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Tensões no Oriente Médio reacendem alerta no mercado global de fertilizantes e geram preocupação para o agro

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Conflito no Oriente Médio amplia incertezas no mercado de fertilizantes

A escalada das tensões no Oriente Médio voltou a colocar o mercado global de fertilizantes em estado de alerta, especialmente no segmento de nitrogenados, como ureia e sulfato de amônio. O cenário ocorre em um momento em que o setor ainda enfrenta os impactos da guerra entre Rússia e Ucrânia, iniciada em 2022, dois importantes fornecedores mundiais de insumos agrícolas.

Nos últimos meses, os preços desses fertilizantes já vinham apresentando trajetória de alta, impulsionados por fatores estruturais, como restrições às exportações da China, a continuidade do conflito no leste europeu e a forte demanda de países importadores, como a Índia.

Com o agravamento do cenário geopolítico na região, cresce agora a volatilidade nos preços e nas decisões de compra, aumentando a cautela entre empresas e produtores agrícolas ao redor do mundo.

Oriente Médio tem papel estratégico no comércio global de ureia

A importância do Oriente Médio para o mercado internacional de fertilizantes é significativa. A região responde por cerca de 40% do comércio marítimo global de ureia, além de possuir participação relevante na oferta de amônia e fertilizantes fosfatados.

Parte da produção ligada ao Irã chega ao mercado internacional por meio de operações comerciais trianguladas via Omã, o que torna o monitoramento das rotas marítimas ainda mais sensível.

A atenção do mercado se concentra especialmente no Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde passa aproximadamente um quinto do petróleo negociado globalmente. Qualquer aumento das tensões envolvendo países como Irã, Israel e Estados Unidos pode pressionar os custos energéticos, fretes marítimos e seguros de carga, refletindo diretamente no preço final dos fertilizantes.

Energia mais cara pode elevar o custo de produção agrícola

A relação entre o setor energético e a produção de fertilizantes é direta. A fabricação de nitrogenados depende fortemente do gás natural, insumo fundamental para a produção de amônia anidra, base de diversos fertilizantes utilizados nas lavouras.

O gás natural também exerce papel importante em várias etapas da cadeia alimentar, desde a produção agrícola até a conservação de alimentos.

Dessa forma, interrupções no fornecimento ou aumento nos preços do gás e do petróleo tendem a impactar rapidamente o mercado agrícola global, elevando os custos de produção.

Mercado reage com antecipação de compras e ajustes logísticos

No curto prazo, o mercado já começa a reagir à possibilidade de restrições logísticas e aumento de custos no transporte marítimo.

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Empresas do setor relatam uma corrida para antecipar importações de fertilizantes, motivada pelo receio de que eventuais tensões no Estreito de Ormuz possam comprometer o fluxo de embarques nas próximas semanas ou meses.

Esse movimento tem levado companhias a reorganizar operações logísticas, liberando espaços em armazéns e áreas industriais que normalmente estariam reservadas para manutenção durante a entressafra. O objetivo é garantir capacidade para receber novos carregamentos antes de possíveis gargalos no comércio internacional.

Impacto imediato no Brasil tende a ser moderado

Para o Brasil, o impacto imediato tende a ser moderado, já que o país não está no período de maior volume de compras de fertilizantes nitrogenados.

Ainda assim, o cenário gera preocupação para os próximos meses, especialmente após a colheita da soja, quando os produtores começam a negociar os fertilizantes da próxima safra, com destaque para fosfatados e potássicos.

A dependência externa permanece elevada. Segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos, o Brasil importa entre 80% e 85% dos fertilizantes que consome, tornando o setor agrícola particularmente sensível a choques geopolíticos e logísticos.

Fertilizantes representam parcela relevante do custo de produção

A maioria dos solos brasileiros apresenta baixa fertilidade natural e elevada acidez, o que exige aplicação regular de fertilizantes para garantir produtividade.

