Cuiabá

20 anos da ocupação do Palácio Filinto Müller: a luta dos vereadores de Cuiabá por uma sede própria

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No dia 19 de agosto de 2005, em entrevista ao jornal A Gazeta,o senhor Edgar Curvo, já aos86 anos de idade, afirmou que o episódioocorrido no dia anterior era o exercício de um direito claro e evidente dos vereadores de Cuiabá. Ele referia-se ao movimento dos vereadores naocupação do Palácio Filinto Müller, ex-sede da Assembleia Legislativa.Curvo, que foi servidor, vereador e presidente da Câmara Municipal de Cuiabá (1962-1963), entendia que a lei de doação da praça Moreira Cabral para o Estado, do ano de 1966 (Lei nº 879/66), para a construção da sede da Assembleia Legislativa,perdera a sua finalidade com a transferência dos deputados estaduais para o Centro Político Administrativo. Para ele, a área doadadeveria ser revertida, junto com os seus benefícios (o prédio), para o município de Cuiabá, em especial para a Câmara Municipal.

&nbsp&nbsp&nbsp&nbsp&nbsp&nbsp&nbsp&nbsp&nbsp&nbsp&nbsp Para tratar desse episódio e dos seus desdobramentos ocorridos há exatos 20 anos, nós dedicaremos dois artigos a ele no mês de agosto, dada a quantidade de informações à disposição e a sua importância para a história da Câmara Municipal de Cuiabá. Nesse primeiro artigo, será apresentada a difícil situação do parlamento cuiabano pelo falo de não possuir uma sede própria e adequada para as suas atividades. No segundo artigo, será apresentado o dia a dia dos vereadores na ocupação do Palácio Filinto Müller até a transferência definitiva para a atual sede.&nbspA Câmara Municipal de Cuiabá passou por diversos endereços em seus quase três séculos de história. De acordo com o historiador Carlos Rosa, a primeira sede da câmara ficava nos arredores da atual praça da República, no centro de Cuiabá. Podemos afirmar, certamente, que já no início do século XX a sede ficava napraça Alencastro. Desse local, o legislativo cuiabano passou por imóveis na avenida Isaac Póvoas, na rua Comandante Costa e na avenida Getúlio Vargas, antes de ser transferida para o atual prédio, na praça Moreira Cabral. É certo que a câmara teve outros endereços, visto que, repetitivamente, os vereadores reclamavam dos alugueis atrasados, que não eram pagos em dia pela prefeitura, e os colocavam em risco de serem despejados.

&nbsp&nbsp&nbsp&nbsp&nbsp&nbsp&nbsp&nbsp&nbsp&nbsp&nbsp A ausência de uma sede apropriada para o parlamento municipal esteve por vezes em pauta. Encontramos, principalmente nas décadas de 1960 e 1970, momentos em que o assunto foi levado à pauta.A vereadora Ana Maria do Couto afirmou,em 1964,em uma entrevista ao jornal, que apresentaria ao prefeito municipaluma proposta de emissão de títulos do tesouro municipal para a construção de um prédio novo para a prefeitura e para a câmara municipal (Paço Municipal), que de acordo com ela, era indispensável para o progresso da cidade. Em 1968, o vereador Antônio Ribeiro Leite Filho pediu, em uma sessão, aproveitando a presença do prefeito municipal, providências para a construção de uma sede própria para os dois poderes municipais.&nbspJá no ano de1970, overeadorEvaldo de Barros, então presidente da câmara, reclamou que a câmara já estava com três aluguéis atrasados, correndo o risco de ser despejada, tendo ele próprio que arcar com essa despesa. No mesmo ano, por indicação do vereador Augusto Müller, subscrito pelos demais vereadores, sugeria-se ao prefeito a desapropriação de um terreno na rua Pedro Celestino para a construção do Paço Municipal. Em 1977 foi a vez do vereador Benedito Alves Ferraz apresentarum projeto de lei autorizando a prefeitura a alienar o imóvel localizado na praça Alencastro, nº 49, para que com os fundos arrecadados fosse possível construir a sede da câmara. Todas essas ações acabaram, como sabido, não alcançando o resultado almejado pelos vereadores. Já a prefeitura municipal resolveu a falta de uma sede própria em 1982, ao receber por doação do Estado o Palácio Alencastro(Lei 1.927/82).

