A Polícia Militar de Mato Grosso realizou, na noite desta sexta-feira (5.9), a solenidade alusiva à comemoração dos 190 anos de fundação da instituição e à formatura de promoção de 983 praças e oficiais da corporação. A solenidade ocorreu na Arena Pantanal, em Cuiabá.
Foram promovidos 888 praças, sendo 27 novos subtenentes, 384 primeiros-sargentos, 164 segundos-sargentos, 294 terceiros-sargentos e 19 cabos. Entre os oficiais, foram promovidos 29 segundos-tenentes, vindos do Curso de Formação de Oficiais (CFO), 55 majores e um tenente-coronel.
Também na solenidade, os oficiais Anderson Luiz do Prado, Ernesto Xavier de Lima Junior, Fernando Francisco Turbino dos Santos, Gibson Almeida Costa Junior, Jordan Espíndola dos Santos, Manoel Bugalho Neto, Ricardo de Almeida Mendes, Sara Cristina da Silva Borges, Sávio Pellegrini Monteiro e Waldiley Alencar Taques do Valle Junior foram oficializados como novos coronéis da instituição.
O comandante-geral da Polícia Militar de Mato Grosso, coronel Claudio Fernando Carneiro Tinoco, parabenizou os militares promovidos e agradeceu ao Governo do Estado pela entrega na valorização profissional dos policiais, que possibilitou a aceleração para que a corporação fosse promovida.
“Sentimento de muito alegria de estar nesse momento e também em agradecer ao governador Mauro Mendes por estar desenvolvendo a Polícia Militar, em especial aos seus 190 anos. Ainda mais neste ano, em que tivemos o desenvolvimento das carreiras dos policiais militares, contando com essa promoção, o que também é importante para todas as famílias dos militares e, principalmente, para a sociedade mato-grossense, que recebe como entrega os serviços prestados pela corporação e a sua segurança”, destacou o coronel.
O secretário de Estado de Segurança Pública, Cesar Roveri, enfatizou os investimentos realizados pelo Governo do Estado e a modernização das forças de segurança.
“Desde 2019, o governador Mauro Mendes de cara priorizou a segurança pública e a segurança da população, estamos falando de armamentos, pistola Glock, fuzis, viaturas, coletes. Também investimos em tecnologia, como o Vigia Mais MT, onde estamos com praticamente 14 mil câmeras em 128 municípios. Investimento nos servidores, reformulamos as carreiras da PM, abrimos vagas para promoções, gratificações para cargos de comando, entre outras atitudes que estão dando bons resultados no trabalho e nos índices de criminalidade”, pontuou o secretário.
Presente na solenidade, o governador do Estado de Goiás, Ronaldo Caiado, parabenizou a promoção dos policiais militares nos 190 anos da PMMT, enalteceu a atual gestão do Governo do Estado de Mato Grosso com a valorização das Forças de Segurança, bem como a integração entre os Estados no combate às facções criminosas.
“Fomos os primeiros estados a avançar nessa integração entre as Forças de Segurança, ou seja, eu e o governador Mauro Mendes entendemos que não existe a divisa entre Goiás e Mato Grosso. Temos objetivos em comum que é fortalecer cada vez mais a Segurança Pública, dar melhores condição de combate, com armamentos de ponta e capacitação dos nossos homens e mulheres. Mato Grosso tem sido uma referência no cenário nacional sobre o combate às facções criminosas”, destacou Caiado.
O deputado federal licenciado e secretário-chefe de Estado da Casa Civil, Fábio Garcia, também celebrou a nova graduação dos policiais militares, ressaltando o investimento do Governo do Estado à Segurança Pública de Mato Grosso.
“Não poupamos esforços e nem orçamento para poder entregar a cada policial militar as melhores condições de trabalho para o combate e enfrentamento da criminalidade. O governador Mauro Mendes é exemplo como é governar, administrar e saber o que é prioridade para construir uma sociedade de bem. Só temos agradecer à todos os militares que estão aqui hoje, que se dedicam diariamente para garantir a segurança da população mato-grossense. É uma profissão de coragem e bravura que merece total respeito e admiração”, enfatizou.
“Aqui nós temos orgulho da Polícia Militar, da Segurança Pública e do combate às facções criminosas. A prioridade em todo o Estado é de combater à criminalidade. A gloriosa Polícia Militar merece todo respeito de cada cidadão. O governador Mauro Mendes está fazendo um excelente trabalho junto às Forças de Segurança. Parabéns para cada policial militar. Nós como população reconhecemos esse esforço diário e comprometimento com a farda”, discursou o prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini.
Também estiveram presentes na solenidade, o senador Wellington Fagundes; os deputados federais Coronel Assis e Gisela Simona; os secretários de Estado, David Moura (Cultura, Esporte e Lazer), Laice Souza (Comunicação), Klebson Gomes (Assistência Social e Cidadania); os prefeitos Flávia Moretti (Várzea Grande) e Alexandre Lopes (Campo Verde); a delegada-geral da Polícia Judiciária Civil, Daniela Maidel; o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Flávio Gledson Vieira Bezerra; entre demais autoridades.
A violência contra a mulher não começa com um feminicídio. Ela nasce silenciosa, muitas vezes nos corredores das escolas, nas salas de bate-papo de jogos online, nos comentários anônimos das redes sociais e nos discursos de ódio que se infiltram como verdadeiros “coaches” da masculinidade tóxica.
Para enfrentar essa realidade, a Polícia Judiciária Civil, por meio da Coordenadoria de Polícia Comunitária e dos projetos sociais intensificou palestras nas unidades de ensino, lança um olhar atento e preventivo sobre o fenômeno da intimidação sistemática (bullying), do ciberbullying e da radicalização online em perfis da manosfera e machosfera.