Por isso, esses insumos têm peso significativo no Custo Operacional Efetivo (COE) das lavouras.

Segundo dados do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, dentro do Projeto Campo Futuro, os fertilizantes representam, em média:

  • 34% do custo operacional do milho de verão
  • 27% do custo da soja e do milho segunda safra
  • 30% do custo do trigo
  • 18% do custo do arroz irrigado
Brasil depende de importações para garantir abastecimento

O Brasil depende fortemente da importação de fertilizantes intermediários importantes, como ureia, sulfato de amônio e cloreto de potássio.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior indicam que, em 2025, o país importou:

  • 7,7 milhões de toneladas de ureia, com destaque para fornecedores como Nigéria, Rússia, Omã, Catar e Argélia
  • 7,78 milhões de toneladas de sulfato de amônia, quase totalmente provenientes da China
  • 13,7 milhões de toneladas de cloreto de potássio, principalmente da Rússia e do Canadá
  • 3,1 milhões de toneladas de MAP (fosfato monoamônico), com destaque para Rússia, Arábia Saudita e Marrocos
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No caso da ureia, 33% das importações brasileiras têm origem no Oriente Médio, evidenciando a sensibilidade do país às tensões na região.

Produção nacional volta ao debate estratégico

Diante desse cenário de incerteza logística e risco de aumento de custos, ganha força o debate sobre a ampliação da produção doméstica de fertilizantes.

Iniciativas previstas no Plano Nacional de Fertilizantes buscam reduzir a dependência externa por meio da retomada de unidades industriais e estímulo à produção local.

Em períodos de estabilidade global, produzir fertilizantes no país pode parecer menos competitivo. No entanto, em um ambiente marcado por conflitos e instabilidade logística, a produção interna passa a ser vista como um fator estratégico para garantir segurança no abastecimento agrícola.

Alta do petróleo pode pressionar diesel e custos no campo

Outro ponto de atenção para o setor agropecuário é o possível impacto da alta do petróleo sobre o diesel, combustível essencial para as operações agrícolas e para o transporte de insumos e produção.

O Brasil não é autossuficiente na produção de diesel, o que exige importações para atender à demanda interna. Caso os preços internacionais subam de forma significativa, existe risco de pressão sobre o abastecimento e sobre os custos logísticos.

No campo, o gasto com operações mecanizadas, que incluem diesel e manutenção, representa cerca de:

  • 12% do COE da soja e do milho segunda safra
  • 17% no caso do arroz
  • 16% no feijão

Além disso, aumentos no preço do combustível tendem a elevar o frete rodoviário, impactando a formação de preços no mercado interno.

Custos mais altos podem reduzir a rentabilidade do produtor

Mesmo diante da alta nos custos de produção, o setor agropecuário enfrenta limitações para repassar integralmente esses aumentos aos preços de venda.

Isso ocorre porque o produtor rural é, em grande parte, tomador de preços no mercado, diferentemente de setores industriais e de serviços.

Com isso, a elevação nos custos de fertilizantes, combustíveis e logística pode reduzir a rentabilidade no campo, ainda que parte desses aumentos eventualmente seja repassada ao consumidor final ao longo da cadeia de abastecimento.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportações de carne bovina do Brasil disparam em 2026 e superam 1,3 milhão de toneladas até maio

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As exportações brasileiras de carne bovina seguem em forte expansão em 2026. Em maio, o Brasil embarcou 297 mil toneladas da proteína para o mercado internacional, volume 17,8% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. O desempenho reforça o protagonismo do país no comércio global de carne bovina e consolida a trajetória de crescimento observada ao longo do ano.

Os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), mostram que o faturamento das exportações atingiu US$ 1,83 bilhão em maio, avanço de 6,5% em relação ao mês anterior.

Além do aumento nos embarques, o setor também foi beneficiado pela valorização do produto no mercado internacional. O preço médio da carne bovina exportada alcançou US$ 6.163 por tonelada, registrando alta de 3,5% na comparação com abril.

