As obras do BRT (Ônibus de Trânsito Rápido) que estão em execução nas cidades de Cuiabá e Várzea Grandes serão amplamente debatidas na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). Representantes do Consórcio Construtor BRT Cuiabá e o secretário de Estado de Infraestrutura e Logística, Marcelo Oliveira, comparecerão à Casa de Leis nos próximos dias para prestar esclarecimentos sobre os trabalhos.
Lúdio Cabral lembrou que a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra) e o consórcio firmaram contrato para implantação do corredor de transporte público integrado por meio do BRT no valor de R$ 468 milhões. Destacou ainda declarações feitas pelo governador Mauro Mendes, em que culpou o consórcio pelo atraso nas obras, e pela empresa, que rebateu as informações.
“A Secretaria de Comunicação do estado noticiou a execução de apenas 18% da obra. Nesse contexto, em consulta ao Sistema Fiplan, é possível verificar o pagamento de aproximadamente 33% do valor total do contrato. Enquanto isso, os cuiabanos e várzea-grandenses assistem uma verdadeira guerra de narrativas em meio ao caos e transtornos que as intervenções têm causado no trânsito da região, sem saber quando de fato as obras serão construídas. Queremos compreender não só as razões que levaram ao atraso no cronograma de execução das obras, como principalmente a real previsão de entrega à população”, frisou.
O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi (PSB), também solicitou esclarecimentos ao secretário de infraestrutura. Por meio de requerimento de informações, ele questionou o gestor sobre o cronograma atualizado das obras, os principais fatores que têm gerado atrasos, os valores já desembolsados pelo governo do estado, a previsão de penalidades ao consórcio responsável e a situação específica do trecho na Avenida do CPA, um dos mais afetados pelas intervenções.
O parlamentar também cobrou informações sobre o número de notificações enviadas ao consórcio e quais providências o governo estadual adotará para garantir a conclusão do projeto dentro dos novos prazos estabelecidos. “As obras do BRT têm o potencial de transformar a mobilidade urbana de Cuiabá e Várzea Grande, mas o atraso na execução das obras, notificado pelo próprio governo do estado, tem gerado transtornos e preocupações quanto ao cumprimento dos prazos e à qualidade dos serviços. Diante dessa situação, o Parlamento Estadual tem o dever de buscar esclarecimentos para assegurar que os interesses da população sejam resguardados e que os recursos públicos sejam utilizados de forma eficiente e transparente”, ressaltou.
A Câmara Setorial Temática da Saúde Psicossocial da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), presidida pelo deputado estadual Carlos Avallone (PSDB), realizou, nesta segunda-feira (27), reunião ordinária para discutir a proposta de fluxo de atendimento às emergências e crises em saúde mental na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), contemplando os públicos adulto e infanto-juvenil.
O objetivo foi avançar na construção de protocolos que orientem o atendimento de pacientes em situação de crise, especialmente nos casos que envolvem urgência e emergência, Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), Centro de Atenção Psicossocial (CAPs), unidades hospitalares e demais pontos da rede.
Durante a reunião, foram apresentados dados sobre a estrutura existente e a atuação das UPAs, destacando a necessidade de integração entre os serviços e a importância de protocolos para dar mais segurança aos profissionais e garantir atendimento adequado aos pacientes. Também foram detalhadas informações sobre a oferta de leitos em UPAs 24 horas em Mato Grosso.
Ao todo, o estado conta com 166 leitos de observação e 45 leitos de urgência distribuídos nas unidades. Cuiabá, por exemplo, possui quatro UPAs de porte III, somando 60 leitos de observação e 16 de urgência, enquanto Várzea Grande conta com uma UPA III, no Ipase, e uma UPA I, totalizando 26 leitos de observação e sete de urgência. As informações constam na Portaria nº 0646/2025/SES.
Os participantes destacaram que a quantidade de unidades e leitos ainda é considerada baixa diante da dimensão territorial de Mato Grosso e do tamanho da população atendida, o que reforça a necessidade de ampliar a estrutura e melhorar a organização da rede de atendimento.
Foto: GILBERTO LEITE/SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
Segundo o deputado Carlos Avallone, a Câmara tem acompanhado relatos de ambulâncias circulando com pacientes em crise sem conseguir atendimento imediato. Ele destacou que a intenção não é apontar culpados, mas identificar os problemas e construir soluções com apoio técnico.
“Na realidade, nós estamos falando do fluxo de urgência e emergência. Temos acompanhado muitos casos de ambulâncias rodando com pessoas em crise, sem ter quem receba. Existe lugar para ser recebido, que são as UPAs, mas, às vezes, isso não acontece porque estão lotadas, porque falta qualificação ou porque falta capacitação. Então, nós precisamos criar um fluxo”, afirmou.
Avallone também ressaltou que já existem propostas em andamento pela Prefeitura de Cuiabá e pelo Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), que poderão ser analisadas e validadas pela Câmara Setorial.
O coordenador de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Matheus Ricardo Souza, explicou que a proposta busca organizar o percurso do paciente dentro da rede, considerando os diferentes níveis de atendimento.
“O principal objetivo dessa reunião é articular o percurso desse paciente quando ele estiver em situação de crise e precisar de uma atenção especializada e de uma resposta rápida. A ideia é facilitar a assistência e o acesso à saúde nessas condições, tanto para o público infantil e juvenil quanto para o público adulto”, afirmou.
O parlamentar reforçou que a presença de diferentes instituições na Câmara Setorial fortalece a construção de uma proposta conjunta. “Quando se tem um fluxo aprovado por psicólogos, psiquiatras, Ministério Público, Defensoria Pública, Assembleia Legislativa, Estado e municípios, fica muito mais fácil fazer com que ele seja cumprido”, disse.
Para Avallone, a Câmara Setorial tem o papel de reunir especialistas, apoiar tecnicamente os municípios e viabilizar recursos quando necessário. “Criticar é fácil. O mais difícil é estudar, conhecer o caminho, chamar as pessoas para ajudar e colocar o recurso no lugar certo. É isso que estamos fazendo. A Câmara está aqui para ajudar a saúde mental a atender a população que mais precisa, porque ela está sofrendo muito”, concluiu.
Como encaminhamento, ficou acordada a formação de um grupo técnico para acompanhar a construção de fluxos e protocolos. O trabalho deverá orientar a atuação das unidades envolvidas e melhorar a articulação entre os serviços.
A reunião contou com a participação de representantes da Secretaria de Estado de Saúde (SES), da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), de profissionais de saúde e da equipe técnica da ALMT.
Dasos UPAS 24h em MT: ofertas de leitos
Município | Porte | Leitos de Observação | Leitos de Urgência
Cuiabá | 4 UPAs – Porte III | 60 | 16
Várzea Grande | 1 UPA – III (IPASE) e 1 UPA I | 26 | 7
Poconé | 1 UPA – Porte I | 7 | 2
Barra do Garças | 1 UPA – Porte II | 11 | 3
Juína | 1 UPA I | 7 | 2
Cáceres | 1 UPA – Porte II | 11 | 3
Rondonópolis | 1 UPA III | 15 | 4
Primavera do Leste | 1 UPA II | 11 | 3
Sorriso | 1 UPA | 7 | 2
Sinop | 1 UPA II | 11 | 3
Total de 166 leitos de observação e 45 leitos de urgência (Fonte: Portaria 065/2025/GBSES/MT. Posição de setembro de 2025).
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