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Sem cidades, não haverá implementação de medidas climáticas, dizem especialistas

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O modelo de federalismo climático brasileiro voltou à pauta de debates na última quarta-feira (12/11) na COP30, durante o painel “A implementação do Compromisso pelo Federalismo Climático no Brasil”. Promovida pela Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da Presidência da República na Zona Azul, o evento fechou questão em um ponto: não haverá implementação das medidas de combate às mudanças do clima sem participação efetiva de municípios e estados.

Nesse contexto, o ministro das Cidades, Jader Filho, sugeriu que a conferência seja, além da COP da implementação, uma COP das cidades. “Não acredito que seja possível falar em adaptação sem trazer estados e municípios para as decisões. Conhecemos diversas iniciativas, não só no Brasil, capazes de servir como referência de boas práticas. Ou seja, temos que fortalecer o federalismo se quisermos avançar. A COP30 é das florestas, evidentemente. Mas precisa ser também das cidades. Não tem outro caminho”, disse. 

O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, que é presidente do Consórcio Brasil Verde, lembrou a necessidade de monetizar os ativos ambientais para viabilizar uma transição energética justa. “Os estados e municípios têm um papel fundamental na implementação. Mas, até por causa disso, devem ter um papel central também no processo de negociação e nos acordos”, ponderou.

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O secretário nacional de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Aloisio Melo, que representou a ministra Marina Silva, lembrou que o federalismo climático é uma construção permanente. E que, ao apresentar sua nova Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC, na sigla em inglês) em 2024, na COP29 de Baku, no Azerbaijão, o Brasil fez uma formulação clara de que o alcance das metas está baseado na articulação fina entre os entes nacionais. “Apesar disso, temos uma noção clara do quanto isso é desafiador no Brasil”, reconheceu. Não só pela complexidade do país, mas também pelo desafio do financiamento. Muitos municípios, segundo ele, esbarram em exigências incapacitantes para obter recursos financeiros para medidas de adaptação e mitigação.

O representante da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Gustavo Lago, lembrou que o novo arranjo de governança climática do Brasil é fruto de uma retomada. “O protagonismo dos municípios vem desde a Constituição de 1988, mas estruturas como o Conselho da Federação, que é um fórum de debates igualitário e permanente, são recentes”, ponderou. Segundo Lago, agora é preciso transformar essas iniciativas em entregas concretas aos municípios brasileiros. Em outras palavras, “fazer os recursos chegarem onde são de fato necessários”.

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Nesse sentido, a exemplo do secretário Aloisio Melo, Lago defendeu um modelo de financiamento “mais flexível”, que descentralize os recursos e garanta acesso de prefeituras com baixa capacidade de endividamento. 

O painel teve também a participação da deputada federal Tabata Amaral, da Frente Parlamentar pelos Centros Urbanos, do diretor executivo da C40 Cidades, Mark Watts, e da diretora executiva da ONU-Habitat, Anacláudia Rossbach. A mediação foi do enviado especial da COP30 para Cidades, Philip Yang.

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Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

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Gergelim: o novo trunfo do produtor mato-grossense para garantir o lucro

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Mato Grosso, tradicionalmente reconhecido pela hegemonia na produção de soja e milho, diversificou sua matriz produtiva e consolidou o gergelim como uma cultura estratégica para o desenvolvimento econômico estadual. Com uma participação de 73% na produção nacional, o estado deixou de ser um produtor de nicho para se tornar o principal fornecedor do mercado brasileiro, com reflexos diretos na balança comercial.

Dados comparativos entre as safras 2018/19 e a projeção para 2025/26 revelam a velocidade da expansão: a produção estadual cresceu 465%, enquanto a área cultivada avançou 588%. Esse movimento é resultado da adaptação da oleaginosa à janela da safrinha, período em que o gergelim demonstra maior resiliência a condições climáticas adversas em comparação a outras culturas, garantindo estabilidade produtiva.

A escala alcançada por Mato Grosso permitiu a conquista de mercados externos exigentes. Entre 2020 e 2025, o volume de exportações de gergelim teve alta de 600%. A demanda é sustentada principalmente pela China e pela Índia, países que utilizam o grão tanto para o consumo in natura quanto para a extração de óleo e processamento industrial.

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Para o produtor rural, a adoção do gergelim atua como um mecanismo de proteção de receita. A cultura oferece uma alternativa de fluxo de caixa que reduz a dependência exclusiva das oscilações de preços internacionais da soja e do milho, permitindo a manutenção da rentabilidade mesmo em ciclos de retração das commodities principais.

O próximo estágio do setor, segundo analistas, é a elevação do valor agregado. Embora o estado domine o volume exportado, o desafio atual é a industrialização. A transformação do grão em derivados, como óleo e farelos, dentro de Mato Grosso, é vista como o passo necessário para maximizar a captura de margens na cadeia produtiva e encerrar a dependência da exportação da matéria-prima bruta.

Fonte: Pensar Agro

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