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Retornando à década de 1960, encontramos um projeto de lei do ano de 1963 (nº 677/63), semelhante a esse de Benedito Alves Ferraz, de 1977, agorade autoria do executivo municipal, que julgamos no mínimo curioso. No projeto apresentado pelo prefeito Vicente Emílio Vuolo, elesolicitouque a câmara aprovasse a venda, em concorrência pública, do imóvel da praça Alencastro, que abrigava os dois poderes municipais, e ainda, a autorização para contrair um empréstimo de 100 milhões de cruzeiros para a construção de um novo Paço Municipal. Na sua justificativa, a prefeitura alegava que o prédio a ser alienado estava em péssimas condições, que colocava em risco a saúde e integridade física dos servidores e não era ele um imóvel condizente com uma cidade em progresso. Um novo deveria ser construído, pasmem, na praça Moreira Cabral, onde estava o marco do Centro Geodésico da América do Sul. Entretanto, o mesmo prefeito que pretendia construir o novo Paço Municipal na praça Moreira Cabral, sancionou, três anos depois, o projeto de lei que doava a praça ao Estado de Mato Grosso para a construção da nova sede da Assembleia Legislativa. Não sabemos se Emílio Vuolo o fez de boa vontade ou por pressão do poder estadual, representado pelo prestigiado engenheiro Cássio Veiga de Sá. Esse engenheirofoi até à câmara no dia 10 de junho de 1966 para apresentar a maquete da futura sede da Assembleia Legislativa e a do obelisco em uma sessão ordinária. Requereu dos vereadores, para tanto, a doação da praça Moreira Cabral, que de acordo com ele estava abandonada, sendo autorizado por eles no mesmo dia, em sessões extraordinárias.

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O relator do referido projeto de lei de 1963 foi, por coincidência, o senhor Edgar Curvo, o mesmo que esteve ao lado dos vereadores em 2005. Foi,portanto, no ano de 2005, 42 anos depois do projeto que ele relatou, que por fim, a câmara conquistou a praça Moreira Cabral. Esse foi um dos últimos gestos públicos de Edgar Curvo, que disse ao jornal que aquele local era a sua verdadeira casa. Curvo faleceu em 2007 e foi homenageado no mesmo ano pelos vereadores, que deram o seu nome ao corredor dos gabinetes da Mesa Diretora, gravando definitivamente a sua memória no local.

No próximo artigo, que será publicado no dia 18 de agosto, iremos tratar detalhadamente de todo o processo de ocupação do prédio, desde a vigília dos vereadores no gabinete da presidência à primeira sessão na nova sede.

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Danilo Monlevade

Secretaria de Apoio à Cultura

[email protected]

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Fontes de Pesquisa:

Livros Ata nº 11, nº 30 e nº 49 –&nbsp Acervo do Arquivo Geral da Câmara Municipal de Cuiabá.

Leis nº 677/63, nº 879/66 e nº 1.516/77 – Acervo do Arquivo Geral da Câmara Municipal de Cuiabá.

ROSA, Carlos Alberto &amp NAUK, Maria de. A Terra da Conquista: história de Mato Grosso colonial. Cuiabá, 2003.

Jornal O Estado de Mato Grosso, 12/03/1964, Ed. 4.447.

Jornal A Gazeta 19/08/2005, Ed. 5.073.

Fonte: Câmara de Cuiabá – MT

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Cuiabá

Mato Grosso AgroFestival valoriza artistas regionais e músicos ressaltam a qualidade técnica da estrutura 

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A primeira edição do Mato Grosso AgroFestival, promovido pela Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, se consolida como um importante espaço de valorização da cultura e da música regional. Com uma programação que reuniu diferentes estilos musicais, o evento abriu espaço para artistas mato-grossenses mostrarem seu talento em uma estrutura de grande porte, com a mesma qualidade técnica oferecida às atrações nacionais. O evento foi realizado em parceria com o Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel), Instituto Cordemato e Ministério do Esporte, com recursos públicos.

A variedade de estilos também fez a diferença, incluindo gospel, sertanejo, rock e outros. A participação do rock regional foi considerada pelos próprios artistas como uma proposta inovadora, por se tratar de uma iniciativa que amplia a diversidade musical do evento e aproxima o público de um gênero que, segundo os músicos, possui forte influência na formação de artistas de diferentes segmentos, inclusive o sertanejo.

“Preparamos uma coisa um pouquinho diferente, porque no AgroFestival tocamos um Rock’n’Roll. É uma inovação. O rock é uma linguagem acessível para todas as camadas da sociedade. Muita gente não conhece o rock e, quando você se apresenta em um palco com boa qualidade, estrutura e consegue mostrar todo o desempenho que é capaz de oferecer, mesmo as pessoas que não têm muita intimidade com a cena musical roqueira vão perceber que Cuiabá também tem excelentes músicos de rock”, destacou Jean Bass, da banda Power Rock Trio.

Segundo Jean, a maioria dos músicos que estão no palco tocando sertanejo começou estudando rock. “O rock sempre obrigou o músico a se dedicar muito para conseguir executar com qualidade. O rock é onde se forma o músico. O rock é agro, o rock é pop, o rock é tudo. O rock é a fonte da juventude”, afirmou.

Outros artistas regionais também destacaram a importância da iniciativa e do espaço no AgroFestival concedido aos músicos locais. O cantor Fabrício, da dupla Fabrício & Fernando, que integra o grupo Violada Cuiabana, juntamente com vários outros cantores conhecidos nacionalmente, disse que a iniciativa representa um avanço significativo na forma como a música produzida em Mato Grosso é apresentada ao público.

