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Covid-19: Rio de Janeiro tem regiões com risco moderado de contágio

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Covid-19: Rio de Janeiro tem regiões com risco moderado de contágio
Fernando Frazão/Agência Brasil

Covid-19: Rio de Janeiro tem regiões com risco moderado de contágio

O Estado do  Rio de Janeiro voltou a ter regiões com nível de risco moderado (bandeira laranja) para a Covid-19 pela primeira vez em cerca de um mês, de acordo com a última atualização do mapa de risco da Secretaria de Estado de Saúde (SES), publicada na quinta-feira.

As regiões Metropolitana I (que inclui a capital), Metropolitana II, Baixada Litorânea e Baía de Ilha Grande, que vinham sendo classificadas com risco baixo ou muito baixo nas últimas semanas, registraram aumento nos indicadores da pandemia na nova nota técnica.

Com isso, de acordo com resolução que estabelece medidas de combate ao contágio conforme o bandeiramento de cada região, a SES recomenda o retorno de determinados protocolos, como a proibição de qualquer evento com aglomeração nos municípios com risco moderado. De maneira geral, o estado também foi classificado com nível de risco moderado para a transmissão da Covid-19.

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De acordo com o documento, houve um aumento de 172% no número de óbitos entre as semanas epidemiológicas (SE) 52 de 2021 (26 de dezembro a 1° de janeiro) e 2 de 2022 (9 a 15 de janeiro), passando de 18 mortes no primeiro período para 48 óbitos no segundo. Em relação às internações por Covid-19, a alta foi de 313%, passando de 89 internações na SE 52 para 368 internações em 15 dias.

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A única região que não registrou aumento de internações, nas semanas de comparação, foi a região Noroeste. Em relação aos óbitos, Baía de Ilha Grande, Centro-Sul e Noroeste não apresentaram nenhum óbito nas semanas avaliadas. As regiões Médio Paraíba, Centro-Sul, Serrana, Noroeste e Norte continuam classificadas com risco baixo.

“É possível observar uma situação de aumento de risco nas últimas duas edições do mapa, refletindo o impacto da nova variante Ômicron no Estado”, diz a nota.


Como resultado, a pasta recomendou aos municípios adotar novas estratégias de combate à Covid-19, seguindo uma nota instrutiva composta pelo Conselho Nacional de Secretários de Estado de Saúde (Conass) e Conselho Nacional das Secretarias municipais de Saúde (Conasems). São elas:

  • Proibição de qualquer evento de aglomeração, conforme avaliação local
  • Adoção de distanciamento social no ambiente de trabalho, conforme avaliação local
  • Avaliar a suspensão de atividades econômicas não essenciais, com limite de acesso e tempo de uso dos clientes, conforme o risco no território
  • Avaliar a adequação de horários diferenciados nos setores econômicos para reduzir aglomeração nos sistemas de transporte público
Fonte: IG SAÚDE

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Saúde

Complexo da Maré teve letalidade por covid duas vezes maior que o Rio

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O Complexo de Favelas da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro, chegou a ter uma letalidade duas vezes maior que a capital fluminense no primeiro ano da pandemia da covid-19, mas a intervenção de um projeto que reuniu pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e ativistas da organização não governamental Redes da Maré atenuou o impacto da doença a partir de setembro de 2020.

Os resultados dos projetos Vacina Maré e Conexão Saúde: De olho na Covid-19 foram apresentados hoje (18) no seminário Olhares sobre a Covid em favelas: ciência, participação e saúde pública, promovido pela Fiocruz, no Rio de Janeiro.

O virologista Thiago Moreno descreveu em sua apresentação sobre o mapeamento das variantes genéticas do coronavírus que circularam na Maré que, em julho de 2020, as comunidades do complexo já concentravam 93 óbitos por covid-19, o que representava uma letalidade de 15% em relação aos 592 casos confirmados até então.

“A mortalidade era o dobro que a da cidade do Rio de Janeiro. A gente ficou com a nítida percepção de que era importante entender o que estava acontecendo nessa região”, disse Moreno, vinculado ao Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz)

O pesquisador vê as condições de vida no complexo de favelas como fatores que estavam ligados a essa maior letalidade, já que a alta densidade populacional e a baixa renda dificultam o isolamento domiciliar e facilitam a transmissão do vírus. A Maré é um complexo de 16 comunidades com cerca de 140 mil habitantes, distribuídos em apenas 5 quilômetros quadrados.

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Agravam a qualidade de vida dessa população problemas de saneamento básico, moradias pouco ventiladas e violência urbana, já que diferentes facções criminosas disputam o território, onde ocorrem tiroteios e operações policiais.

A pesquisadora Amanda Batista, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), participou do Conexão Saúde e comparou dados que mostram a evolução da pandemia no complexo após a intervenção do projeto, que foi responsável pela notificação de mais de 97% dos casos de covid-19 na Maré, já que foram realizados 29,5 mil testes RT-PCR e 5,5 mil atendimentos de telemedicina até abril de 2021.

O período de setembro de 2020 a abril de 2021 teve 124% mais casos notificados que os meses anteriores da pandemia, mostrando uma melhora da vigilância, enquanto os óbitos caíram 62%, e a letalidade, 77%.

Para comparar os dados com outras comunidades cariocas, a pesquisadora mostrou como os números evoluíram no mesmo período na Rocinha, Cidade de Deus e Mangueira. Houve um aumento de menor intensidade nas notificações, de 78%, e uma queda menos acentuada nos óbitos, de 27%, e na letalidade, de 52%.

Entre as ações adotadas pelo Conexão Saúde, além da vigilância, ela destaca a assistência para o cumprimento do isolamento social, em que refeições e itens de higiene e limpeza chegaram a ser fornecidos para que 747 famílias pudessem cumprir a quarentena, interrompendo a cadeia de transmissão do vírus sem comprometer a segurança alimentar.

Diante disso, a pesquisadora defende que a comunidade deve ser envolvida nas respostas de saúde pública às emergências sanitárias, construindo com as autoridades de saúde a solução ideal para cada caso.

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“Cada local tem sua peculiaridade. Uma mesma política de saúde não funciona da mesma forma para todos os lugares”, alerta.

Também foram apresentados resultados do projeto Vacina Maré, que promoveu a vacinação contra a covid-19 no complexo de favelas, e obteve taxas de imunização superior à média da cidade e permitiu a realização de estudos de efetividade das vacinas.

Fernando Bozza, pesquisador do INI/Fiocruz, disse que foram acompanhados mais de 5 mil pessoas, e agora os estudos buscam continuar a pesquisa por mais 2 anos, o que permitiria investigar outras doenças.

“Podemos adicionar outras questões e esse é um dos pontos em que hoje estamos pensando muito”, disse. Ele conta com um grupo de voluntários de mais de 3 mil pessoas para os próximos 2 anos de pesquisa. “O ciclo dois é um grande desafio, porque naquele momento havia uma grande mobilização em torno da vacina. A gente ainda está aqui batalhando essa inclusão”.

Na abertura do seminário, a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, destacou a parceria da fundação com a sociedade civil e agradeceu o empenho dos pesquisadores e voluntários que integraram o projeto.

“Temos que pensar, sempre, que além de apontar as desigualdades temos que apontar a potência dos movimentos sociais, das parcerias e associações para superar esse quadro e aprender com ele. A experiência da Maré é muito importante para seus moradores e para a Fiocruz”, ressaltou.

Edição: Fernando Fraga

Fonte: EBC Saúde

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