Divulgação/Rafael Berezinski e Reprodução/Instagram
Jovem mapeia histórias apagadas da cultura afro-brasileira
Aos 27 anos, a pesquisadora independente Talita Azevedo embarcou em uma jornada de nove meses por quatro estados brasileiros com um objetivo claro: resgatar as raízes de sua ancestralidade e recontar a história apagada do povo negro no Brasil. O resultado desse projeto é o ” Mapa Presente Histórico “, uma plataforma interativa que destaca 13 locais fundamentais para a memória afro-brasileira, muitos deles pouco conhecidos.
Natural de Campinas (SP), Talita iniciou sua expedição motivada pela busca de conexão com seu avô materno, que sofria de demência e não podia mais compartilhar suas memórias.
“Para mim, o processo de entender que eu era uma mulher negra demandou muito tempo. Até então, eu não tinha muita consciência disso. Aos 20 anos, quando entrei na graduação, essa busca pela ancestralidade começou a se tornar cada vez mais latente. Meu avô materno teve demência, e eu comecei uma corrida contra o tempo. Sabia que não conseguiria recuperar as memórias dele, então anotei os nomes dos pais dele e saí viajando pelo Brasil. Aos poucos, percebi que estava mapeando não só minha história, mas uma história coletiva que foi apagada” , relembra ao iG Turismo.
Entre os locais mapeados estão:
Campinas (SP) Estudos apontam que esta cidade do interior paulista foi uma das últimas no mundo a extinguir completamente o regime escravocrata, mantendo práticas análogas à escravidão mesmo após a Lei Áurea.
Itaúnas (ES) Entre os anos 1950 e 1970, o desmatamento descontrolado na região costeira capixaba provocou o avanço das dunas sobre a vila original, forçando a comunidade local a se deslocar para a margem oposta do rio, onde reconstruíram suas vidas.
Salvador (BA)
Reprodução/Arquivo pessoal/Talita Azevedo
Salvador
Igreja da Misericórdia: Erguida em 1526, é reconhecida como o primeiro templo católico do país Terreiro de Jesus: Espaço fundamental para a preservação da identidade cultural afro-baiana Igreja do Rosário dos Pretos: Centro de resistência da Irmandade Negra, com histórico de sepultamentos e local de convivência de intelectuais como Jorge Amado
Rio de Janeiro (RJ)
Palacete Imperial: Residência da família real brasileira, hoje abriga acervo sobre o período monárquico
Reprodução/Talita Azevedo/Arquivo pessoal
Lagoa das Lontras
Lagoa das Lontras: Área de antigos quilombos e importante produção cafeeira Ilha de Paquetá: Abriga um baobá centenário, testemunha silenciosa da história colonial Jardim Botânico: Além da biodiversidade, conserva referências a Ossain, orixá das plantas medicinais Igreja do Rosário: Guarda a emblemática imagem de Santa Anastácia Catedral Imperial: Mausoléu da família real brasileira em Petrópolis
Reprodução/Talita Azevedo/Arquivo pessoal
Cais do Valongo
Cais do Valongo: Principal porto de desembarque de africanos escravizados nas Américas, reconhecido pela UNESCO
Praia da Rasa: Litoral fluminense marcado pelo comércio ilegal de escravizados no século XIX
Reprodução/Talita Azevedo
Rio de Janeiro
Sobre a seleção dos locais que compõem o mapa, Talita destaca a importância da imersão presencial. “Fiz questão de estar em cada um desses lugares. Conversei com pessoas que carregavam saberes ancestrais, mesmo que não fossem historiadores formais. Eram guardiões de memórias que os livros não contam. O mapa começou como uma busca pessoal, mas virou um projeto educativo. Quero que as pessoas entendam o que é tecnologia brasileira de verdade: inovação que nasce da nossa história e das nossas raízes” , acrescenta.