“Eu falo em nome de Fabrício e do Fernando, e do grupo Violada Cuiabana, que é composto por Douglas Cabral, Jonathan & Adam, Fabrício & Fernando, Rafa Barros e Johnny Everson. Nós tivemos um ganho muito grande com o Johnny Everson. O Johnny é um cara experimentado, preparado, que hoje está ocupando uma cadeira muito merecida. Esse olhar de profissionalismo e de respeito aos nossos artistas, que ele tem, é muito importante. Mato Grosso possui uma produção musical diversificada e seus artistas têm conquistado espaço além das fronteiras do Estado e a população está tendo a oportunidade de conhecer ainda mais o trabalho que está sendo feito”, afirmou.

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O cantor fez questão de explicar que é da área do sertanejo, mas que Mato Grosso é um celeiro muito grande de muitos segmentos. “A gente sabe disso. A galera daqui vai para fora e faz bonito. A primeira edição do AgroFestival veio com tudo, valorizando a gente, com esse espaço maravilhoso e essa estrutura, que antigamente não tinha, era muito difícil. O regional usava uma estrutura bem menor, uma estrutura precária, e hoje a gente tem esse espaço de suma importância. Em nome de toda a galera de Mato Grosso, muito obrigado à Prefeitura de Cuiabá, aos organizadores e a todos que estão cobrindo o evento. O artista de Mato Grosso está sendo muito bem representado. Essa é a primeira edição de muitas, o AgroFestival veio para ficar”, ressaltou.

Entre o público estava Marluce Madureira, natural de Montes Claros (MG), agora moradora de Cuiabá, que gostou das apresentações, especialmente da violada sertaneja, e afirmou que voltaria à noite para a programação de encerramento do AgroFestival. “Muito bom, aqui tem um espaço amplo e dá para todo mundo acompanhar. Senti falta do lambadão, apesar da variedade dos shows. Ainda vou voltar para ver Di Paullo & Paulino, atração nacional da noite”, frisou.

Estrutura padrão

O secretário municipal de Cultura, Johnny Everson, destacou que a valorização dos artistas locais faz parte de uma diretriz adotada pela gestão do prefeito Abilio Brunini desde o início do mandato. A proposta, segundo ele, é garantir que os músicos regionais tenham não apenas espaço na programação, mas também condições técnicas adequadas para apresentar seus trabalhos.

“Esse espaço para a música regional, valorizando a nossa música, é um critério que a gestão Abilio Brunini está usando desde que assumiu este mandato. É uma questão fundamental para manter esse intercâmbio, essa troca de conhecimento dos artistas nacionais que vêm se apresentar aqui, mas sempre atendendo a alguns princípios e requisitos”, explicou.

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Entre esses critérios está a garantia de espaço para os artistas regionais, com pagamento de cachê digno e utilização da mesma infraestrutura técnica disponibilizada às atrações de projeção nacional.

“Aqui, nos palcos onde a Prefeitura está envolvida, não tem um artista fazendo uma ‘aberturinha’ improvisada. Tem um artista usando o mesmo equipamento, os mesmos aparatos, seja nos painéis de LED, na iluminação ou na sonorização”, enfatizou Johnny Everson.

O secretário também resgatou a tradição de eventos que historicamente abriram espaço para a música local, citando a tradicional programação realizada no bairro São Cristóvão durante 22 anos.

“Nós preparamos para este domingo, para a tarde deste domingo, como tradicionalmente ocorria no São Cristóvão durante seus 22 anos de acontecimento, de 1991 a 2013, a tarde dos shows dos artistas locais. Artistas locais porque são daqui, porque moram aqui, porque geram emprego, renda e felicidade para o povo daqui. Eles são daqui, mas estão fazendo sucesso no Brasil inteiro”, afirmou.

A festa em questão foi resgatada 10 anos depois e compôs a programação do AgroFestival, com mais de 400 caminhões presentes em um buzinaço coletivo, reunindo grupos em motociata e a cavalgada até o Parque Novo Mato Grosso, onde receberam a bênção do santo padroeiro.

O secretário esclareceu ainda que a divisão entre atrações nacionais e regionais não representa uma diferença de qualidade entre os artistas, mas uma forma de identificação da origem das atrações.

“Quando dividimos na divulgação shows nacionais e depois shows regionais ou shows locais, não é colocando um numa condição superior à condição do outro. É identificando que os regionais cantam tão bem ou, muitas vezes, muito melhor ainda que os nacionais”, explicou.

Além de celebrar o potencial econômico e produtivo do Estado, o Mato Grosso AgroFestival ampliou seu alcance ao reconhecer a cultura como parte essencial da identidade mato-grossense.

A programação da tarde do domingo (9) contou com a apresentação dos cantores Holy Praise, Violada Cuiabana (Douglas Cabral, Jonathan & Adam, Fabrício & Fernando, Rafa Barros e Johnny Everson), Power Rock Trio, Sara & Lívia, Rafa Garcia e Trio Maravilha.

Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

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