A Secretaria de Estado de Justiça iniciou o 7º Curso de Formação Inicial de 38 novos agentes do Sistema Socioeducativo convocados pelo Governo do Estado no mês de maio. As aulas começaram nesta segunda-feira (7.7) e serão conduzidas pela Coordenadoria de Educação e Formação do Sistema Socioeducativo.
Após formados, os novos servidores atuarão nas unidades masculina, feminina e de semiliberdade, em Cuiabá.
Na abertura do curso, o secretário de Estado de Justiça, Vitor Hugo Bruzulato, lembrou da qualidade estrutural que o Sistema Socioeducativo de Mato Grosso alcançou nos últimos anos, a exemplo, dos investimentos do governo que possibilitaram novas unidades nas cidades de Barra do Garças, Rondonópolis e Sinop.
“O Sistema Socioeducativo de Mato Grosso é uma referência nacional e tudo começa aqui, com a capacitação, com a formação continuada. E com profissionalismo alcançamos a eficiência”, destacou o titular da Sejus, acrescentando ainda que a partir da entrada no serviço público, cada profissional recebe uma folha em branco para escrever sua história dentro da instituição.
O diretor da Academia da Polícia Civil, Fausto Freitas, reforçou que reconhecimento alcançado pelo Sistema Socioeducativo ocorreu graças ao empenho dos servidores, que vem trazendo resultados positivos à área.
A secretária adjunta do Sistema Socioeducativo e Políticas sobre Drogas, Lenice Barbosa, pontuou que a formação dos servidores é uma dos pilares da gestão. “Cada servidor que fará a qualificação dos nossos novos agentes foi selecionado para transmitir o melhor da formação socioeducativa e conferir uma qualificação à altura do nosso sistema, o que se refletirá no trabalho diários nas unidades”, disse a adjunta.
Representando a diretoria da Polícia Civil, o diretor de Inteligência da instituição, Juliano Carvalho lembrou a criação da Secretaria de Justiça e a importância da pasta para dar respaldo as ações do sistema de justiça. “Instituições fortes fazem o crescimento e sustentam a gestão e evolução da secretaria, como é o Sistema Socioeducativo”, destacou o delegado.
A abertura do curso contou com a presença dos secretários adjuntos da Sejus: Thiago Damasceno (Corregedor-geral); Augusto Cordeiro (Administração Sistêmica), Daniel Nery (Inteligência) e Hermínia Dantas de Brito (Administração Penitenciária); secretário adjunto de Integração Operacional da Sesp, coronel Fernando Augustinho; diretor-geral adjunto da Politec, Renato Simões; representante da OAB-MT, Patrícia de Carvalho; servidores dos Sistemas Penitenciário e Socioeducativo.
Um resíduo que antes representava um desafio ambiental pode se tornar uma importante solução para a agricultura sustentável. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) estão desenvolvendo fertilizantes organominerais produzidos a partir de cinzas de biomassa vegetal, material gerado principalmente pela queima de madeira em atividades agroindustriais.
A iniciativa busca dar uma nova destinação a um passivo ambiental abundante na região, transformando-o em um produto capaz de melhorar a fertilidade do solo, aumentar a eficiência da adubação e reduzir a dependência de fertilizantes minerais convencionais.
Os fertilizantes estão sendo desenvolvidos nas formas granulada e peletizada, formatos que facilitam o armazenamento, o transporte e a aplicação no campo. Além disso, os estudos apontam que os organominerais proporcionam liberação gradual dos nutrientes, favorecendo o aproveitamento pelas plantas e contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.
A pesquisa é coordenada pela professora doutora Edna Maria Bonfim, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), e integra os projetos “Construção e regulagem de um granulador de disco rotativo na produção de organomineral com cinza vegetal como matéria-prima” e “Tecnologia e processos de produção de fertilizantes organominerais utilizando cinza vegetal como matéria-prima”, ambos financiados pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Fapemat, e com parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Segundo a pesquisadora, o principal objetivo é unir inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento regional.
“Estamos transformando um resíduo agroindustrial em um insumo agrícola de valor agregado. É uma proposta alinhada aos princípios da economia circular, que amplia o acesso a fertilizantes mais sustentáveis e pode beneficiar especialmente os agricultores familiares da região”, destaca Edna Bonfim.
Mais de uma década de pesquisas
A trajetória dessa linha de investigação começou em 2009, por meio do Grupo de Práticas em Água e Solo (GPAS), que desenvolve estudos voltados à recuperação de áreas degradadas e à melhoria da qualidade dos solos.
Ao longo dos anos, os pesquisadores identificaram que a cinza vegetal possui potencial para fornecer nutrientes essenciais às plantas, melhorar características químicas do solo e contribuir para o manejo de nematoides. Os resultados já demonstraram benefícios em diversas culturas agrícolas, incluindo feijão, milho, rúcula, melão e flores ornamentais.
Além dos ganhos agronômicos, os estudos apontam redução na necessidade de fertilizantes minerais tradicionais, diminuindo custos de produção e tornando os sistemas agrícolas mais resilientes.
O aproveitamento da cinza vegetal também representa uma alternativa ambientalmente responsável para um resíduo gerado em grande escala por atividades agroindustriais. Ao ser incorporado à produção de fertilizantes, esse material deixa de representar um potencial risco de contaminação e passa a integrar uma cadeia produtiva de valor.
A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores contribui para a redução do desperdício de recursos, fortalece a economia circular e cria oportunidades para o desenvolvimento de soluções adaptadas às condições produtivas de Mato Grosso.
Reconhecimento científico
De acordo com a coordenadora do projeto, “a relevância dos resultados alcançados já vem sendo reconhecida pela comunidade científica nacional e internacional. As pesquisas geraram publicações em periódicos de elevado impacto, ampliando a visibilidade dos estudos desenvolvidos em Mato Grosso e consolidando o estado como referência em inovação voltada ao reaproveitamento de resíduos e à produção de fertilizantes sustentáveis”.
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