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Produtor lesado: Petrobrás reduz preço do diesel, mas distribuidoras e postos embolsam

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Parece mentira, mas desde 1º de abril, a Petrobras reduziu em R$ 0,45 por litro o preço do diesel vendido às distribuidoras. O corte deveria ter aliviado o custo do transporte da safra 2024/25 de soja — mas não chegou às bombas. A denúncia foi feita nesta terça-feira (06.05) pela própria presidente da Petrobras, Magda Chambriard. Segundo ela, os postos de combustíveis e até algumas distribuidoras estão se apropriando da diferença para ampliar suas margens de lucro.

“Quando aumenta, o preço sobe na bomba no mesmo dia. Quando baixa, não repassam, ou repassam menos da metade”, disse Chambriard em entrevista coletiva na OTC (Offshore Technology Conference) uma das maiores conferências mundiais da indústria de petróleo e gás, realizada anualmente em Houston, Texas (EUA). “O que a gente tem visto é aumento de margem — não da nossa, mas das distribuidoras e da revenda”, disse a presidente.

Em 2024, o consumo total de diesel B no Brasil foi de 67,7 bilhões de litros. Desse volume, cerca de 20% foi utilizado no transporte rodoviário de grãos, o que representa aproximadamente 13,5 bilhões de litros destinados ao escoamento da safra agrícola.

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Com as três reduções no preço do diesel promovidas pela Petrobras desde 1º de abril, totalizando R$ 0,45 por litro, significa que os produtores poderiam ter economizado R$ 6 bilhões, caso postos e distribuidores fossem honestos.

Segundo Magda Chambriard, o roubo é silencioso e generalizado e só se tornou possível por quem entre 2019 e 2021 o governo vendeu a BR Distribuidora (hoje Vibra Energia) e abriu mão do controle sobre o varejo de combustíveis. Graças a isso, agora a estatal não consegue mais garantir que o desconto na refinaria se converta em alívio para quem abastece o caminhão. “Quando se vendeu a BR, a gente perdeu esse instrumento de controle”, reforçou Chambriard.

Fonte: Pensar Agro

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Dívidas, reforma tributária e sucessão entram no radar jurídico do produtor rural

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O aumento do endividamento no campo, a entrada em vigor da reforma tributária e os problemas relacionados a contratos, sucessão familiar e regularização de propriedades colocam as questões jurídicas cada vez mais perto das decisões tomadas pelo produtor rural. Parte desses temas estará no centro da 3ª Conferência Estadual de Direito e Agronegócio, marcada para 17 e 18 de setembro, em Ribeirão Preto (SP).

Promovido pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seção São Paulo (OAB SP), o encontro reunirá profissionais do Direito e representantes do agronegócio para discutir mudanças que afetam desde a organização patrimonial das famílias rurais até financiamento, tributação e responsabilidade ambiental.

A recuperação judicial aparece entre os assuntos de maior interesse neste momento. O aumento das dificuldades financeiras de produtores nas últimas safras ampliou as discussões sobre renegociação de dívidas, garantias oferecidas aos credores e os limites para utilização desse instrumento por quem exerce atividade rural.

Contratos agrários também ganham importância em um ambiente de margens mais apertadas. Arrendamentos, parcerias, compra antecipada de produção, financiamentos e operações envolvendo Cédula de Produto Rural (CPR) podem comprometer receitas futuras e exigem atenção às condições assumidas antes da assinatura.

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Outra mudança que começa a chegar às contas das propriedades é a reforma tributária. A transição para o novo sistema altera a tributação sobre bens e serviços e terá reflexos sobre aquisição de insumos, comercialização, investimentos e organização das empresas rurais.

O planejamento sucessório será outro eixo dos debates. A transferência da propriedade entre gerações deixou de envolver apenas a divisão das terras. Fazendas que se transformaram em empresas precisam definir administração, participação dos herdeiros, continuidade da atividade e regras para evitar que conflitos familiares comprometam o patrimônio construído ao longo de décadas.

Regularização fundiária e responsabilidade ambiental completam uma área particularmente sensível para o produtor. Documentação da terra, Cadastro Ambiental Rural (CAR), licenciamento e cumprimento da legislação ambiental podem interferir no acesso ao crédito, na comercialização e até na valorização da propriedade.

A tecnologia acrescentou novos temas a essa agenda. Inteligência artificial e blockchain estarão entre os assuntos discutidos na conferência, ao lado de gestão de riscos e sustentabilidade. A utilização crescente de dados na produção rural também amplia discussões sobre responsabilidade, validade de documentos digitais, contratos automatizados e proteção das informações geradas dentro das propriedades.

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A programação inclui ainda cooperativismo, relações trabalhistas, governança, planejamento patrimonial e gestão da cadeia produtiva.

A conferência chega à terceira edição depois de as duas anteriores reunirem mais de 2 mil participantes cada. Ribeirão Preto foi novamente escolhida para receber o encontro por sua ligação com algumas das principais cadeias agropecuárias do País.

Mais do que questões restritas aos tribunais ou aos escritórios de advocacia, os assuntos colocados em debate mostram uma mudança na gestão das propriedades. Produção, patrimônio, crédito, tributos e sucessão passaram a exigir decisões jurídicas que podem interferir diretamente no resultado econômico da atividade rural.

Serviço

3ª Conferência Estadual de Direito e Agronegócio da OAB SP
Data: 17 e 18 de setembro
Início: 9h
Local: Centro de Eventos do Ribeirão Shopping, Ribeirão Preto (SP)

Fonte: Pensar Agro

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