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Ministro Fávaro defende integração e diálogo entre países das Américas para fortalecer a agropecuária

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Iniciou, nesta segunda-feira (3), a Conferência de Ministros da Agricultura das Américas 2025, promovida pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), com apoio do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), tendo o Brasil como país anfitrião. A abertura ocorreu no Palácio do Itamaraty, com a participação do ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, e do diretor-geral do IICA, Manuel Otero.

“É com orgulho e entusiasmo que o Brasil sedia, mais uma vez, este evento. Trata-se de uma oportunidade ímpar para que os Ministros das Américas se encontrem, compartilhem experiências e construam, juntos, caminhos para o futuro da agropecuária em nossos países”, destacou Fávaro.

O evento reune ministros e líderes do setor agropecuário de 34 países membros do IICA para discutir temas centrais que impactam o presente e o futuro da agricultura e da segurança alimentar no continente. A conferência tem foco especial no papel da ciência, tecnologia e inovação na transformação produtiva. Também aborda o papel estratégico da agricultura na integração regional e global, bem como sua importância econômica e social para os países das Américas. O controle de pragas e doenças transfronteiriças, outro ponto sensível para a sustentabilidade do setor, também estará na pauta dos debates.

“Agradeço ao ministro Carlos Fávaro e ao ministro Mauro Vieira por fortalecerem esse trabalho conjunto, abrindo as portas para dois dias de deliberações que nos permitirão avançar ainda mais no reconhecimento que a agricultura e nossos agricultores merecem”, ressaltou Manuel Otero.

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Já Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores, ressaltou que “a agricultura é um dos pilares do crescimento econômico e do desenvolvimento social do Brasil. É também uma das prioridades da nossa política externa”. “Temos plena convicção de que esta conferência representa uma oportunidade para estreitarmos os laços do continente americano e criarmos condições para uma cooperação cada vez mais sólida, voltada ao desenvolvimento econômico e social dos nossos países e à geração de emprego e renda no campo”, completou.

Simultaneamente, ocorrerá a reunião da Junta Interamericana de Agricultura (JIA), que se reúne a cada dois anos. Na ocasião, será eleito o novo diretor-geral do IICA para o período 2026-2030.

“O IICA tem promovido o desenvolvimento agrícola e o bem-estar rural, impulsionando a segurança alimentar regional e global, sempre com foco na sustentabilidade e na resiliência – marcas da agricultura dos povos das Américas”, disse Fávaro sobre o IICA. “Tenho certeza de que todos aqui compartilham da convicção de que o IICA é um dos pilares fundamentais para a modernização e o fortalecimento do setor agropecuário nas Américas”, pontuou o ministro.

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Também participaram da abertura o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira; o presidente da JIA e ministro da Pecuária, Agricultura e Pesca do Uruguai, Luis Alfredo Silveira; o secretário-Executivo adjunto do Mapa, Cleber Soares; o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luis Rua; o secretário de Política Agrícola do Mapa, Guilherme Campos; e a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá.

O EVENTO

Entre os dias 4 e 5 de novembro, a Conferência de Ministros da Agricultura das Américas 2025 será realizada no Hotel Royal Tulip, em Brasília (DF), e contará com palestras de convidados especiais, além da realização de fóruns com especialistas em agropecuária e a participação de representantes do setor privado e de organizações ligadas ao agronegócio.

Entre os palestrantes confirmados estão nomes de destaque como a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá; o cientista e líder da iniciativa Solos Vivos nas Américas, e uma das maiores autoridades em ciências do solo no mundo, Rattan Lal; o ex-ministro da Agricultura e Enviado Especial para a Agricultura na COP30, Roberto Rodrigues; entre outros.

Durante a conferência, será realizada a eleição do novo diretor-geral do IICA para o mandato 2026-2030, que tomará posse em janeiro do próximo ano.

Informações à imprensa
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Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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Safra recorde já não basta para garantir rentabilidade ao produtor

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A perspectiva de uma nova safra recorde encontra o produtor brasileiro diante de um desafio que cresce na mesma proporção da produção: financiar uma atividade mais tecnológica, mecanizada e intensiva em capital, num ambiente de juros elevados, margens menores e bancos mais seletivos. O avanço do crédito privado amplia as alternativas disponíveis, mas também exige profissionalização da gestão e uma análise mais rigorosa sobre o retorno proporcionado pelo patrimônio investido.

Dados do Banco Central (BC), compilados por entidades do setor, mostram que 23,5% da carteira ativa de crédito rural apresentava algum nível de problema em julho de 2026. Eram R$ 207,5 bilhões em operações inadimplentes, atrasadas, renegociadas ou prorrogadas. O indicador não representa apenas parcelas vencidas, mas revela o aumento do estresse financeiro acumulado depois de safras afetadas pelo clima, custos elevados e preços menos favoráveis.

Ao mesmo tempo, o financiamento bancário tradicional perdeu força. Em 12 meses, o volume de crédito rural concedido sem considerar instrumentos do mercado de capitais recuou 12%, para R$ 181,1 bilhões. A área atendida pelas linhas convencionais de custeio caiu quase 26%, de 34,2 milhões para 25,4 milhões de hectares.

