O Instituto de Pesos e Medidas de Mato Grosso (Ipem-MT) está reforçando as ações de fiscalização no setor agrícola com o uso do novo laboratório móvel para verificação de medidores de umidade de grãos. O veículo representa um avanço na atuação técnica do Instituto, órgão vinculado à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec).
A van permite que os ensaios metrológicos, antes restritos ao laboratório da sede do Ipem-MT, sejam realizados de forma itinerante, aproximando o serviço das principais regiões produtoras do Estado. A medição correta da umidade da soja é um fator essencial para determinar o peso e a qualidade do produto, assegurando negociações mais justas e evitando prejuízos tanto para produtores quanto para os compradores.
A primeira participação do laboratório móvel ocorreu durante o evento Armazena Nortão, em Sorriso, onde foi apresentado oficialmente ao público, no dia 03 de novembro. A unidade móvel já percorreu diversos municípios, como Sorriso, Sinop, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Ipiranga do Norte, Boa Esperança e Nova Ubiratã.
De acordo com o coordenador da Agência do Distrito Industrial (Carga Perigosa) do Ipem-MT, Tony Hudson Pinheiro Ramos, a iniciativa reforça o compromisso do Instituto em promover inovação e atender com qualidade as demandas do setor produtivo mato-grossense.
“Com a van-laboratório, conseguimos levar nossos serviços a diferentes regiões do estado, oferecendo maior suporte técnico aos produtores e fortalecendo o controle metrológico no campo”, destacou.
O edital “Inventários de Patrimônio Imaterial de Mato Grosso – edição Política Nacional Aldir Blanc (Pnab”, promovido pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), está viabilizando a documentação dos saberes seculares das redeiras de Limpo Grande, em Várzea Grande.
Realizado pela Associação Tece Arte, o projeto vai, pela primeira vez, transformar o “saber-fazer” das artesãs locais em um acervo documental definitivo. O objetivo é transformar esse “segredo de família” em um guia de consulta digital para pesquisadores, estudantes e entusiastas da arte popular de todo o mundo.
“Não estamos registrando apenas um objeto de decoração, mas uma tecnologia ancestral de resistência feminina. Mais do que fios e nós, o que se produz em Limpo Grande é memória viva “, afirma a coordenadora do projeto, Ester Moreira Almeida.
O Inventário do Patrimônio Imaterial das Redeiras de Limpo Grande utiliza um registro minucioso de imagens e depoimentos para mapear todo o processo — desde a colheita e preparo da matéria-prima até o acabamento dos padrões que deram fama nacional às redes de Várzea Grande. Com lançamento previsto para junho deste ano, o projeto está na fase de entrevistas.
Por décadas, a técnica da tecelagem em Limpo Grande residiu apenas na tradição oral, passada de mãe para filha sob o som ritmado dos teares de madeira. O projeto, agora, mergulha nesse universo para registrar o que antes era invisível: os nomes dos pontos, a simbologia das cores e os relatos de resistência das mulheres que transformaram o artesanato em sustento e voz.
Para Ester, o inventário é um tributo à autonomia das mestras redeiras, preservando a tecelagem como símbolo de orgulho e desenvolvimento social.
“Ao sistematizar esse conhecimento, a Associação Tece Arte, com apoio da Secel, não apenas protege o passado, mas projeta o futuro. O projeto reafirma que, enquanto houver mãos tecendo em Limpo Grande, o patrimônio brasileiro continuará pulsando”, conclui.
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