Tecnologia

1º Encontro Nacional do Mais Ciência na Escola reúne quase 2 mil pessoas de todo o País

Publicado

Nascida na pequena cidade de San Matías, na fronteira da Bolívia com o Brasil, Francinaide Prado chegou a Cáceres (MT) em 2018. Então com 30 anos, a boliviana migrou em busca de tratamento de saúde para o marido, mas encontrou mais do que isso: uma família inteira. E, de maneira inesperada, a ciência. Nos primeiros dois anos no Brasil, ela trabalhou como faxineira nas casas da região, o que a levou a conhecer muitas pessoas, entre elas a professora Lisanil.

Na Bolívia, ela havia estudado até o Ensino Médio, mas não tinha como comprovar. Foi assim que ela precisou recomeçar do zero, se tornou uma das alunas da Escola de Jovens e Adultos (EJA) e, agora, também bolsista do projeto Mais Ciência na Escola. De 24 a 26 de março, a estudante participou do 1º Encontro Nacional do Mais Ciência na Escola, em Brasília (DF), juntamente com outros quase 2 mil estudantes de todo o País. “Tem sido por meio do estudo que eu tenho conseguido mais conhecimento e percebido que consigo mudar a minha vida e realidade”, contou.

Leia mais:  MCTI inaugura sala de amamentação e reforça apoio à permanência de mulheres no trabalho

Aluna da Escola Milton Curvo, em Cáceres, Francinaide está no projeto desde abril, quando ele foi implementado na instituição. “Tem sido incrível todo o conhecimento e evolução que eu tenho tido. Antes, eu não conseguia falar na frente das pessoas e hoje eu já apresento trabalhos e falo sobre o que eu aprendo”, pontuou.

Outro participante do encontro foi o morador de Santarém (PA), João Mateus de Oliveira, de 12 anos, que chegou a Brasília junto a 32 outros alunos, professores e coordenadores do Pará. “O Mais Ciência na Escola aproxima o aluno da ciência e transforma ele em um pequeno questionador e em um pequeno cientista. Às vezes, a ciência vem como flecha e nos atravessa. O Mais Ciência na Escola é o começo de tudo”, disse o estudante durante apresentação no evento.

O programa

Lançado em julho de 2024, o programa tem como objetivo promover o letramento digital e a educação científica por meio da implementação dos chamados laboratórios mão na massa — onde os estudantes de escolas públicas podem colocar em prática ideias e criações inovadoras. As ações nesses espaços têm de planos de atividades, formação de corpo docente e bolsas para professores e estudantes.

Leia mais:  Fóssil raro de escorpião-vinagre repatriado ficará exposto em museu científico no Ceará

A iniciativa é uma parceria entre os ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e o da Educação (MEC) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Desde 2024, já foram investidos R$ 200 milhões na iniciativa.

Para a diretora de Popularização da Ciência, Tecnologia e Educação Científica do MCTI, Juana Nunes, mesmo com dificuldade com infraestrutura, logística e burocracia, a iniciativa é uma importante forma de levar a educação científica para os estudantes do País. “O Estado brasileiro, infelizmente, não consegue chegar a todos os lugares de forma completa, mas não dá para esperar que tudo esteja perfeito. É preciso chutar a porta, e é isso que nós estamos fazendo com o Mais Ciência na Escola”, disse.

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

Comentários Facebook
publicidade

Tecnologia

Tecnologias tradicionais auxiliam conservação da biodiversidade em áreas metropolitanas

Publicado

Tecnologias de produção de bens e manejo de territórios desenvolvidas por comunidades tradicionais ganharam destaque nos primeiros eventos presenciais da Estratégia e Plano de Ação para a Biodiversidade (Epab). Os encontros ocorreram em março e em abril na Região Integrada de Desenvolvimento (Ride) da Grande Teresina e na Região Metropolitana de Florianópolis.  

Um dos destaques dos eventos foi a geração de renda com a venda de azeite, sabão e carvão utilizando tecnologias alinhadas ao tempo de regeneração da floresta das quebradeiras de coco babaçu em Timon (MA), que faz parte da Ride da Grande Teresina. 

Aliado às geotecnologias modernas, o povo Guarani da Terra Indígena Morro dos Cavalos, em Palhoça (SC), regenera o território junto a iniciativas de Recuperação de Áreas Degradadas (RAD) nos limites da região, fazendo crescer, por exemplo, o número de árvores de palmito-juçara, nativo da Mata Atlântica e em risco de extinção.  

As oficinas da Epab integram o Projeto CITinova II, iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) que apoia regiões metropolitanas no planejamento integrado da biodiversidade, de maneira a alinhar a conservação ambiental, desenvolvimento socioeconômico e bem-estar da população. 

Leia mais:  O Norte navega pela ciência e mostra que conhecimento também nasce da floresta

“Incluir a conservação da biodiversidade no planejamento urbano é um passo importante para tornar nossas cidades mais saudáveis e resilientes. Ao conduzir processos como a Epab, o CITInova II contribui para que a sustentabilidade seja incorporada como elemento central do desenvolvimento urbano, com benefícios diretos para o clima, tanto em termos sociais quanto econômicos”, disse o diretor do Departamento para o Clima e Sustentabilidade do MCTI e diretor nacional do Projeto CITinova II, Osvaldo Moraes. 

O processo participativo de diagnóstico usado pelo projeto vai conectar políticas públicas, ciência, saberes tradicionais e gestão territorial. Participaram dos encontros representantes de comunidades quilombolas e indígenas e extrativistas da pesca artesanal, além de universidades, organizações da sociedade civil e órgãos públicos. 

Durante as oficinas também foram identificadas iniciativas de artesanato indígena, pesca artesanal, meliponicultura, turismo de base comunitária, turismo de natureza, agricultura familiar, horticultura agroecológica e agroindústria de produtos como mandioca, pequi e caju. Essas informações serão incluídas nos diagnósticos que servirão de base para a elaboração coletiva da Epab. 

Leia mais:  Brasil defende desenvolvimento responsável da IA em fórum internacional na Índia

“A estratégia vai revelar os desafios e as oportunidades para toda a região implementar políticas públicas ainda mais assertivas pensando na conservação da nossa biodiversidade, com benefícios para o clima e a saúde humana”, afirmou o coordenador da Agenda Teresina 2030, da Prefeitura de Teresina, e ponto focal do Projeto CITinova II no município, Leonardo Madeira. 

Após a elaboração de documentos de subsídio e reuniões de temáticas de trabalho, serão promovidos encontros de cocriação da Epab e uma consulta pública. O resultado será a disponibilização a gestores públicos, academia e sociedade civil, de um documento com objetivos, metas, ações e prazos consolidados para apoiar as Regiões Metropolitanas na condução de ações e políticas de conservação da biodiversidade. 

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana