A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Lucas do Rio Verde (330 km de Cuiabá), prendeu, nesta quarta-feira (5.3), um jovem, de 20 anos, suspeito de perseguir e ameaçar a ex-namorada por não aceitar o fim do relacionamento deles.
Segundo relato da vítima, de 37 anos, ela manteve um relacionamento com o suspeito por aproximadamente quatro meses e se separou há também quatro meses. Porém, o suspeito não aceitou o término e, desde então, passou a persegui-la.
À polícia, ela contou que o suspeito teria pedido até mesmo que quatro pessoas a denunciassem ao Conselho Tutelar, com alegações de maus-tratos e agressões aos filhos.
Além disso, ele teria provocado a demissão da vítima, pois permanecia em frente a seu emprego o dia todo e gravava vídeos dizendo que a estava esperando, mas enviava em visualização única. Até que, na última sexta-feira (28), disse que quebraria tudo no trabalho da vítima caso ela fosse trabalhar e, por medo, ela não foi, o que culminou em sua demissão.
A mulher afirmou, ainda, que, mesmo após bloqueá-lo, o suspeito seguiu lhe enviando mensagens incessantemente, inclusive por outras pessoas, com textos que diziam que ela “não teria paz até que reatasse o relacionamento”. A vítima também teria sido ameaçada a sair de Lucas do Rio Verde, senão algo poderia ocorrer com ela.
Ela chegou a pedir ajuda da ex-sogra, que a princípio disse que não podia fazer nada, mas, segundo relato da vítima, no dia seguinte, a ameaçou que, se denunciasse o ex-namorado, acionaria uma facção criminosa para agredi-la.
Assustada, a vítima procurou a Polícia Civil e solicitou medidas protetivas de urgência, para garantir sua integridade física e psicológica, assim como a de seus filhos.
O delegado de Lucas do Rio Verde requereu um mandado de prisão preventiva, que foi deferido pela Justiça e cumprido nesta quarta-feira. O suspeito ficou à disposição da Justiça.
A Polícia Civil está realizando, nesta quarta e quinta-feira (13 e 14.5), a terceira edição do Seminário de Investigação de Delitos Cometidos Contra Mulheres por Razão de Gênero, no auditório da Secretaria de Planejamento (Seplag).
O encontro visa aprimorar técnicas de investigação e qualificar os policiais civis para atuar em casos com perspectiva de gênero desde o primeiro acolhimento, com o pedido de medidas protetivas.
“O objetivo dessa capacitação é alcançar diversos policiais plantonistas do Estado de Mato Grosso, buscando capacitar a Polícia Civil para oferecer um atendimento adequado, humanizado, para que nossas assistidas, ao entrar nas delegacias, recebam um atendimento padronizado e eficiente”, afirmou a coordenadora de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher e Vulneráveis, Judá Maali Pinheiro Marcondes.
A secretária de Segurança de Mato Grosso, coronel Susane Tamanho, esteve presente na solenidade de abertura do seminário, e falou sobre a importância da sensibilidade dos servidores que trabalham com a violência contra a mulher.
“Não adianta a gente ter os melhores investimentos, os melhores equipamentos, a melhor tecnologia, se a gente não tiver essa sensibilidade no primeiro atendimento. Vocês são responsáveis por muitas das vezes mudar o curso da vida daquela mulher. A gente sabe que não é somente um problema de segurança, é um problema da sociedade como um todo, mas recai onde? Na segurança. A pessoa, quando se vê em perigo, procura a segurança. Então, nós somos, talvez, a última esperança, a última voz que aquela mulher vai ter para poder ter a sua integridade preservada”, disse a secretária.
A chefe do Gabinete de Enfrentamento a Violência de Gênero Contra a Mulher, delegada Mariell Antonini, reforçou que os papéis da Polícia Civil de fazer o primeiro atendimento e de conduzir uma investigação qualificada são muito importantes.
“Hoje se usa muito a Inteligência Artificial, mas o que não pode ser substituído no nosso dia a dia é o atendimento qualificado. Isso o computador não vai poder fazer por nós, nós temos que fazer o atendimento, ter o cuidado com o local de crime, a coleta qualificada de elementos investigativos, tudo isso é providência que depende dos profissionais que atuam nessa pauta do enfrentamento à violência contra a mulher e a Polícia Civil tem esse papel primordial de ser a porta de entrada em que as vítimas comumente recorrem”, afirmou a delegada.
Mariell afirmou que um dos motivos da capacitação ser realizada é para que os policiais compreendam essa necessidade de atender bem e evoluir na investigação. O que foi enfatizado pela delegada-geral da Polícia Civil, Daniela Maidel.
“Nós estamos aqui reunidos para entender e buscar como melhor investigar, para nós alcançarmos, enfim, a diminuição desses números assustadores que nós temos hoje na nossa sociedade. A missão constitucional da Polícia Judiciária Civil é investigar crimes, nós temos um papel muito importante nesse cenário, e eu confio muito que a investigação bem conduzida começa já no primeiro atendimento, quando nós atendemos a vítima lá no plantão, quando nós tomamos cuidado para preservar os vestígios, quando nós temos esse primeiro olhar desde a entrada da vítima na delegacia, o olhar sensível e investigativo”, declarou a delegada-geral.
Ao todo, 127 policiais, entre investigadores, escrivães e delegados, das 15 regionais do Estado, participam do seminário, que terá oito palestras e certificação de 12 horas.
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