Agro News

Volta de Trump nos EUA promete novo cenário de volatilidade para o agronegócio

Publicado

A vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos EUA gerou impactos imediatos e uma série de projeções para o mercado de commodities agrícolas, especialmente devido à sua abordagem protecionista e à política “America First”. Esse cenário cria incertezas para o agronegócio global e apresenta tanto desafios quanto oportunidades para países exportadores, como o Brasil.

Uma das primeiras reações ao retorno de Trump foi a queda nos preços das commodities, puxada pela alta do dólar. Esse fortalecimento torna produtos americanos mais caros no mercado internacional, dificultando a competitividade dos grãos dos EUA em relação a países como Brasil e Argentina. Commodities agrícolas, principalmente soja e milho, tendem a sofrer com essas oscilações, enquanto o trigo e outros produtos considerados menos expostos às novas tensões comerciais mostram estabilidade relativa.

A soja, em particular, é uma das commodities mais suscetíveis às políticas protecionistas de Trump, que na gestão anterior manteve um relacionamento instável com a China, maior importador do grão. Qualquer retomada de tarifas ou embargos comerciais pode levar a China a reduzir novamente suas compras dos EUA, intensificando a demanda por fornecedores alternativos. Esse movimento favorece países como o Brasil, que possui uma posição estratégica para atender à demanda chinesa, possibilitando um aumento de exportações em caso de restrições ao comércio americano.

Leia mais:  El Niño forte preocupa produtores e pode impactar safra brasileira de grãos em 2026/27

No entanto, as políticas de Trump também incluem subsídios e incentivos aos agricultores americanos, prática que busca compensar as perdas dos produtores locais em decorrência das barreiras comerciais. Esses subsídios não apenas sustentam a produção agrícola dos EUA, mas também criam distorções de mercado, uma vez que os produtores americanos conseguem se manter competitivos com preços baixos. Para o agronegócio brasileiro, isso pode significar a necessidade de adaptar-se rapidamente às flutuações do mercado e à concorrência com um setor americano subsidiado.

Além disso, uma política externa mais agressiva em relação ao Irã, como a que Trump adotou anteriormente, pode elevar a tensão no Oriente Médio e afetar o mercado de petróleo. Caso as sanções ao Irã sejam reforçadas, o preço do petróleo poderá aumentar, impactando diretamente os custos de logística e produção agrícola. Esse possível aumento nos preços de transporte e insumos é um fator relevante para o setor, que pode ver suas margens de lucro reduzidas em função dos altos custos operacionais.

Leia mais:  Valor Bruto da Produção em Mato Grosso do Sul cresce 26% e atinge R$ 78,8 bilhões em outubro

Outra questão geopolítica relevante é o conflito Rússia-Ucrânia. A disposição de Trump em buscar um acordo rápido, possivelmente com concessões, pode alterar o fornecimento de grãos no mercado global, dado o papel estratégico da Ucrânia como exportadora de trigo e milho. Qualquer mudança abrupta no fornecimento desses produtos cria novas dinâmicas no comércio internacional, influenciando os preços e a oferta de grãos, que podem ser ajustados de acordo com os interesses comerciais dos EUA.

Para o Brasil, essa conjuntura pode resultar tanto em uma ampliação das oportunidades de exportação quanto em uma pressão adicional para os preços internos de commodities. O retorno de Trump sinaliza a possibilidade de um cenário de volatilidade, onde o planejamento dos produtores brasileiros precisará considerar tanto as demandas globais quanto os movimentos imprevisíveis da política externa dos EUA. É um momento de incertezas que só o tempo vai nos dizer qual será o rumo da nova geoeconomia.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
publicidade

Agro News

Leilão Rincon Show movimenta R$ 1,41 milhão e marca início da liquidação histórica da Rincon del Sarandy

Publicado

A Cabanha Rincon del Sarandy, referência na seleção genética da raça Angus no Brasil, deu início à sua aguardada maratona de liquidação com um resultado expressivo. Realizado no último sábado (31), em Porto Alegre (RS), o leilão Rincon Show comercializou 100% dos 73 animais ofertados, movimentando R$ 1,41 milhão e reunindo compradores de diversas regiões do país.

