Política Nacional

CAS analisa criação de programa nacional de cuidados paliativos

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A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) pode votar nesta quarta-feira (3) projeto que cria um programa nacional de cuidados paliativos para pacientes com doenças graves e progressivas. A reunião está marcada para as 9h e tem nove itens na pauta (veja a lista completa).

O Projeto de Lei (PL) 2.460/2022 foi proposto pela deputada Luisa Canziani (PSD-PR) e recebeu relatório favorável do senador Otto Alencar (PSD-BA). O cuidado paliativo é uma abordagem de assistência para aliviar o sofrimento e melhorar a qualidade de vida do paciente e dos familiares.

A proposição garante acesso aos cuidados paliativos em todos os níveis do sistema de saúde. De acordo com o texto, entre outras ações, os pacientes teriam direito de:

  • receber cuidados integrais adequados à complexidade da situação;
  • obter informações sobre o estado clínico; e
  • participar das decisões sobre os cuidados paliativos.

Medicamentos

Os senadores podem votar ainda o PL 2.158/2023, que permite a venda em supermercados de medicamentos que não exigem prescrição médica. O projeto do senador Efraim Filho (União-PB) recebeu um substitutivo (texto alternativo) do relator, o senador Humberto Costa (PT-PE).

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De acordo com a proposta, o supermercado deve contar com um farmacêutico responsável. Caberia ao profissional orientar o uso dos medicamentos, de forma virtual ou presencial.

Álcool

Outro item na pauta é o PL 2.880/2023, que cria um programa de saúde direcionado a mulheres dependentes de álcool. O projeto do deputado Capitão Alberto Neto (PL-AM) tem relatório favorável da senadora Damares Alves (Republicanos-DF).

De acordo com o texto, os programas devem contar com assistência multiprofissional e interdisciplinar às mulheres usuárias e dependentes de álcool. As ações devem ser desenvolvidas por União, estados, Distrito Federal e municípios.

Câncer

A CAS também pode votar o PL 126/2025, que cria o Marco Regulatório da Vacina e dos Medicamentos de Alto Custo Contra o Câncer. De autoria da senadora Dra. Eudócia (PL-AL), a proposta recebeu relatório favorável do senador Flávio Arns (PSB-PR).

O projeto cria o Fundo Nacional de Pesquisa e Inovação em Oncologia, que deve financiar projetos e estudos sobre o tema. Segundo a proposição, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve estabelecer um processo acelerado para avaliação, aprovação e registro de vacinas e medicamentos de alto custo contra o câncer.

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Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Política Nacional

Comissão aprova proibição de leilão e penhora de espaços culturais tombados

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A Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 66/2026, do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que proíbe a penhora, o leilão e outras formas de expropriação de imóveis indispensáveis à preservação de bens tombados ou de patrimônios culturais imateriais reconhecidos pelo poder público.

A vedação vale sempre que o ato puder:

  • comprometer a continuidade, a integridade ou a autenticidade do bem cultural;
  • alterar o uso do espaço de forma incompatível com sua função cultural; e
  • descaracterizar social, simbólica, econômica ou funcionalmente a prática protegida.

A regra vale para execuções fiscais, trabalhistas, cíveis ou administrativas, contra entes públicos ou privados. O projeto busca proteger o chamado “espaço cultural essencial”, o imóvel público ou privado com função indispensável para a manutenção desses bens tombados.

Se já houver processo judicial ou administrativo de penhora ou leilão sobre um desses bens, o juiz ou a autoridade competente é obrigado a suspender a ação de forma imediata.

A medida pode ser determinada de ofício ou a pedido do Ministério Público, do órgão de proteção ao patrimônio cultural ou de entidade representativa da comunidade envolvida.

A suspensão não impede a apuração da dívida. O projeto determina que sejam priorizadas soluções alternativas, como negociação, parcelamento ou compensação. Qualquer decisão que afaste a suspensão deverá ser expressamente fundamentada, sob pena de nulidade.

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Exceções
O projeto admite exceções à proibição, porém somente se forem cumpridos cumulativamente os seguintes requisitos:

  • parecer técnico favorável do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) ou de órgão cultural competente;
  • estudo de impacto cultural, social e econômico, com participação da comunidade;
  • autorização expressa do Poder Legislativo correspondente — Congresso Nacional, Assembleia Legislativa, Câmara Legislativa ou Câmara Municipal —, conforme o nível de reconhecimento do bem.

O estudo de impacto cultural deverá avaliar a historicidade da prática, os vínculos sociais e identitários com o espaço, a possibilidade real de continuidade em outro local e os impactos sobre trabalho e renda. A ausência de qualquer requisito torna o ato nulo.

Alternativas à expropriação
O poder público deverá priorizar saídas que preservem o espaço cultural, como a renegociação de dívidas, a transferência da gestão do imóvel para associações ou cooperativas da comunidade e a celebração de convênios ou parcerias voltadas à sustentabilidade do bem protegido.

Lindbergh Farias citou a ameaça de leilão do imóvel da Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro — sede do Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, reconhecido por lei federal como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil —, como exemplo do problema que o projeto busca resolver.

Vinicius Loures / Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Situação da BR-393 no trecho entre Jamapará (Sapucaia/RJ) e Volta Redonda/RJ. Dep. Lindbergh Farias (PT-RJ)
Lindbergh citou a ameaça de leilão do imóvel da Feira de São Cristóvão, no Rio

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Para a relatora, deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) o projeto assegura, na prática, a continuidade das manifestações culturais. “A eventual alienação ou descaracterização desses espaços não representa apenas uma mudança de titularidade patrimonial, mas pode implicar a ruptura de vínculos históricos, sociais e simbólicos que sustentam determinadas práticas culturais”, disse.

Sâmia Bomfim afirmou que as alternativas propostas pelo projeto, como a renegociação de dívidas, a gestão compartilhada e a celebração de parcerias, oferecem uma perspectiva equilibrada entre a proteção do patrimônio cultural e a viabilidade econômica dos espaços envolvidos, buscando o diálogo e o consenso.

Próximos passos
A proposta ainda será analisada, em caráter conclusivo, pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.

Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Roberto Seabra

Fonte: Câmara dos Deputados

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