Sair da rotina, colocar o pé na estrada, descobrir novos cenários, sabores e histórias, para muitas pessoas, viajar é sinônimo de lazer, descanso ou aventura.
Mas a verdade é que, além do prazer e da diversão, as viagens também têm um efeito profundo no bem-estar emocional e psicológico. Não é à toa que tantas pessoas relatam voltar de uma viagem mais leves, inspiradas e com uma nova perspectiva sobre a vida.
Longe dos compromissos diários e das pressões constantes, o simples ato de mudar de ambiente pode funcionar como um verdadeiro “reset” mental.
Ao iG Turismo, a psicóloga Tatiane Paula, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental explicou por que o ato de viajar pode ser tão transformador.
“ Viajar nos tira da repetição mental e da rotina rígida que muitas vezes alimentam o estresse e a ansiedade. Quando mudamos de ambiente, permitimos ao nosso cérebro respirar novos estímulos, novas paisagens e até novos significados. É uma pausa que não vem só do descanso físico, mas do acesso a sensações e emoções que, no dia a dia, costumam ficar adormecidas”, afirmou.
Segundo Tatiane, os impactos psicológicos positivos mais comuns em quem tira um tempo para viajar incluem mais leveza emocional, sensação de confiança e uma nova percepção da própria vida.
“No consultório, é comum perceber que, após uma viagem significativa, muitas pessoas retornam mais leves, confiantes e com uma percepção diferente da própria vida. Elas voltam a enxergar possibilidades” , contou.
Ela mesma viveu isso em uma viagem com o filho à neve, entre Argentina e Chile. “Percebi como o tempo de qualidade pode marcar nossa história de forma profunda. Estar ali com ele, brincando na neve, foi um momento de conexão tão genuína que a rotina não permitiria. Foi mais do que uma viagem: foi memória afetiva viva”, relembra.
Limpeza emocional
Oleksandr Pidvalnyi/Pexels
Viajar traz benefícios para a mente
O alívio do estresse é outro benefício frequentemente associado às viagens e tem explicação científica. “Ajuda sim, mas não é um simples ‘desligar’. Na prática, ao mudar o contexto, o cérebro interrompe ciclos automáticos que alimentam o estresse. A pessoa se vê fora dos gatilhos habituais e, muitas vezes, consegue respirar emocionalmente. A viagem funciona como um reset”, explicou a psicóloga.
Em termos neurológicos, viajar também está ligado à liberação de dopamina, conhecida como o “hormônio do prazer” .
“Nosso cérebro responde com liberação de dopamina ao vivenciar algo novo. Emocionalmente, isso se conecta com o nosso senso de realização e de pertencimento ao mundo” , disse Tatiane, que compartilhou uma experiência pessoal para ilustrar essa sensação:
“Me recordo da viagem que fiz sozinha para a Espanha, passando por Madri e Barcelona, no meu aniversário. Foi uma vivência libertadora. Estar em outra cultura, me movimentando por mim mesma, foi um exercício de autonomia, amor próprio e escuta interna”.
“Silêncio ou estímulo?”
Divulgação/Bariloche Turismo
Os turistas também podem praticar esportes radicas
Os efeitos positivos variam de acordo com o tipo de viagem e com o que a pessoa está precisando naquele momento.
“Para quem vive esgotamento mental, descanso e natureza são bálsamos. Já quem se sente estagnado, pode se beneficiar de uma viagem mais desafiadora ou com pitadas de aventura. A chave é escutar o corpo e a mente. O que você está precisando agora: silêncio ou estímulo?”, questiona a especialista.
Ela ainda destaca que a experiência pode funcionar como uma espécie de terapia complementar: “Viajar pode complementar um processo terapêutico, porque expande repertórios, ajuda a romper padrões e até fortalece vínculos afetivos. Mas é importante entender que não é cura por si só, é um recurso a mais”.
