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Perito morto por militares estava vivo quando foi arremessado em rio

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Perito papiloscopista Renato Couto, de 41 anos, foi capturado, em uma viatura da Marinha, após procurar o empresário Lourival Ferreira de Lima
Reprodução/Montagem iG – 16.05.2022

Perito papiloscopista Renato Couto, de 41 anos, foi capturado, em uma viatura da Marinha, após procurar o empresário Lourival Ferreira de Lima

Profissionais do Instituto Médico-Legal (IML) concluíram que o  perito papiloscopista Renato Couto — sequestrado e baleado ao menos três vezes por militares da Marinha — estava vivo quando foi arremessado no Rio Guandu, na altura de Japeri, na Baixada Fluminense. De acordo com a perícia feita no cadáver, o policial civil foi morto por hemorragia decorrente dos disparos de arma de fogo e ainda por asfixia mecânica provocada pelo afogamento.

O corpo foi localizado por volta das 8h em uma das margens, preso à vegetação . De acordo com as investigações, Renato foi baleado após uma discussão com três militares da Marinha e o dono de um ferro-velho, na última sexta-feira (13), na Praça da Bandeira, na Zona Norte da cidade. Um cabo, dois sargentos e o pai de um deles foram presos pelo crime.

Após o reconhecimento, uma equipe da 18ª DP (Praça da Bandeira) chegou ao local e deu apoio aos familiares e à mulher da vítima. Um colega do policial ajoelhou e chorou ao lado do corpo. Parentes da vítima, após reconhecerem o corpo, fizeram uma oração. De mãos dadas, eles rezaram o Pai Nosso.

A família destacou que Renato fez vários registros de ocorrência contra Lourival. Eles contam que, quando foi morto, o policial tinha no bolso da calça uma nota fiscal do material roubado.

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“A gente quer justiça e que eles sejam punidos severamente. Nada justifica o que fizeram. Está tudo em vídeo. Meu irmão já tinha ido lá várias vezes. Eles armaram para o matar. Ele foi morto com a nota fiscal no bolso. O meu irmão só procurou o que era dele. Ele só foi rever o que estava lá. Meu irmão foi agredido. Eles eram um ferro-velho ilegal. A última vez que estive com o meu irmão foi no Dia das Mães e disse que estava cheio de dívidas por conta daquilo. Só quem é trabalhador sabe como está tudo caro. E meu irmão montou a loja para ter uma segunda renda e fazer a casa para a minha mãe”, disse a fisioterapeuta Débora Couto de Mendonça, de 38 anos, uma das irmãs de Renato. “Ele tinha diversos boletins de ocorrência dos roubos. O que mais me choca é que são militares em favor da população, de serviço, sair do local e fazer isso. A certeza da impunidade, fazer o que fizeram a luz do dia em uma praça, onde muitas pessoas passam. Eles tinham a certeza da impunidade. Eles não são militares de boa índole. Uma pessoa desesperada briga, dá um tiro e vai embora. Eles premeditaram tudo, em um dia de serviço”, completou a irmã da vítima.

Renato é o mais velho de cinco irmãos. Ele deixa duas filhas, uma de 4 anos e outra de 8.

O que chamou a atenção foi a marca de uma freada em cima do viaduto e gotas de sangue que percorrem até o local onde o policial foi jogado. Em ao menos 30 metros é possível ver a trajetória feita pelos criminosos. Segundo os investigadores, os envolvidos carregaram Renato, que sangrava por conta dos ferimentos, até o jogarem da ponte.

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No domingo, a procura pelo corpo também foi feita pelo ar. Um helicóptero da polícia sobrevoou o Rio Guandu, onde supostamente o cadáver de Renato foi jogado pelos militares da Marinha.

O primeiro-sargento Bruno Santos de Lima — preso com o pai, o empresário Lourival Ferreira de Lima, e os também militares do 1º Distrito Naval Manoel Vitor Silva Soares e Daris Fidelis Motta por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver do perito papiloscopista Renato Couto — afirmou que o grupo “não combinou nada específico” sobre onde colocar o corpo. Em depoimento prestado na 18ª DP (Praça da Bandeira), Bruno relatou que, somente após deixarem a Avenida Radial Oeste, onde deu tiros e colocou o policial civil dentro de uma viatura da Marinha, e estarem “em via pública”, no sentido Baixada Fluminense, “avistou um grande rio”, o Guandu, em que  sugeriu que a vítima fosse deixada, não sabendo precisar se ela apresentava sinais vitais quando foi arremessada por cima da mureta do viaduto.


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Dom e Bruno: PF descarta envolvimento de suspeito que se entregou

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Suspeito de participar de morte de Dom e Bruno se entregou em SP na quinta-feira
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Suspeito de participar de morte de Dom e Bruno se entregou em SP na quinta-feira

A Polícia Federal informou nesta sexta-feira que não há indícios de que Gabriel Pereira Dantas, que se entregou voluntariamente à Polícia Civil de São Paulo na última quinta-feira , tenha envolvimento nos assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Philips. A informação é da Agência Brasil.

Ele afirmou ter participado das mortes e teve sua prisão temporária requerida pela Polícia Civil, mas a Justiça de Atalaia do Norte (AM), que está à frente do caso, indeferiu o pedido.

“Ainda na data de ontem, a referida pessoa foi encaminhada à sede da Polícia Federal em São Paulo para ser formalmente ouvida e prestar esclarecimentos sobre os fatos, mas optou por exercer seu direito constitucional de permanecer calado. Ele permanece em liberdade, tendo em vista que não há indícios de ter participado dos crimes ora em apuração, já que apresentou versão pouco crível e desconexa com os fatos até o momento apurados”, detalhou a PF, em nota à imprensa.

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Gabriel Pereira Dantas, de 26 anos, contou que viu quando os executores atiraram nas vítimas e que os ajudou a jogar os pertences delas no rio.

Ele alegou ter pilotado o barco usado pelos suspeitos no crime. No fim da tarde de quinta-feira, ele havia sido transferido para o 77º Distrito Policial para a Polícia Federal.


Bruno e Dom viajaram para o Vale do Javari, entre as cidades de Atalaia do Norte e Guajará, na tríplice fronteira Brasil, Peru e Colômbia, quando desapareceram no dia 5 de junho. A área possui 8,5 milhões de hectares demarcados, sendo a segunda maior terra indígena do país – a primeira é a Yanomami, com 9,4 milhões de hectares.

Segundo a Polícia Federal, a dupla foi perseguida por pescadores ilegais e assassinados. As vítimas teriam sido mortas a tiros e os corpos, esquartejados e enterrados. Três homens foram presos por suspeita de participação no crime:

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Dantas alegou à polícia que havia fugido do Amazonas e passado pelo estado do Pará e Mato Grosso, até finalmente chegar a São Paulo. Na nota, a PF afirma que as investigações do caso prosseguem.

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