Política Nacional

Após execução de delegado, senadores cobram projetos contra o crime organizado

Publicado

O assassinato do delegado Ruy Ferraz Fontes em uma emboscada em Praia Grande (SP) foi tema de manifestações durante a sessão legislativa desta terça-feira (16). Senadores cobraram a aprovação de leis mais duras contra o crime organizado e também a indicação dos membros de uma CPI com esse fim.

Ruy Ferraz Fontes é ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo. Ele atuava contra a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) e foi executado em emboscada nesta segunda-feira (15), com tiros de fuzil.

— Nada pode ser mais urgente do que resgatar o nosso país do crime organizado, que, ostensivamente, no estado mais rico do país, pratica atos de terrorismo. A ação não era só uma vingança contra aquele servidor, que era reconhecido como um dos delegados com o maior conhecimento sobre a maior facção criminosa do Brasil. Isso é um recado para todo o Estado brasileiro: não se meta com o crime! O crime vai cobrar em algum momento, com a sua vida, com a vida de algum familiar — alertou o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), primeiro a se manifestar.

O senador cobrou a indicação, pelos partidos, dos integrantes da CPI do Crime Organizado, que já teve o requerimento de criação lido, mas ainda não pôde ser instalada pela falta de composição.

— Façam uma reflexão profunda. Não tem cabimento continuarmos de costas para o país. Não tem cabimento deixar de pautar projetos importantes, avançar com pautas que são relevantes, enquanto se pensa só em eleição e em blindagem contra investigação de bandido — disse o senador, em referência à proposta de emenda à Constituição, em análise na Câmara, que exige autorização prévia da Câmara ou do Senado para abertura de processo contra parlamentares.

Leia mais:  Comissão aprova regra que facilita trabalho de aprendizes e PCDs em órgãos públicos

Enfrentamento

 O senador Humberto Costa (PT-PE), que conduzia a sessão, também lamentou a morte do delegado. Ele classificou o crime como “brutal” e disse que tudo indica que um grupo do crime organizado está por trás da execução. Para ele, é preciso enfrentar o crime organizado que se infiltrou em várias áreas.

— O mais importante de tudo é fazermos o enfrentamento ao crime organizado, que hoje está em todos os lugares: no sistema financeiro, no setor de combustíveis, na área do esporte, na área dessas terríveis bets e na política. Eu entendo que o Congresso Nacional, que tem a responsabilidade de produção das leis, deve ser um ator importante para que possamos enfrentar esse grave problema — disse o senador.

O senador Sergio Moro (União-PR) lembrou de projeto apresentado por ele que tipifica os crimes de obstrução e conspiração para impedir o combate ao crime organizado (PL 1.307/2023). O texto também garante proteção a juízes e membros do Ministério Público aposentados e familiares ameaçados por organizações criminosas, e também aos policiais e seus familiares.

— O correto é que continue sendo prestado esse serviço de proteção, afinal de contas eles se colocaram na condição de risco por conta do combate ao crime organizado. Mas nós precisamos ter uma base legal clara — defendeu o senador.

Leia mais:  Primeira sugestão legislativa de 2026 chega à CDH

O projeto já foi aprovado pelo Senado a aguarda votação na Câmara dos deputados.

Número de policiais

Para a senadora Zenaide Maia (PSD-RN), é importante o Congresso Nacional endurecer as leis. Ela também defendeu aumento do efetivo de policiais e lamentou a morte de Ruy Ferraz.

— Na hora em que estamos cobrando aqui mais segurança para todos, devemos lembrar que precisamos, sim, aumentar os recursos para a segurança pública, que passa por aumentar o número de policiais. Sabemos que neste país não existe um número suficiente — afirmou.

A senadora Margareth Buzetti (PSD-MT) também lamentou a morte do delegado e lembrou que, entre os suspeitos presos até agora, está um homem com histórico de passagens pela polícia. Para ela, o Congresso precisa fazer sua parte.

— É lamentável que o nosso Congresso não faça nada. Eu tenho projeto na área de segurança que trata só do crime organizado e está parado na Comissão de Segurança Pública esperando o relatório há mais de um ano — disse a senadora, em referência ao PL 839/2024, que fala sobre penas para líderes de organizações criminosas.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

Comentários Facebook
publicidade

Política Nacional

Sancionada lei que autoriza o BNDES a criar subsidiárias

Publicado

Foi sancionada pela Presidência da República a Lei 15.501, de 2026, que autoriza o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a constituir novas subsidiárias para ampliar sua capacidade de atuação. Pela norma, o BNDES — que já conta com subsidiárias, como o BNDESPar, que atua no mercado de capitais, e a Finame, de financiamento à indústria — poderá criar outras para complementar sua atuação, desde que obedeça às determinações da Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar 101, de 2000).

A norma foi sancionada com veto à criação do Fundo de Crédito à Exportação (FCE), que, para o Poder Executivo, já tem seus objetivos alcançados por outras políticas públicas. Dos 13 dispositivos do texto enviado à sanção pelo Congresso, dez se referiam ao novo fundo para exportadores e foram vetados.

Publicada nesta quinta-feira (10) no Diário Oficial da União (DOU), a lei tem origem no PL 5.961/2025, do então senador Fernando Farias (MDB-AL). O projeto foi aprovado com relatório favorável do senador Esperidião Amin (PP-SC), antes de seguir para a Câmara dos Deputados.

Leia mais:  Comissão aprova regra que facilita trabalho de aprendizes e PCDs em órgãos públicos

Vetos

Os dispositivos vetados criariam o FCE para direcionar aos exportadores recursos para capital de giro, aquisição de máquinas e projetos de investimento. O fundo, com regras de funcionamento e gestão, seria usado para financiar operações de pré e pós-embarque e apoiar a modernização de empresas exportadoras. Segundo a Presidência da República, em que pese a boa intenção da proposta, o texto contraria o interesse público por criar um fundo de natureza contábil e financeira sem demonstrar que seus objetivos não poderiam ser alcançados por instrumentos de apoio à exportação já existentes.

O governo apontou ainda que a criação do fundo este ano contraria a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, que não permite a criação, no exercício financeiro, de fundos para financiar políticas públicas. Também considerou inconstitucional a criação de um comitê gestor para administrar o fundo por iniciativa parlamentar. A mensagem de veto ressalta que cabe ao Poder Executivo propor mudanças na organização e no funcionamento da administração pública federal.

Outro dispositivo vetado previa alterações nas regras de compartilhamento de riscos entre fundos garantidores. De acordo com a mensagem de veto, as mesmas mudanças já haviam sido incluídas na Lei 15.473, de 2026. Para o governo, a repetição poderia gerar redundância normativa e insegurança quanto à redação vigente.

Leia mais:  COP30: Redução de emissões de metano é crucial e urgente para limitar aquecimento global

Os vetos presidenciais serão analisados pelo Congresso Nacional em data ainda a ser definida. 

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana