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500 mil mortos: 4 gráficos para comparar a tragédia do Brasil com outros países

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BBC News Brasil

500 mil mortos por covid: 4 gráficos para comparar a tragédia do Brasil com a de outros países
Matheus Magenta – Da BBC News Brasil em Londres

500 mil mortos por covid: 4 gráficos para comparar a tragédia do Brasil com a de outros países

500 mil mortes por covid-19 no Brasil em 15 meses de pandemia.

O número por si só já diz muito. E desde o começo da pandemia temos comparado a situação do Brasil com outros lugares do mundo para tentar dimensionar a tragédia.

Cada tipo de cálculo tem suas limitações, mas em todos eles o Brasil aparece entre os 10 países onde mais morreu gente por covid.

Só para ter uma ideia, o Brasil tem 2,7% da população do planeta e atualmente concentra 30% das mortes pela doença no mundo inteiro.

O número de 500 mil mortes esconde um monte de diferença em relação a outros países, como o tamanho da população e a quantidade de idosos em relação à população total.

Ou seja, país com 200 milhões de habitantes tende a ter mais mortes por covid do que uma nação com uma população de 2 milhões.

Além disso, a covid-19 mata mais idosos em qualquer lugar do mundo. Então, ao compararmos o impacto da doença em dois países com a mesma população, aquele que tiver mais idosos tenderá a ter mais mortes. Mas há um monte de outros fatores que influenciam essas comparações.

Por outro lado, a comparação de mortes por 100 mil habitantes, que costuma ser usada por quem minimiza a tragédia no Brasil ou a relativiza ante um suposto impacto da maior da doença em países europeus, também ignora que as nações têm diferentes proporções de idosos.

Veja abaixo quatro maneiras de comparar o impacto da pandemia no Brasil e em outros países.

Mortes em excesso , acima da média histórica ? Brasil entre os 10 primeiros

As chamadas “mortes em excesso” são a soma do número de mortes por todas as causas que supera a média histórica em um determinado período. Esse indicador não costuma sofrer variações grandes de um ano para o outro — apesar de haver grandes variações sazonais (julho costuma ser o mês com o maior número de mortes no Brasil). Em caso de grande variação, não há outra explicação para a diferença que não seja o coronavírus.

Mas há limitações em torno dessas análises. Muitos países não têm esse dados históricos, e parte daqueles que têm não disponibilizam dados tão detalhados, atualizados ou confiáveis. Além disso, não há uma grande instituição, como a Universidade de Oxford ou a Organização Mundial da Saúde (OMS), compilando esses dados.

De todo modo, há diversas iniciativas que buscam contornar esses obstáculos para possibilitar comparações entre países e de um próprio país com sua série histórica. Em geral, esses levantamentos apontam dados mais ou menos parecidos entre si.

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Mortes em excesso: quantidade de pessoas que morreram acima da média histórica de cada país. Porcentagem mostra impacto da pandemia em relação ao que se esperava . .

O jornal britânico Financial Times, por exemplo, reuniu os dados mais recentes de 60 países, incluindo os registros de cartórios brasileiros. O líder é o Peru, com 122% de excesso de mortes. Ou seja, o número de mortes é o dobro do que se esperaria sem uma pandemia. O Brasil aparece em 9º lugar, com 34% mais mortes do que se esperava.

O estatístico Ariel Karlinksy, da Universidade Hebraica (Israel), e o especialista em aprendizado de máquina Dmitry Kobak, da Universidade de Tubinga (Alemanha), fizeram um levantamento envolvendo 95 países. O líder continua sendo o Peru, com 148% de mortes em excesso.

O Brasil surge em 7º, com 36%. Eles calculam que até 31 de maio de 2021 o país teve 499 mil mortes a mais do que se esperava, segundo a média histórica nacional. O número é equivalente ao total de mortes por covid até meados de junho, segundo o Ministério da Saúde: 488 mil.

Mas tudo isso é covid? Quase. Um estudo de pesquisadores brasileiros publicado em junho deste ano apontou que 95% das mortes em excesso em São Paulo no primeiro semestre de 2020 foram por coronavírus .

Mortes considerando faixa etária e gênero da população? Brasil em 10º lugar

Como explicado acima, a covid atinge faixas etárias e gêneros de forma distinta.

Um trabalho ainda em andamento do economista Marcos Hecksher, pesquisador do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) afirma que a taxa de mortes de idosos no Brasil em 2020 foi mais de 20 vezes maior do que entre pessoas com até 59 anos .

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Gráfico das mortes

BBC
Gráfico usa o Brasil como referência, por isso o país é representado pelo número 1. A cada morte por covid-19 no Brasil em 2020, levando-se em conta sexo e faixa etária, ocorreu 1,42 morte no Peru e 0,0005 no Vietnã

Segundo seus cálculos, 169 países de um total de 178 (ou seja, 95%) tiveram uma taxa menor do que a do Brasil em mortes por covid-19, quando se comparam não só os números absolutos, mas o tamanho da população e os óbitos em cada faixa etária.

Isso quer dizer que, caso em todos esses países os cidadãos tivessem morrido na mesma proporção, por sexo e por idade, em que morreram no Brasil, só nove deles estariam em uma situação pior do que a brasileira — ou seja, nessa comparação, registraram mais mortes do que teriam tido. Sete deles são latino-americanos.