O evento, realizado às margens do Lago Guaíba, no restaurante 20Barra9, no Pontal Shopping, marcou o começo de uma série de 12 dias consecutivos de vendas que integram as comemorações dos 30 anos de seleção genética da propriedade sediada em Uruguaiana (RS).

Animais foram adquiridos por criadores de quatro estados

Os exemplares comercializados fazem parte do tradicional time de pista da Rincon del Sarandy e foram adquiridos por pecuaristas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo.

O remate registrou média de R$ 27.375,00 para as fêmeas Angus e de R$ 22.114,00 para os machos Angus, confirmando o forte interesse do mercado pela genética desenvolvida ao longo de três décadas de trabalho da cabanha.

O desempenho das vendas reforça a valorização da genética Angus de alto padrão, especialmente em um momento em que a busca por produtividade, eficiência e qualidade da carne segue impulsionando investimentos na pecuária nacional.

Leia mais:  El Niño forte preocupa produtores e pode impactar safra brasileira de grãos em 2026/27
Matrizes e doadoras reforçam destaque da liquidação

As vendas tiveram continuidade no domingo (1º), com a oferta de matrizes, grandes campeãs e doadoras que ajudaram a construir a base genética do rebanho da Rincon del Sarandy.

Durante o evento, os proprietários Martin Tellechea, Ignacio Tellechea e Claudia Indarte Silva destacaram a relevância dos animais ofertados para o futuro da pecuária nacional.

Segundo Martin Tellechea, a liquidação representa uma oportunidade rara para criadores interessados em incorporar genética consolidada aos seus plantéis.

“Estamos vendendo mais do que produtos. Estamos ofertando as fábricas da Rincon del Sarandy”, ressaltou o pecuarista durante o remate.

Maratona de leilões é considerada momento histórico

O leiloeiro Fábio Crespo destacou o caráter inédito da programação, que seguirá até o dia 10 de junho, totalizando 12 dias consecutivos de comercialização.

De acordo com Crespo, a combinação entre qualidade genética, tradição da cabanha e formato da liquidação transforma o evento em um dos mais relevantes do calendário pecuário brasileiro em 2026.

A condução dos negócios reúne as equipes da Parceria Leilões, Programa Leilões, Virtual Remates e Panorama Leilões.

Vinho em homenagem a Neco Tellechea emociona participantes

Um dos momentos mais marcantes da programação foi o pré-lançamento da linha de vinhos Baita, projeto anunciado por Martin Tellechea durante o evento.

O destaque ficou para o rótulo Neco, criado em homenagem ao pecuarista Neco Tellechea, figura histórica da pecuária gaúcha e referência na trajetória da Rincon del Sarandy.

Leia mais:  Codex conclui 89ª Sessão do Comitê Executivo e avança em diretrizes para padrões internacionais de alimentos

O vinho tinto será comercializado em garrafas de 1,5 litro e tem lançamento oficial previsto para setembro, durante a Expointer, em Esteio (RS).

Garrafas arrecadam recursos para ação solidária

As duas primeiras unidades do vinho Neco foram leiloadas durante o evento em uma ação beneficente.

Cada garrafa foi arrematada por R$ 16 mil pelos criadores José Paulo Dornelles Cairoli e Rubens Zogbi. O valor arrecadado será destinado ao movimento Uruguaiana Viva, iniciativa que apoia ações desenvolvidas em parceria com a Santa Casa de Caridade de Uruguaiana.

A ação uniu genética, tradição, solidariedade e emoção, reforçando o legado construído pela família Tellechea ao longo de três décadas de atuação na pecuária brasileira.

Liquidação histórica reforça legado da genética Angus

Com forte participação de compradores e liquidez total dos lotes ofertados, o início da maratona Rincon 30 Anos confirma a relevância da Rincon del Sarandy no cenário da pecuária nacional.

A expectativa do setor agora se volta para as próximas etapas da liquidação, que seguem oferecendo animais e matrizes responsáveis por consolidar uma das mais reconhecidas seleções genéticas da raça Angus no Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana