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Brasil se destaca em publicação internacional sobre nanotecnologia aplicada à agricultura

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Publicação científica reúne especialistas internacionais

O livro Emerging Nanotechnologies for Agroecosystem Management, lançado pelo grupo editorial Springer Nature, reúne pesquisadores de diferentes países para discutir avanços e desafios da nanotecnologia na agricultura.

A obra aborda soluções inovadoras, como sistemas nanoestruturados para liberação controlada de insumos, nanosensores para monitoramento ambiental e estratégias para aumentar a resiliência das plantas a estresses bióticos e abióticos.

Pesquisador brasileiro coordena publicação de destaque

O professor Leonardo Fernandes Fraceto, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Nanotecnologia para a Agricultura Sustentável (INCT NanoAgro), participou da coordenação editorial da obra.

Segundo Fraceto, a publicação reforça o papel do Brasil em debates estratégicos globais, ao articular contribuições de pesquisadores da Ásia, Europa e Américas.

“A atuação do instituto em publicações de alto impacto fortalece a inserção do país em agendas ligadas à sustentabilidade, segurança alimentar e uso responsável de tecnologias avançadas no agronegócio”, explica.

Nanotecnologia como ferramenta estratégica para o agro

O livro adota uma abordagem interdisciplinar, destacando aplicações práticas da nanotecnologia para o manejo de agroecossistemas, além de discutir:

  • Segurança e impactos ambientais
  • Regulação de novas tecnologias
  • Digitalização do campo e uso de dados como ativos estratégicos
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Esses tópicos dialogam diretamente com os desafios contemporâneos da agricultura, especialmente diante do crescimento global do setor de nanotecnologia, estimado em US$ 398,5 bilhões em 2024, com previsão de atingir quase US$ 966 bilhões até 2032, segundo dados do Data Bridge Market Research.

Alcance internacional da publicação

A obra está disponível na plataforma SpringerLink, garantindo visibilidade global a pesquisadores e profissionais envolvidos. Reconhecida mundialmente, a Springer conecta universidades, centros de pesquisa, empresas e formuladores de políticas em mais de 200 países, ampliando o impacto do conhecimento produzido.

Contribuição do INCT NanoAgro para a inovação global

O envolvimento do INCT NanoAgro demonstra como institutos nacionais de ciência e tecnologia funcionam como pontes entre a pesquisa brasileira e as cadeias globais de inovação.

O livro é voltado a pesquisadores, estudantes, profissionais do setor agrícola, especialistas ambientais e tomadores de decisão e pode ser acessado em: SpringerLink.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Investigação expõe disputa com China e acende alerta no mercado brasileiro

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A abertura de investigação pelo governo brasileiro sobre possível dumping nas importações de proteína de soja chinesa ocorre em paralelo a um cenário mais amplo de tensão comercial envolvendo o principal produto do agronegócio nacional: a soja em grão. Embora o foco formal da apuração seja um derivado específico, o movimento expõe o grau de sensibilidade da relação comercial entre Brasil e China, destino de mais de 70% das exportações brasileiras do complexo soja.

O Brasil embarca anualmente entre 95 milhões e 105 milhões de toneladas de soja em grão, dependendo da safra, consolidando-se como o maior exportador global. Desse total, a China absorve a maior parte, com compras que frequentemente superam 70 milhões de toneladas por ano. Trata-se de uma relação de alta dependência: para o Brasil, a China é o principal comprador; para os chineses, o Brasil é o principal fornecedor.

O problema é que esse fluxo não é livre de mecanismos de controle. A China opera com um sistema indireto de regulação das importações, baseado principalmente em licenças, controle de esmagamento e gestão de estoques estratégicos. Na prática, isso funciona como uma espécie de “cota informal”. O governo chinês pode reduzir ou ampliar o ritmo de compras ao liberar menos ou mais permissões para importadores e indústrias locais.

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Esse mecanismo ficou evidente nos últimos ciclos. Em momentos de margens apertadas na indústria chinesa de esmagamento, quando o farelo e o óleo não compensam o custo da soja importada, o país desacelera as compras. O resultado é imediato: pressão sobre os prêmios nos portos brasileiros e maior volatilidade de preços.

Além disso, há um fator estrutural. A China vem buscando diversificar fornecedores e reduzir riscos geopolíticos. Mesmo com a forte dependência do Brasil, o país mantém canais ativos com os Estados Unidos e outros exportadores, utilizando o volume de compras como ferramenta de negociação comercial.

No caso específico da proteína de soja, produto industrializado voltado principalmente à alimentação humana, o impacto direto sobre o produtor rural tende a ser limitado. Ainda assim, a investigação conduzida pela Secretaria de Comércio Exterior, ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, sinaliza um endurecimento na política comercial brasileira em relação à China, ainda que pontual.

O processo analisa indícios de venda a preços abaixo do custo de produção, prática conhecida como dumping, no período entre julho de 2024 e junho de 2025. Caso seja confirmada, o Brasil pode aplicar tarifas adicionais por até cinco anos.

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O ponto de atenção é que, embora tecnicamente restrita, qualquer medida nessa direção exige calibragem. A China é, de longe, o maior cliente da soja brasileira e um dos principais destinos de produtos do agronegócio como carne bovina e de frango. Movimentos comerciais, mesmo que setoriais, são acompanhados de perto pelo mercado.

Para o produtor, o cenário reforça um ponto central: o preço da soja no Brasil não depende apenas de oferta e demanda internas, mas de decisões estratégicas tomadas em Pequim. Ritmo de compras, gestão de estoques e margens da indústria chinesa seguem sendo os principais determinantes de curto prazo.

Na prática, a investigação atual não muda o fluxo da soja em grão, mas escancara a dependência brasileira de um único mercado e o grau de exposição a decisões comerciais externas.

Fonte: Pensar Agro

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