China responde por mais da metade das exportações brasileiras

A China permaneceu como principal destino da carne bovina brasileira, ampliando sua participação nas compras externas e sustentando o crescimento das exportações nacionais.

Em maio, os chineses adquiriram 157,6 mil toneladas da proteína, movimentando US$ 1,06 bilhão. O volume representa crescimento de 39,6% em relação ao mesmo período do ano passado e corresponde a 53,1% de toda a carne bovina exportada pelo Brasil no mês.

O avanço das compras chinesas ocorre em um momento de antecipação dos embarques por parte dos importadores, diante da implementação de medidas de salvaguarda anunciadas pelo governo do país asiático para o setor de carne bovina.

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Estados Unidos mantêm posição estratégica entre os compradores

Os Estados Unidos seguiram como o segundo principal mercado para a carne bovina brasileira em maio. As exportações para o país somaram 28,8 mil toneladas, gerando receita de US$ 195,6 milhões.

Na comparação anual, os embarques para o mercado norte-americano cresceram 5,1%, demonstrando a manutenção da demanda mesmo em um cenário de maior concorrência internacional.

Entre os principais compradores também se destacaram a Rússia, com importações de 13,7 mil toneladas, o Chile, com 8,5 mil toneladas, e a União Europeia, que adquiriu 8,3 mil toneladas da proteína brasileira durante o mês.

Carne in natura domina receita das exportações

A carne bovina in natura continua sendo o principal produto exportado pelo setor. Em maio, essa categoria respondeu por 88,2% do volume total embarcado e por 93,1% de toda a receita obtida com as exportações brasileiras.

O faturamento da carne in natura atingiu aproximadamente US$ 1,7 bilhão no período, reforçando sua relevância para a balança comercial do agronegócio brasileiro.

Brasil acumula mais de 1,38 milhão de toneladas exportadas em 2026

No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, as exportações brasileiras de carne bovina alcançaram 1,388 milhão de toneladas, crescimento de 15,3% em relação ao mesmo período de 2025.

A receita gerada pelo setor chegou a US$ 7,88 bilhões entre janeiro e maio, refletindo tanto o aumento do volume exportado quanto a valorização dos preços internacionais.

O preço médio das exportações brasileiras atingiu US$ 5.677 por tonelada no período, significativamente acima dos US$ 4.824 por tonelada registrados nos cinco primeiros meses do ano passado.

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Diversificação de mercados fortalece competitividade brasileira

A China segue liderando o ranking anual de compradores, com 631,9 mil toneladas importadas e faturamento de US$ 3,78 bilhões. O país asiático respondeu por 45,5% do volume exportado pelo Brasil e por 48% de toda a receita gerada pelo setor no acumulado de 2026.

Os Estados Unidos aparecem na segunda posição, com 178,6 mil toneladas embarcadas e receita superior a US$ 1,16 bilhão. Na sequência estão Chile, Rússia e União Europeia, todos registrando crescimento nas importações da proteína brasileira.

Segundo a ABIEC, o desempenho positivo reflete a ampla presença da carne bovina brasileira no mercado internacional.

Atualmente, o produto nacional está presente em mais de 177 destinos ao redor do mundo, estratégia que contribui para ampliar a competitividade do setor, reduzir riscos comerciais e fortalecer a posição do Brasil como um dos maiores exportadores globais de proteína animal.

Perspectivas seguem positivas para o restante do ano

Com demanda internacional aquecida, preços sustentados e diversificação crescente dos mercados compradores, o setor de carne bovina mantém perspectivas favoráveis para os próximos meses.

A continuidade do forte ritmo de exportações reforça a importância da pecuária de corte para o agronegócio brasileiro e para a geração de divisas, consolidando o país como um dos principais fornecedores mundiais de carne bovina.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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