A ação, que integra a campanha de prevenção à violência virtual nas escolas da capital, leva às salas de aula um diálogo franco e desarmado com alunos do ensino fundamental e médio. O objetivo não é apenas punir, mas impedir a formação de novos agressores, desconstruindo a ideia de que “brincadeira de mau gosto” é algo natural ou inofensivo.
“Não é brincadeira”: Investigador alerta para os crimes por trás da tela
Palestrante frequente nas ações da Polícia Civil em Cuiabá, o investigador Ademar Torres de Almeida, tem se dedicado a levar às escolas uma mensagem clara: o bullying e o ciberbullying são violações graves, com consequências jurídicas e emocionais reais. Em suas apresentações, ele utiliza recursos audiovisuais e exposição dialogada para mostrar como apelidos, xingamentos repetitivos, exclusão social e humilhações digitais não se trata de “mera diversão”.
“Precisamos desmontar essa ideia de que colocar apelido ofensivo, isolar o colega ou espalhar um boato é brincadeira. Isso é violência. E quando essa violência ganha as redes ou os chats dos jogos online, ela se multiplica. A Lei nº 14.811/2024 tipificou o cyberbullying como ‘intimidação sistemática virtual’, e os adolescentes precisam saber que responderão por atos infracionais por essas condutas”, alerta o investigador.
Segundo Ademar Torres, um dos pontos mais críticos observados nos diálogos com os jovens é a adesão velada a discursos de ódio contra meninas e mulheres, propagados em comunidades como a manosfera – um ecossistema digital misógino – e seu núcleo mais radical, a machosfera. Termos como Incel, Redpill, Blackpill e MGTOW (Homens Seguindo seu Próprio Caminho) têm sido identificados por pesquisas como mecanismos de radicalização que transformam frustrações em rancor e, em casos extremos, em violência.
“Quando um aluno começa a reproduzir frases de ódio contra as colegas, a defender que ‘mulher merece sofrer’ ou a consumir conteúdos de influenciadores que pregam a dominação masculina, isso é um sinal de alerta. Estamos falando de um processo de radicalização que começa online e pode terminar em violência real. A escola é o lugar ideal para interromper esse ciclo”, explicou o investigador.
Psicóloga reforça: parceria com a Polícia Civil transforma a escola
A atuação da Polícia Civil nas escolas não acontece de forma isolada. No Colégio Tiradentes da Polícia Militar, em Cuiabá, a psicóloga Renata, da equipe psicossocial da unidade, tem acompanhado de perto os resultados das palestras e rodas de conversa promovidas pelos investigadores. Para ela, a presença da Polícia Civil no ambiente escolar é fundamental para desmistificar o tema e dar segurança jurídica e emocional a alunos e educadores.
“A expressão ‘bullying’ é usada para qualificar comportamentos agressivos no ambiente escolar, praticados de forma intencional e repetitiva, deixando a vítima impossibilitada de se defender. Mas, na prática, muitas crianças e adolescentes não sabem identificar quando estão sendo vítimas ou, pior, quando estão sendo agressores. O trabalho da Polícia Civil, com uma linguagem acessível e exemplos concretos, ajuda a desnaturalizar essa violência. Eles explicam desde o bullying físico até o cyberbullying, incluindo a falsificação de fotos, a disseminação de boatos e a violação de intimidade”, detalha a psicóloga.
Renata destaca que um dos maiores ganhos dessa parceria é a prevenção baseada no diálogo e no acolhimento, e não apenas na repressão. “Quando o investigador entra na sala e fala sobre como os jogos online podem se tornar espaços tóxicos, ou como um comentário misógino em uma rede social não é ‘só uma opinião’, os alunos se sentem provocados a refletir. A escola sozinha não dá conta desse fenômeno digital. Precisamos do Estado, da segurança pública, atuando de forma coordenada. A Polícia Civil tem sido essencial nesse sentido”, afirmou.
O coordenador da Polícia Comunitária, delegado Mario Dermeval, ressalta que as ações da Polícia Civil nas escolas de Cuiabá estão amparadas em um robusto arcabouço legal. A Lei Estadual nº 9.724/2012 determina a inclusão de medidas de conscientização e combate ao bullying nos projetos pedagógicos de Mato Grosso. Já a Lei Federal nº 13.185/2015 instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática, e a Lei nº 13.663/2018 alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) para obrigar as escolas a promoverem ações de prevenção à violência e cultura de paz.
De acordo com o material utilizado nas palestras, as formas mais comuns de bullying vão além do físico e incluem o bullying psicológico (amedrontar, perseguir), moral (difamar, caluniar), verbal (insultos, apelidos humilhantes), sexual (assediar), social (isolar, excluir), material (furtar ou destruir pertences) e o virtual ou cyberbullying (humilhações online, invasão de perfis, envio de mensagens ofensivas).
Prevenção como projeto de Estado
Segundo o gerente de Polícia Comunitária, investigador Nilton César Cardoso, as ações da Polícia Civil na capital têm por referência os projetos sociais de prevenção e o Programa Escola Segura que visa a prevenção eficaz aliada a educação transformadora, integrada no território escolar. Ao final das palestras, fica a mensagem central: os algoritmos das redes sociais e os chats dos jogos online não podem ditar o que é certo ou errado. A responsabilidade é coletiva. Como bem sintetizou o Investigador.
Serviço
Escolas públicas e privadas de Cuiabá que desejarem agendar palestras sobre bullying, ciberbullying, prevenção à violência virtual e enfrentamento à radicalização misógina podem entrar em contato com a Polícia Civil. As ações são gratuitas e voltadas a alunos do ensino fundamental e médio.
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