Na manhã desta sexta-feira (26), a Escola Estadual Eliane Digigov Santana, em Cuiabá, foi palco do encerramento do Projeto Escolhas da Vida, iniciativa do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) que tem apoio da Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT). Ações foram realizadas durante todo o mês de setembro com objetivo de criar espaço para que estudantes de escolas públicas falassem sobre seus dilemas, dúvidas e emoções de forma leve e reflexiva.
Escolas que aderiram ao projeto realizam durante todo o dia a aplicação do jogo com seus estudantes. Para isso, a Seduc fez a distribuição de 3.700 kits de baralhos para os 508 grêmios estudantis da rede estadual. Segundo a Seduc, os líderes dos grêmios atuaram como protagonistas e mediadores nas rodadas de debate.
O projeto teve como eixo principal o jogo de cartas “Escolhas do Bem”, voltado a jovens de 16 a 18 anos. Mais do que uma brincadeira, a ferramenta foi pensada para provocar conversas sobre situações que fazem parte da rotina dos adolescentes, como a pressão social, o impacto das redes digitais e os desafios emocionais que surgem nessa fase da vida.
O vice-governador Otaviano Pivetta definiu a Escola Estadual Eliane Digigov como um porto seguro para os jovens. Ele lembrou que o Governo do Estado reformou a unidade e construiu a piscina semiolímpica e a quadra de areia. “Fico feliz em ver a escola totalmente atrativa e porto seguro não apenas para os estudantes, mas para todo a sociedade”.
O desembargador Orlando de Almeida Perri, supervisor do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Penitenciário e Socioeducativo de Mato Grosso (GMF/MT), observou que a semente foi plantada. “Sabemos que os frutos não virão a curto prazo. Hoje estamos dialogando com esses alunos para que sejam multiplicadores desse projeto. Logo mais, vão perceber que o Escolhas da Vida vai impactar para o bem na rotina deles”.
De acordo com o secretário de Estado de Educação, Alan Porto, a proposta do projeto é transformar o ambiente escolar em um espaço ainda mais acolhedor e participativo.
“Queremos que cada jovem perceba que suas escolhas têm poder e que refletir sobre elas pode mudar trajetórias. A escola não é só lugar de aprender português e matemática, é também onde aprendemos a lidar com a vida, com os sentimentos e com os outros”, afirmou.
Matheus Oliveira da Silva, coordenador do projeto de fortalecimento dos grêmios estudantis da Seduc, avalia que quando o grêmio se envolve em ações como esta, ele deixa de ser apenas um espaço de representação formal e passa a ser um motor de transformação no dia a dia escolar.
“A participação ativa no Projeto Escolhas da Vida é uma prática real de protagonismo estudantil. Assumindo a frente de atividades como essa, eles deixam de ser apenas receptores de ações e passam a ser coprodutores da escola que desejam viver”, completou Matheus.
Para o estudante Davi Ferreira, 15 anos, do 1º ano do ensino médio, a responsabilidade de contribuir com a divulgação e implantação do projeto é um incentivo.
“A gente vai ajudar a conduzir as conversas. É legal saber que a Seduc confia em nós para puxar esse diálogo, porque quem entende o que sentimos no dia a dia somos nós mesmos”, disse.
A Escola Estadual Indígena Tapurá Irantxe, localizada no município de Brasnorte, tem promovido a integração entre educação, esporte e valorização cultural por meio do Projeto Tamukan. A iniciativa utiliza o jiu-jitsu como ferramenta de formação para estudantes, profissionais da educação e membros da comunidade do povo Manoki.
Desenvolvido no ambiente escolar, o projeto busca incentivar hábitos saudáveis, fortalecer a saúde física e mental, promover a defesa pessoal e contribuir para a prevenção da violência. A iniciativa também reforça a valorização da identidade cultural indígena, ampliando as oportunidades de desenvolvimento para crianças e jovens da comunidade.
Reconhecida como a primeira equipe indígena de jiu-jitsu de Mato Grosso, o Projeto Tamukan tem se consolidado como um espaço de aprendizagem, disciplina e fortalecimento do protagonismo juvenil. As atividades são realizadas sob orientação técnica do professor Felipe Tamuxi e contam com o apoio da gestão escolar.
De acordo com o diretor da unidade, Edivaldo Mampuche, o projeto nasceu da necessidade de oferecer aos jovens uma oportunidade de crescimento na própria comunidade. Ele destaca que, desde o início, a escola busca unir esporte, educação e cultura, fortalecendo valores como disciplina, responsabilidade e respeito, sem perder a conexão com as tradições do povo Manoki.
“Nosso objetivo, ao implantar o projeto, foi oferecer aos estudantes uma oportunidade de prática esportiva na comunidade, evitando deslocamentos e garantindo mais segurança para eles. Ao mesmo tempo, buscamos construir uma iniciativa que fortalecesse a disciplina, o compromisso com os estudos e a participação dos jovens nas atividades culturais e comunitárias”, disse.
Ainda segundo ele, “o jiu-jitsu tem se mostrado uma importante ferramenta de formação, contribuindo para o fortalecimento da identidade do povo Manoki e para o desenvolvimento dos estudantes”, completou o diretor.
Os resultados obtidos pelos atletas em competições esportivas refletem o trabalho desenvolvido ao longo do ano. Na etapa Norte do Campeonato Mato-grossense de Jiu-jitsu 2026, realizada na última semana, entre os dias 30 e 31 de maio, em Sorriso, a equipe conquistou sete medalhas: uma de ouro, uma de prata e cinco de bronze.
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