São eles: Peru, México, Belize, Bolívia, Equador, Panamá, Macedônia do Norte, Colômbia e Irã.

Hecksher ressalta que ” comparações internacionais são quase sempre sujeitas a diferenças entre os métodos de apuração dos indicadores de cada país e os padrões de erro cometidos”, mas “é necessário lidar com os dados disponíveis e buscar a melhor forma de compreender o que eles informam dadas as limitações de cada tipo de comparação”.

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Quantas mortes em números absolutos ? Brasil em 2º lugar

O marco de 500 mil mortes por covid, atingido agora pelo Brasil, não leva em conta o tamanho da população ou a quantidade de idosos, como explicado acima, mas ele é bastante simbólico.

Atualmente, esse total de mortos é o segundo mais alto do mundo, se comparados os números absolutos oficiais. Fica atrás apenas dos EUA, que ultrapassaram em junho a marca de 600 mil mortes .

Mas a tendência é que o Brasil ultrapasse os EUA nos próximos meses porque o país norte-americano tem conseguido controlar o avanço da pandemia e ampliado a vacinação de sua população.

Mortes por covid na pandemia inteira em números absolutos. . .

Especialistas brasileiros apontam, no entanto, que o Brasil está mais perto de se tornar líder no ranking mundial de mortes do que parece.

Análises apontam que em meados de junho o Brasil já pode ter ultrapassado a marca de 600 mil mortes por casos confirmados ou suspeitos de covid-19 , 100 mil a mais que os dados do Ministério da Saúde. Essa diferença ocorre por causa da demora para inserir dados das mortes no sistema nacional. A correção desse atraso permite, portanto, “prever o agora” (nowcasting) e ter uma imagem menos distorcida da real situação atual do país.

Quantas pessoas morrem a cada 100 mil ou 1 milhão de habitantes? Brasil em 2 º lugar

O segundo indicador que mais costuma ser usado para comparar a quantidade de mortes por covid do Brasil em relação a outros países é aquele que leva o tamanho da população sem ponderar quantidade de idosos, por exemplo.

Há levantamentos que apresentam o número de mortes a cada 100 mil habitantes ou a cada 1 milhão de habitantes.

A Universidade Johns Hopkins (EUA) afirma que o Brasil é o 2º com mais mortes por 100 mil habitantes entre os 20 mais afetados ao longo da pandemia inteira.

Mortes por covid a cada 100 mil habitantes. Ranking leva em conta os 20 países mais atingidos na pandemia inteira. .

São eles: Peru, Brasil, Argentina, Colômbia, EUA, México, Romênia, Chile, Paraguai e Bolívia.

Por outro lado, a Universidade de Oxford (Reino Unido) apresenta uma comparação parecida, mas sobre dados mais atuais, e não relação à pandemia inteira. Nesse caso, o Brasil aparece com a 7ª pior média de mortes por 1 milhão de habitantes.

Dos 10 primeiros, 9 estão nas Américas.

São eles: Paraguai, Uruguai, Suriname, Argentina, Colômbia, Peru, Brasil, Trinidad e Tobago, Bahrein e Bolívia.

Fonte: IG SAÚDE

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Saúde

Covid-19: Brasil tem 19,6 milhões de casos e 549,4 mil mortes

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O Brasil registrou em 24 horas 38.091 novos casos de covid-19. O acumulado de casos registrados no país desde o início da pandemia é de 19.670.534. Segundo balanço divulgado neste sábado (24) pelo Ministério da Saúde, com base em informações repassadas pelas secretarias estaduais de saúde e do Distrito Federal, no momento, há 780.326 casos em acompanhamento. Nessa situação, casos suspeitos, que ainda podem evoluir para diferentes quadros, inclusive graves, são observados por equipes de saúde.

Já o número de pessoas que não resistiram à covid-19 no Brasil subiu para 549.448. Em 24 horas, foram registradas 1.108 mortes. Há ainda 3.428 óbitos em investigação no país. 

Há, ao todo, 780.326 pessoas com casos ativos da doença em acompanhamento por profissionais de saúde e 18.340.760 pacientes já se recuperaram.

Estados

No topo do ranking de mortes por estado estão São Paulo (137.211), seguido do Rio de Janeiro (58.361), Minas Gerais (49.675), Paraná (34.264) e Rio Grande do Sul (33.039). Entre os estados com menos registros de óbitos estão Acre (1.796), Roraima (1.828), Amapá (1.891), Tocantins (3.459) e Alagoas (5.724).

Boletim epidemiológico mostra a evolução dos números da pandemia de covid-19 n Brasil. Boletim epidemiológico mostra a evolução dos números da pandemia de covid-19 n Brasil.

Boletim epidemiológico mostra a evolução dos números da pandemia de covid-19 n Brasil. – Ministério da Saúde
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Vacinação

Até hoje, foram aplicadas mais de 131 milhões de doses de vacinas contra a covid-19. Desse total, 94,6 milhões de pessoas receberam a 1ª dose e 37,1 milhões, a 2ª dose ou dose única.

Até o início da noite deste sábado, começaram a ser distribuídas 164,4 milhões de doses, tendo sido entregues 154,7 milhões de doses. Um total de 9,7 milhões de doses estão em processo de distribuição.

Edição: Paula Laboissière

Fonte: EBC Saúde

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