Cuiabá

Letramento racial é tema de tribuna na Câmara de Cuiabá

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Ana Cláudia Fortes – Assessoria da vereadora Maysa Leão
A vereadora Maysa Leão (Republicanos) levou à tribuna da Câmara Municipal de Cuiabá, nesta terça-feira (1º), a discussão sobre letramento racial e a importância da educação antirracista nas escolas públicas. A convite da parlamentar, a educadora, capoeirista, mestranda e pesquisadora da cultura afro-brasileira, Ketlyn Inaia Pereira de Almeida, conhecida como Dandara, fez um discurso contundente sobre os reflexos do racismo estrutural na sociedade brasileira.
“Hoje eu me coloco diante de vocês para falar sobre um tema essencial como pilar da nossa sociedade, que é a educação antirracista. Fingir que esse racismo não existe é um desserviço à realidade e uma barreira para o nosso progresso coletivo”, afirmou Ketlyn, que também é mestranda em Educação.
A educadora iniciou sua fala de forma simbólica, relembrando o início da sua trajetória por meio da capoeira e do berimbau. Ao longo do discurso, destacou como a ausência de representatividade e a naturalização do preconceito impactam negativamente as crianças negras no ambiente escolar. “Quando uma criança negra vê sua história sendo contada com respeito e representatividade, ela cresce com mais autoestima. Isso vale também para as crianças não negras, que passam a enxergar a diversidade como parte natural da sociedade”, completou.
A vereadora Maysa Leão reforçou que o combate ao racismo é uma pauta permanente de seu mandato. “Desde o início, meu gabinete tem buscado letramento racial por meio de estudos, como o manual antirracista de Djamila Ribeiro. Como mulher branca, sei que jamais saberei o que é carregar a dor de ser uma pessoa preta no Brasil, mas tenho a obrigação moral de ouvir, estudar e transformar isso em ação”, declarou a parlamentar.
Durante a fala, Maysa compartilhou experiências de amigos e conhecidos que enfrentam diariamente o preconceito racial. “Uma mãe preta precisa dizer ao filho: ‘Saia com o RG, não tenha comportamentos suspeitos’. Mas o que seria um comportamento suspeito? Ser um menino preto no shopping? Por que o pai da minha amiga, que é preto,&nbsp é seguido no supermercado sempre que se aproxima da gôndola em pleno 2025?”, questionou.
Ao final da sessão, a vereadora reforçou o compromisso com o combate ao racismo e o apoio à cultura afro-brasileira. “Conte comigo e com essa Casa, para que a cultura, a religiosidade de matriz africana e as pessoas pretas sejam respeitadas, estudadas e valorizadas. Vamos sair do discurso e caminhar para ações concretas”, concluiu.

Fonte: Câmara de Cuiabá – MT

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Cuiabá

Prefeitura aplica R$ 37,6 mil em multas e inicia limpeza em condomínio abandonado

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A Prefeitura de Cuiabá deu continuidade, nesta segunda-feira (8), à Operação Escudo Urbano, que interditou preventivamente um condomínio de casas abandonadas localizado na Rua Nossa Senhora de Santana, na região Centro-Sul da capital. A ação integrada envolveu a Secretaria Municipal de Ordem Pública (Sorp), a Defesa Civil, a Vigilância em Saúde Ambiental, a Empresa Cuiabana de Zeladoria e Serviços Urbanos (Limpurb), a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras e a Energisa Mato Grosso.

Durante a fiscalização, foram lavrados autos de infração que somam R$ 37,6 mil em razão das irregularidades encontradas no imóvel. As equipes também iniciaram os serviços de limpeza e remoção de resíduos acumulados no local. Os custos das intervenções serão cobrados dos proprietários do condomínio.

A Energisa Mato Grosso realizou a retirada de cabos e fiações em desuso, além do desligamento de pontos de energia existentes nas edificações, como medida de segurança e para eliminar riscos decorrentes do abandono do empreendimento.

A secretária municipal de Ordem Pública, Juliana Palhares, explicou que a ação foi motivada pelas condições críticas encontradas no condomínio e pelos riscos à saúde pública e à segurança da população. “Trata-se de um imóvel cuja estrutura está bastante comprometida. A Defesa Civil já havia elaborado um laudo anterior condenando a edificação e, agora, com o acesso ao condomínio, constatamos que a situação é ainda mais urgente. Encontramos focos e condições favoráveis à proliferação do mosquito Aedes aegypti, além da presença de morcegos, pombos e escorpiões. Estamos atuando no momento adequado para evitar que o local se transforme em um problema ainda maior para a saúde pública”, afirmou.

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A secretária reforçou que a responsabilidade pela conservação do imóvel é dos proprietários. “Estamos promovendo a limpeza e adotando medidas emergenciais para proteger a população. No entanto, trata-se de uma propriedade privada, e o dever de manutenção é dos proprietários, que serão responsabilizados pelos custos de toda essa operação. Também vamos encaminhar o caso à Procuradoria-Geral do Município para avaliação de medidas judiciais, porque ações pontuais não resolvem definitivamente o problema se não houver manutenção contínua”, acrescentou.

O diretor da Defesa Civil, capitão do CBMMT Marcelo Cerqueira, informou que o primeiro relatório técnico sobre o condomínio foi elaborado em dezembro de 2025. Na ocasião, as equipes não conseguiram acessar o interior do imóvel porque o local estava fechado. “Agora conseguimos entrar e verificamos uma situação preocupante. O condomínio possui 30 imóveis, e vários deles apresentam estruturas avariadas, além de grande acúmulo de lixo. A Limpurb já iniciou uma intervenção para melhorar as condições do ambiente, e vamos concluir o relatório técnico para subsidiar as providências necessárias por parte dos órgãos competentes”, explicou.

A Vigilância em Saúde Ambiental também participou da operação para identificar fatores que favorecem a presença de vetores de doenças e animais sinantrópicos. Segundo o biólogo Jesse Martins, a principal medida recomendada para o local é o manejo ambiental. “O controle químico não é indicado para esse tipo de situação. O mais eficaz é a eliminação dos abrigos e focos que favorecem a permanência desses animais. Encontramos vestígios de morcegos e também algumas larvas, que serão encaminhadas para análise laboratorial e identificação”, informou.

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Durante a vistoria, a Secretaria Municipal de Ordem Pública lavrou dois autos de infração com base na Lei Complementar nº 589/2025. O primeiro, no valor de R$ 10,4 mil, foi aplicado por lote não limpo, existência de criadouros de vetores e abandono do imóvel, com prazo de 30 dias para regularização. Já o segundo auto de infração, no valor de R$ 27,2 mil, foi emitido em razão da existência de criadouros de vetores, abandono do imóvel, risco estrutural grave e utilização do espaço de forma a gerar insegurança pública. Nesse caso, o prazo concedido para regularização é de 90 dias.

Ao longo de 2025, a Secretaria realizou três ações fiscais no local para notificar o responsável pelo imóvel a realizar a limpeza e a manutenção da área. Como as tentativas de contato não tiveram resultado, foi necessária a adoção da interdição preventiva, medida amparada pela Portaria nº 36/2026, publicada na Gazeta Municipal de sexta-feira (5). A norma regulamenta o processo administrativo cautelar de interdição total ou parcial de imóveis urbanos com risco iminente, previsto na Lei Complementar nº 589/2025.

Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

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