Agro News

Parlamentares não querem tributo a títulos do agro e avaliam alternativas para manter crédito

Publicado

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) reafirmou nesta semana sua posição contrária à tributação do Imposto de Renda sobre rendimentos de aplicações em títulos do agronegócio, prevista na Medida Provisória (MP) 1.303/2025, que pode começar a ser votada na próxima semana na Câmara. Mesmo com a resistência, líderes do setor admitem que a negociação de alternativas será inevitável caso o texto avance.

Entre as possibilidades em discussão está a fixação, por lei, de um percentual maior de recursos que os bancos são obrigados a destinar ao financiamento agropecuário a partir da emissão das Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs). Atualmente, a regra é definida anualmente pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para a safra 2025/26, o índice foi elevado de 50% para 60% – dois anos atrás, era de apenas 35%.

Segundo o deputado Pedro Lupion, presidente da FPA, a alternativa em debate é elevar o índice para uma faixa entre 65% e 80%. “A questão do direcionamento da exigibilidade temos falado há muito tempo, mas tomando cuidado para que não perca atratividade como título de investimento”, afirmou.

O potencial de impacto é significativo. Em agosto, o estoque de LCAs somava R$ 608,8 bilhões, de acordo com o Boletim de Finanças Privadas do Agronegócio, do Ministério da Agricultura. Com a exigência atual de 60%, ao menos R$ 365,3 bilhões precisam ser reaplicados em crédito para o setor. Caso o percentual seja elevado para 65% ou 80%, os recursos disponíveis poderiam variar de R$ 395,7 bilhões a R$ 487 bilhões.

A MP 1.303/2025 prevê a taxação de 5% sobre os rendimentos de investidores pessoas físicas em LCAs, Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e nos Fundos de Investimentos em Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros). A proposta tem gerado forte reação do setor, que teme perda de atratividade desses papéis e, consequentemente, maior dificuldade de financiamento para a produção.

Leia mais:  Recuo da demanda chinesa por carne bovina deve ampliar capacidade ociosa dos frigoríficos em 2026

“Estamos tomando muito cuidado em relação a isso e buscando alternativas para diminuir o impacto de uma possível tributação”, disse Lupion. Segundo ele, a FPA apresentou ao governo uma lista de mais de dez pontos que poderiam ser ajustados pela Receita Federal e pelo Ministério da Fazenda para reduzir os efeitos negativos sobre o crédito rural.

Outro ponto sensível é a segurança jurídica dos Fiagros, instrumento que tem crescido no mercado como alternativa de capitalização para o campo. O senador Eduardo Braga incluiu em seu relatório do Projeto de Lei Complementar (PLP) 108/2025, que regulamenta a reforma tributária, um dispositivo garantindo que não haverá incidência de IBS ou CBS sobre os Fiagros. “Estamos comemorando como uma vitória do setor produtivo”, disse Jardim. O texto ainda será votado no Senado e depois voltará à Câmara.

Isan Rezende (foto), presidente da Federação dos Engenheiros Agrônomos do Estado de Mato Grosso (Feagro) e do Instituto do Agronegócio (IA), a proposta de tributar em 5% os rendimentos das LCAs e de outros títulos do agro é um tiro no pé. “Esses papéis se consolidaram como a principal fonte de crédito privado para o produtor rural, justamente porque atraem o investidor pessoa física. Se perderem atratividade, quem sofre na ponta é o produtor, que vai ter menos recursos disponíveis para financiar sua atividade. Em um setor que já lida com custos crescentes e margens apertadas, isso pode comprometer investimentos e a própria competitividade do Brasil no mercado internacional”.

Leia mais:  Bolsas asiáticas recuam com pressão sobre ações de defesa na China

“Entendemos que o governo precise de arrecadação, mas não pode ser às custas de quem garante alimento e divisas para o país. O que defendemos é que, se a tributação avançar, sejam criados mecanismos de compensação que assegurem a manutenção do fluxo de crédito. A proposta de elevar o percentual de direcionamento das LCAs para o agro, fixando em lei uma faixa de 65% a 80%, pode ser um caminho. Isso garante que, independentemente da tributação, o dinheiro continue chegando ao campo”, comentou Isan.

“O agro brasileiro precisa de previsibilidade. Não podemos todo ano ficar reféns de decisões pontuais do Conselho Monetário Nacional sobre exigibilidade de crédito. O ideal é que tenhamos regras claras e estáveis, que deem segurança para o produtor planejar. É isso que defendemos: menos instabilidade regulatória e mais foco em políticas que incentivem investimento produtivo. No fim das contas, o que está em jogo não é só o interesse do produtor, mas a capacidade do Brasil de seguir sendo um dos maiores fornecedores de alimentos do mundo”, completou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
publicidade

Agro News

Fenasul Expoleite 2026 abre inscrições para búfalos e projeta crescimento da participação de criadores

Publicado

Inscrições abertas para participação de búfalos na Fenasul Expoleite

Estão abertas as inscrições para a participação de búfalos na Fenasul Expoleite 2026, que será realizada entre os dias 13 e 17 de maio, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS). O prazo para inscrição segue até o dia 28 de abril e deve ser realizado junto à Associação Gaúcha de Criadores de Búfalos (Ascribu).

A expectativa da organização é ampliar o número de criadores participantes em relação à edição anterior, fortalecendo a presença da bubalinocultura dentro da feira.

Preparação nas propriedades impulsiona registros genealógicos

O movimento de preparação para o evento já está em andamento nas propriedades rurais. Produtores têm intensificado os registros genealógicos dos animais, etapa essencial para viabilizar a participação na exposição.

Esse processo permite a inclusão dos búfalos no controle produtivo, além de habilitar os animais para avaliações técnicas durante a programação da feira.

Crescimento da atividade é destaque nesta edição

De acordo com a presidente da Ascribu, Desireé Möller, a procura neste ciclo já demonstra um cenário de expansão da atividade dentro do evento.

Leia mais:  Vinícola Góes prevê safra de excelência para a Vindima 2026 e lança programação especial para celebrar a colheita em São Roque

Segundo a dirigente, o volume de animais em processo de registro tem chamado atenção, com ações realizadas em propriedades do interior e previsão de novos registros, incluindo animais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com foco especial na produção leiteira.

Controle produtivo fortalece qualidade dos rebanhos

O avanço nos registros genealógicos contribui diretamente para a qualificação da participação dos animais na feira. A partir desses dados, é possível acompanhar indicadores importantes, como ganho de peso e desempenho na produção de leite.

Essas informações auxiliam os produtores na tomada de decisão e favorecem a evolução genética e produtiva dos rebanhos.

Feira amplia visibilidade da bubalinocultura

Além do aspecto técnico, a participação na Fenasul Expoleite também representa uma oportunidade de ampliar a visibilidade da atividade no campo.

A criação de búfalos é apresentada como uma alternativa viável para diversificação da produção rural, podendo ser adotada tanto como atividade principal quanto complementar, especialmente na produção de leite.

Evento integra calendário agropecuário do Rio Grande do Sul

A Fenasul Expoleite reúne diferentes cadeias da pecuária e faz parte do calendário oficial do setor agropecuário do Rio Grande do Sul. A programação inclui atividades técnicas, julgamentos e ações voltadas à produção leiteira.

Leia mais:  União Europeia aprova pré-listing para gelatina e colágeno do Brasil

A entrada para o público é gratuita durante todos os dias do evento, reforçando o objetivo de aproximar produtores, técnicos e a sociedade do setor produtivo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana