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Cientistas afirmam que Covid-19 é doença vascular e pode afetar todos os órgãos

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Cientistas afirmam que Covid-19 é doença vascular e pode afetar todos os órgãos
Flavia Correia

Cientistas afirmam que Covid-19 é doença vascular e pode afetar todos os órgãos

Pesquisadores da Universidade da Califórnia, em San Diego, nos EUA, em parceria com cientistas do Salk Institute, afirmam que, embora trasmitida pela via respiratória, a Covid-19 é uma doença vascular. O estudo, publicado na revista científica Circulation Research, da AHA (Associação Americana do Coração), demonstra como o coronavírus Sars-CoV-2 pode afetar todos os órgãos do corpo.

“Isso poderia explicar por que algumas pessoas têm derrames ou problemas em outras partes do corpo. O que há de comum entre eles é que todos têm bases vasculares”, explica o coautor sênior do estudo, professor Uri Manor.

Na pesquisa, foi criado um pseudovírus contendo proteína de pico spike, que fica localizada na coroa do coronavírus, e tem papel fundamental nos danos das células que revestem a parte interna dos vasos sanguíneos. Ao expor animais em contato com o pseudovírus, constatou-se que a proteína de pico sozinha consegue desenvolver doenças, mesmo isolada do Sars-CoV-2. Esses animais foram atingidos nos pulmões e artérias.

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Posteriormente, repetiram o processo em laboratório. Mais uma vez, as células endoteliais das artérias do pulmão foram colocadas em contato com a proteína spike. Observou-se, com isso, que outra proteína, chamada ACE2, conectava-se à spike como receptor. Essa ligação entre as duas proteínas impede a sinalização molecular que a ACE2 faz para as mitocôndrias, organelas celulares responsáveis pela geração de energia. O que acontece, então, é que as mitocôndrias são danificadas e a pessoa adoece.

Covid-19 é uma endotelite

De acordo com os pesquisadores, as amostras de tecido indicaram inflamação nas células endoteliais que revestem as paredes da artéria pulmonar. O endotélio é uma membrana localizada dentro de todos os vasos sanguíneos.

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No Brasil, estudos já vinham considerando a Covid-19 como endotelite. De acordo com a infectologista da Universidade de Campinas (Unicamp), Raquel Stucchi, ao longo desses 15 meses de pandemia, já se trabalhava na linha de que “se trata de uma doença generalizada, sistêmica, que pode afetar todos os órgão, e que é uma endotelite”.

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Em entrevista ao Jornal da Manhã, da rádio Jovem Pan, a médica explica que, no endotélio, “acontece uma inflamação que explicaria os derrames que podem acontecer na Covid-19”.

Comprometimento do sistema vascular causado pela Covid-19 pode ocasionar infarto e diabetes descompensado. / Imagem: 1253222855 – istockphoto

Stucchi afirma que esse comprometimento do sistema vascular não afeta todos os pacientes, mas sim pessoas com quadros mais graves da Covid-19. “Temos a relação de comorbidade, do hipertenso, diabético, que são pessoas que já tem uma inflação maior nos vasos, pelo metabolismo diferente, que já tem mais chance de ter trombose ou um derrame.

Se eu tenho um paciente com isso e tenho um vírus que gosta de inflamar, aumento o risco de ter complicações”, explica a infectologista, destacando que essa propriedade da doença pode explicar outras danos à saúde dos pacientes, como infarto e diabetes descompensado.

Fonte: R7 Saúde

Fonte: IG SAÚDE

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Fungo raro e agressivo ‘mutila’ pacientes de Covid na Índia

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BBC News Brasil

Fungo raro e agressivo 'mutila' pacientes de covid na Índia
Reprodução: BBC News Brasil

Fungo raro e agressivo ‘mutila’ pacientes de covid na Índia

Na manhã de sábado, Akshay Nair, um cirurgião de olhos de Mumbai, na Índia, estava esperando para operar uma mulher de 25 anos que havia se recuperado de covid-19 três semanas antes.

Dentro da sala de cirurgia, a paciente diabética já estava sendo submetida a outro procedimento, por um otorrinolaringologista.

Ele havia inserido uma cânula em seu nariz e estava removendo tecidos infectados com mucormicose, uma infecção fúngica rara, mas perigosa. Essa doença agressiva afeta o nariz, os olhos e, às vezes, o cérebro.

Depois que seu colega terminasse, Nair realizaria uma cirurgia de três horas para remover o olho do paciente.

“Vou remover o olho para salvar a vida dela”, explica ele à BBC.

Mesmo com uma segunda onda mortal de covid-19 arrasando a Índia, os médicos agora estão relatando uma série de casos envolvendo uma infecção rara – também chamada de “fungo negro” – entre pacientes com covid-19 em recuperação e recuperados.

Fungo no microscópio

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Mucormicose afeta com mais frequência imunodeprimidos

O que é mucormicose?

A mucormicose é uma infecção muito rara, causada pela exposição a um tipo de mofo comumente encontrado no solo, plantas, esterco e frutas e vegetais em decomposição.

“É onipresente e encontrado no solo e no ar e até mesmo no nariz e no muco de pessoas saudáveis”, explica Nair.

A doença afeta os seios da face, o cérebro e os pulmões e pode ser fatal em diabéticos ou em indivíduos gravemente imunodeprimidos, como pacientes com câncer ou pessoas com HIV/AIDS.

O médico diz acreditar que a mucormicose, que tem uma taxa de mortalidade geral de 50%, pode ser desencadeada pelo uso de esteroides, um tratamento que salva vidas para pacientes graves com covid-19 e criticamente doentes.

Os esteroides reduzem a inflamação nos pulmões e parecem ajudar a interromper alguns dos danos que podem ocorrer quando o sistema imunológico do corpo entra em atividade para combater o novo coronavírus.

Mas acabam por reduzir a imunidade e aumentam os níveis de açúcar no sangue em pacientes diabéticos e não diabéticos com covid-19.

Acredita-se que essa queda na imunidade possa estar desencadeando esses casos de mucormicose.

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Enfermeira preparando-se para tratamento médico com frasco de dexametasona no hospital

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Esteroides são medicamentos essenciais para salvar vidas de pacientes com covid

“O diabetes diminui as defesas imunológicas do corpo, o coronavírus o agrava e, em seguida, os esteroides que ajudam a combater a covid-19 agem como se estivéssemos jogando gasolina no fogo”, explica Nair.

O cirurgião ocular – que trabalha em três hospitais em Mumbai, uma das cidades mais afetadas pela segunda onda – diz que já atendeu cerca de 40 pacientes com infecção fúngica em abril. Muitos deles eram diabéticos que se recuperaram da covid-19 em casa. Onze deles tiveram um olho removido cirurgicamente.

Entre dezembro e fevereiro, seis de seus colegas em cinco cidades – Mumbai, Bangalore, Hyderabad, Delhi e Pune – relataram 58 casos da infecção. A maioria dos pacientes a contraiu entre 12 a 15 dias após a recuperação da covid-19.

O movimentado Hospital Sion de Mumbai relatou 24 casos dessa infecção fúngica nos últimos dois meses, ante seis casos por ano, de acordo com Renuka Bradoo, chefe do departamento de otorrinolaringologia do hospital.

Onze deles perderam um olho e seis morreram.

Grande parte dos pacientes era diabética de meia-idade que foi infectada pelo fungo duas semanas após se recuperar da covid-19.

“Já estamos vendo de dois a três casos por semana aqui. É um pesadelo dentro de uma pandemia”, diz ela à BBC.

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Na cidade de Bengaluru, ao sul, Raghuraj Hegde, cirurgiã oftalmologista, conta uma história parecida.

Ela viu 19 casos de mucormicose nas últimas duas semanas, a maioria deles pacientes jovens. “Alguns estavam tão doentes que não podíamos nem mesmo operá-los.”

Os médicos dizem que estão surpresos com a gravidade e a frequência dessa infecção fúngica durante a segunda onda, em comparação com apenas alguns casos durante a primeira onda no ano passado.

Nair diz que só atendeu 10 casos dessa doença em Mumbai nos últimos dois anos. “Este ano é algo diferente”, diz.

Em Bengaluru, Hegde nunca tinha visto mais de um ou dois casos por ano em mais de uma década como médica.

Um trabalhador municipal usando uma máscara facial usa máquina de spray de fumigação perto de um centro de vacinação em Mumbai, Índia, 30 de abril de 2021

EPA
Mumbai é uma das cidades mais afetadas na segunda onda da Índia

Os pacientes que sofrem dessa infecção fúngica geralmente apresentam sintomas de nariz entupido e sangramento; inchaço e dor nos olhos; pálpebras caídas; visão turva e, finalmente, perda de visão. Pode haver manchas pretas de pele ao redor do nariz.

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Os médicos dizem que a maioria de seus pacientes busca tratamento médico tarde demais, quando já está perdendo a visão. Como resultado, eles precisam remover cirurgicamente o olho para impedir que a infecção alcance o cérebro.

Em alguns casos, contam, os pacientes perderam a visão em ambos os olhos.

E, em casos raros, os médicos precisam remover cirurgicamente o osso da mandíbula para impedir que a doença se espalhe.

Uma injeção intravenosa antifúngica que custa 3,5 mil rúpias (R$ 250) a dose e tem que ser administrada todos os dias por até oito semanas é o único medicamento eficaz contra a doença.

Uma forma de impedir a possibilidade de infecção fúngica é garantir que os pacientes com covid-19 – tanto no tratamento quanto após a recuperação – recebam a dose e a duração corretas de esteroides, diz Rahul Baxi, diabetologista de Mumbai.

Ele conta que tratou cerca de 800 pacientes diabéticos com covid-19 no ano passado, e nenhum deles contraiu a infecção fúngica.

“Os médicos devem cuidar dos níveis de açúcar após a alta dos pacientes”, diz Baxi à BBC.

Segundo um funcionário do alto escalão do governo indiano, “não há grande surto” de mucormicose no país.

No entanto, é difícil dizer por que mais casos dessa infecção estão sendo notificados na Índia.

“A cepa do vírus parece ser virulenta, elevando o açúcar no sangue a níveis muito altos. E, estranhamente, a infecção fúngica está afetando muitos jovens”, diz Hegde.

Seu paciente mais novo no mês passado era um homem de 27 anos, que nem era diabético.

“Tivemos que operá-lo durante sua segunda semana de covid-19 e remover seu olho. É muito devastador.”


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Fonte: IG SAÚDE

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