Quando questionada sobre qual local a impactou mais, Talita reflete sobre a relação entre passado e presente: “Visitar a Catedral São Pedro de Alcântara, onde estão os restos da família imperial, me fez perceber como a história não está distante. Ela está aqui, acessível, mas muitas vezes ignorada. Itaúnas, no Espírito Santo, também foi forte. Ver uma vila soterrada pela especulação imobiliária, com famílias negras tendo que recomeçar do zero, mostrou como o apagamento é violento e intencional” , reflete a pesquisadora.
Além do mapa, Talita prepara o lançamento de um livro com fotos e relatos de suas viagens, previsto para maio deste ano. A obra busca criar uma conexão emocional com os lugares visitados, mostrando como a história negra moldou o Brasil. O projeto não se limita ao digital. Ela planeja transformar o trabalho em uma exposição fotográfica.
Para a pesquisadora, iniciativas como essa são essenciais para combater o apagamento histórico. Sobre o papel da tecnologia na preservação da memória negra, Talita defende uma visão além do digital: “Aprendi com meu avô que a memória escapa quando não é registrada. Tecnologia, para mim, é qualquer ferramenta que preserve histórias. Pode ser um mapa online, um livro físico, ou até as anotações de receita da minha mãe no caderno. Meu projeto é open source porque conhecimento ancestral deve ser livre. Mas também quero exposições fotográficas, livros impressos. A memória negra precisa existir em todos os formatos, para nunca mais ser apagada” , concluiu.
Localizado na região noroeste do Ceará, o Parque Nacional de Ubajara é mais um dos vários destinos que o Brasil oferece para quem busca ecoturismo e contemplação da natureza. Abrangendo áreas dos municípios de Ubajara, Tianguá e Frecheirinha, a unidade protege um total de 6.299 hectares de uma rica zona de transição entre a Caatinga e a Mata Atlântica.
Criado em 1959, o parque destaca-se pela sua relevância ambiental e por abrigar um dos maiores patrimônios espeleológicos do país, com cavernas, grutas, fendas e outras formações subterrâneas. Situada na Serra da Ibiapaba, a unidade tem como um dos seus grandes atrativos o passeio de teleférico no tradicional bondinho, que oferece uma vista panorâmica da vegetação e dos paredões rochosos.
Para os amantes de caminhadas e de aventura ao ar livre, o parque oferece opções para diversos perfis de visitantes. O público conta com percursos como a Trilha da Samambaia, o Circuito das Cachoeiras, o Mirante do Pendurado e a Trilha Ubajara-Araticum, além da grande travessia do Parque Nacional de Ubajara. A unidade também contempla praticantes de cicloturismo, por meio da Trilha Cara Suja – Bike.
O Parque Nacional de Ubajara também se integra à Trilha Caminhos da Ibiapaba. O itinerário conecta o norte do Piauí à região da Ibiapaba, no Ceará, tendo mais de 300 quilômetros. A rota engloba unidades de conservação, ecossistemas da Caatinga e da Mata Atlântica, bem como sítios históricos e arqueológicos, promovendo a conservação ambiental e o desenvolvimento do turismo sustentável na região.
Toda esta imponência geológica é cercada por uma expressiva riqueza natural. Por isso, o parque é palco de diversos programas de pesquisa, monitoramento e conservação da biodiversidade do bioma Caatinga, servindo de refúgio para a vida silvestre e de espaço para atividades contínuas de educação ambiental e integração comunitária.
Como chegar
A principal porta de entrada para o Parque Nacional de Ubajara é a sede administrativa na cidade de Ubajara, com acesso pela rodovia estadual CE-187 (Rodovia da Confiança). Partindo da capital do estado, Fortaleza, o trajeto rodoviário segue em direção à região da Serra da Ibiapaba.
Por se tratar de uma unidade de conservação sob gestão do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a visita aos seus atrativos segue protocolos operacionais que garantem a segurança dos turistas e a preservação do patrimônio natural.
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