar os benefícios de uma escolha específica é a chave para a adaptação e sobrevivência e sustenta muitas das decisões que tomamos em nossas vidas diárias”, disse Helen Taylor, uma das autoras do estudo.

Isso ajudaria a explicar por que pessoas com dislexia têm dificuldades com tarefas relacionadas à ler e escrever, mas parecem ter facilidade para profissões que exigem habilidades relacionadas à exploração, como artes, arquitetura, engenharia e empreendedorismo.

Com base nessas descobertas, os pesquisadores argumentam que precisamos mudar nossa perspectiva e parar de olhar para a dislexia através de uma lente negativa, como um distúrbio neurológico, mas simplesmente como um funcionamento diferente do cérebro, que é fundamental para a sobrevivência da espécie humana.

“Essa questão de que os transtornos do desenvolvimento, como autismo e dislexia, devem ser analisados de uma perspetiva de potencialidade em vez de fragilidade é muito interessante para reduzir o estigma e procurar entender o cérebro como uma estrutura que busca adaptação”, diz a psicóloga Claudia Berlim de Mello, docente do departamento de psicobiologia da Unifesp .

Para Telma Pantano, fonoaudióloga e psicopedagoga da semi-internação do IPq – Instituto de Psiquiatria da USP, o que esse artigo traz de uma forma bem interessante é a importância de termos uma visão diferente do que consideramos patologia.

“Quando falamos de diagnósticos de neurodesenvolvimento, como os de aprendizagem, estamos falando que de cérebros que funcionam de forma diferente, não de neurônios mortos. O grande ponto é o quanto esse funcionamento diferente causa sofrimento para a pessoa, no ambiente em que ela está”, diz Pantano.

Cerca de 20% da população mundial tem dislexia, independentemente do país, cultura e região. O diagnóstico costuma ocorrer na infância, quando começa a alfabetização. Os sinais incluem trocar letras, principalmente quando elas possuem sons parecidos; pular ou inverter sílabas na hora de ler ou escrever; erros constantes de ortografia, entre outros.

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Isso porque o sistema educacional não está preparado para que essas crianças. Justamente por se tratar de uma forma diferente do funcionamento do cérebro, não há cura para a dislexia. O tratamento envolve principalmente criar estratégias para que elas consigam superar as dificuldades e aprender a ler e escrever. Mesmo assim, Pantando explica que para uma pessoa com dislexia, a leitura nunca será um processo “automático” como é para aqueles sem a alteração.

Como em todo distúrbio, existem diversos graus de intensidade. Para algumas crianças, a dificuldade de aprendizado na escola pode trazer um grande sofrimento.

Mello alerta para a necessidade de haver uma mudança no sistema de alfabetização, que considere essas diferentes formas de funcionamento cerebral e adotem alternativas para que essas crianças consigam consolidar as habilidades de leitura.

“A dislexia precisa de uma abordagem sistêmica, que envolve a criança, os professores e os pais e mudanças nos modelos de ensino, para que eles sejam adequados ao ritmo dessas crianças” ressalta a psicóloga.

“Temos que ter na dislexia uma intervenção sistemática, que envolve a criança, os professores, os pais e alterar os padrões de ensino que sejam adequados ao ritmo dessas crianças.”

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Fonte: IG SAÚDE

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