Esse espaço vem sendo ocupado gradualmente por cooperativas, tradings, fornecedores de insumos, fundos de investimento e emissões no mercado de capitais. O estoque dos instrumentos privados de financiamento do agronegócio alcançou R$ 1,34 trilhão em julho, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Somente as Cédulas de Produto Rural (CPRs) somavam R$ 580,8 bilhões, distribuídos em aproximadamente 372 mil títulos.

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), a diversificação das fontes de recursos é necessária, mas não pode ser confundida com crédito fácil ou capacidade ilimitada de endividamento.

“O crédito privado será cada vez mais importante para complementar o Plano Safra e o financiamento bancário. O produtor, porém, precisa avaliar o custo efetivo, o prazo, as garantias exigidas e a compatibilidade das parcelas com o fluxo de caixa da propriedade. Trocar uma dívida por outra mais cara, sem corrigir a origem do desequilíbrio, apenas transfere o problema para a safra seguinte”, afirma.

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A necessidade de capital aumentou com a transformação da agropecuária brasileira. Produzir em escala passou a exigir máquinas de maior capacidade, agricultura de precisão, armazenagem, irrigação, conectividade, sistemas de gestão, insumos tecnológicos e equipes especializadas. A valorização das terras também elevou o volume de patrimônio imobilizado nas operações.

Essa evolução permitiu ganhos de produtividade e consolidou o Brasil entre os maiores fornecedores mundiais de alimentos, fibras e energia. Mas também tornou as propriedades mais sensíveis ao custo do dinheiro. Quando os juros aumentam e as margens recuam, uma atividade pode apresentar lucro contábil e, ainda assim, não remunerar adequadamente todo o capital empregado.

É nesse ponto que ganha importância o conceito de Valor Econômico Agregado, conhecido pela sigla EVA. O indicador calcula o resultado operacional do negócio depois de descontado o custo de todo o capital utilizado, inclusive recursos próprios, terras quitadas, máquinas e demais ativos.

Uma propriedade pode encerrar o ciclo com resultado positivo no balanço, mas destruir valor se o retorno obtido ficar abaixo do que aquele patrimônio poderia render em uma alternativa de menor risco. A terra própria, por exemplo, não deixa de ter custo econômico porque está quitada. Ela representa capital que poderia ser arrendado, vendido ou aplicado em outro investimento.

“O produtor sempre acompanhou produtividade, custo por hectare e preço de venda. Esses indicadores continuam fundamentais, mas já não são suficientes para medir a saúde econômica do negócio. Também é necessário saber se o resultado remunera a terra, as máquinas, o capital de giro e o risco assumido durante a safra”, diz Rezende.

A aplicação dessa análise não significa abandonar investimentos ou reduzir a produção. O objetivo é identificar quais atividades, áreas e estruturas realmente geram retorno. A avaliação pode mostrar que determinado talhão produz bem, mas possui custo elevado; que uma máquina permanece ociosa; ou que o arrendamento oferece resultado melhor do que a compra de terras financiada.

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O mesmo raciocínio vale para a contratação de crédito. Recursos obtidos a juros superiores ao retorno esperado pela atividade diminuem o valor econômico da propriedade, mesmo quando ajudam a ampliar o faturamento. Por isso, crescimento de receita, aumento de área e recorde de produção não significam necessariamente fortalecimento financeiro.

A busca por recursos privados também coloca a governança no centro das negociações. Instituições financeiras e investidores analisam demonstrações contábeis, histórico de produção, previsibilidade de caixa, endividamento, garantias, regularidade ambiental e fundiária, contratos e capacidade de gestão. Quanto maior a qualidade dessas informações, maior tende a ser a possibilidade de acessar diferentes fontes e negociar condições melhores.

“Governança deixou de ser uma preocupação exclusiva das grandes empresas. O produtor que conhece seus números, separa as contas da família e da propriedade, mantém documentos regulares e apresenta informações confiáveis reduz a percepção de risco. Isso melhora sua posição diante dos financiadores e permite comparar propostas sem decidir apenas pela disponibilidade imediata do dinheiro”, acrescenta Rezende.

O modelo de financiamento do agronegócio tende a permanecer híbrido. Crédito rural, recursos obrigatórios, cooperativas, tradings, fornecedores, fundos e mercado de capitais continuarão convivendo, cada um com custos, prazos e riscos diferentes. O desafio será combinar essas fontes sem comprometer parcelas excessivas da produção futura ou oferecer garantias incompatíveis com o valor da operação.

A safra recorde continua sendo uma demonstração da capacidade produtiva brasileira. Para que esse desempenho se transforme em renda, entretanto, o produtor precisará acompanhar não apenas quantas toneladas colhe, mas quanto valor permanece depois de remunerados todos os recursos utilizados. Em uma agricultura intensiva em capital, produzir mais é importante; produzir com retorno econômico tornou-se decisivo.

Fonte: Pensar Agro

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