“A essência do que a viagem traz pode ser acessada com pequenas mudanças de rota”
Reprodução/freepik
Viajar pode trazer novas experiências, independentemente da idade
Sair da zona de conforto também fortalece a autoestima. “Ao sair da zona de conforto, somos convidados a lidar com imprevistos, tomar decisões sozinhos e explorar partes de nós que estavam apagadas. A autoestima cresce quando nós percebemos capazes de cuidar de nós mesmos em outro lugar, com outra língua, outra cultura” , explicou Tatiane.
“Essa experiência me lembrou que a gente pode ser casa para si mesmo, mesmo longe de tudo que conhece”, completou, referindo-se à sua viagem solo.
E quem não pode viajar no momento? Segundo a psicóloga, o bem-estar pode vir de pequenas mudanças. “A essência do que a viagem traz pode ser acessada com pequenas mudanças de rota. Um novo caminho para o trabalho, um café diferente, uma ida ao parque com o celular no modo avião. O que recarrega emocionalmente não é a distância é a presença”.
Tatiane conclui com uma reflexão: “Seja acompanhada de alguém que amamos ou em uma jornada só nossa, viajar é mais do que trocar de lugar, é acessar novos estados internos. O que transforma não é o destino, mas a coragem de se permitir viver o presente. Porque no fim, a maior viagem sempre será a que nos aproxima da nossa própria essência”.
A posição geográfica privilegiada e o fortalecimento da conectividade aérea vêm impulsionando o turismo internacional no Ceará. Entre janeiro e agosto de 2026, o estado registrou 86.021 chegadas de turistas estrangeiros, crescimento de 23,6% em relação aos 69.623 visitantes que vieram de outros países no mesmo período do ano passado.
Para o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, o desempenho representa mais recursos circulando na economia e novas oportunidades para os trabalhadores e empreendedores do estado. “Esse crescimento mostra que o Ceará está transformando sua força turística em resultado. São mais estrangeiros ocupando hotéis, consumindo nos restaurantes, contratando passeios e comprando do pequeno empreendedor”, afirma o ministro.
Ele também ressaltou que os números podem ser ainda melhores até o final do ano por conta do início da temporada dos ventos – um dos maiores ativos do estado, que transforma o litoral cearense na capital mundial dos esportes náuticos nesse período.
Com ‘ventos perfeitos’, destinos como Cumbuco, Jericoacoara e Preá atraem velejadores do mundo inteiro para a prática de kitesurf e windsurf.
“Esse fenômeno natural impulsiona a economia local, lotando a rede hoteleira, movimentando a gastronomia e gerando emprego e renda para as comunidades costeiras”, complementou Feliciano.
A conectividade aérea é um dos fatores decisivos para esse desempenho. Fortaleza vem se consolidando como uma das principais portas de entrada do Nordeste, impulsionada por ligações diretas como a rota Fortaleza-Lisboa. Na alta temporada, a partir de novembro, a operação passará de três para cinco voos semanais, acrescentando milhares de assentos à oferta entre o Ceará e a Europa.
Atualmente, Portugal e França lideram a emissão de turistas estrangeiros para o Ceará, seguidos por Argentina, Itália, Alemanha e Estados Unidos.
Os dados são do Ministério do Turismo, com base em informações da Polícia Federal, e divulgados em parceria com a Embratur.
O crescimento no Ceará acompanha o bom momento do turismo no país. De janeiro a agosto de 2026, o Brasil recebeu 6.451.257 turistas estrangeiros – mesmo patamar do ano passado, que foi recorde.
Apenas em agosto, entraram no país 576.276 visitantes internacionais, o maior número registrado para o mês desde o início da série histórica, em 2009, e mantendo o patamar de 576 mil visitantes registrados no mesmo período do ano passado.
O país bateu recentemente recorde na movimentação aérea doméstica. De janeiro a julho (último mês divulgado) a Anac contabilizou 59 milhões de passageiros.
Os gastos de turistas internacionais também atingiram o maior valor da história, segundo o Banco Central. Foram R$ 33,6 bilhões de janeiro a julho (último mês divulgado).
Já o turismo corporativo registrou o maior faturamento da história nos sete primeiros meses de 2026: R$ 8,4 bilhões.
Por Natália Moraes Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo
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