A promotora de Justiça Ana Luíza Ávila Peterlini, que atua na defesa do meio ambiente no Ministério Público Estadual (MPE), reconheceu a atuação democrática do Governo de Mato Grosso ao buscar outras entidades e instituições para a construção de políticas públicas na questão ambiental.
A declaração de Ana Peterlini se deu durante o lançamento dos módulos do Sistema Mato-grossense de Cadastro Ambiental Rural (Simcar) Assentamento e Compensação, nesta segunda-feira (17.11), no Palácio Paiaguás.
“Já são mais de dois anos discutindo, quase que semanalmente, as questões jurídicas desses módulos, que não são poucas. Nós não temos no país ainda uma regulamentação tão específica para essas duas temáticas, então nós estamos fazendo uma construção. Quero parabenizar o governo e dizer que essa construção foi feita de forma democrática com várias instituições e entidades do setor público, privado e terceiro setor. Foi uma política construída a várias mãos, que se caracteriza nesse lançamento”, destacou.
O módulo Simcar Assentamento vai permitir uma tramitação mais célere da regularização ambiental de pequenos produtores em assentamentos rurais. Já o Simcar Compensação vai permitir ao produtor rural que tenha em seu imóvel déficit de reserva legal anterior a 2008 realizar a compensação ambiental em outro imóvel.
A promotora Ana Peterlini destacou que, após 13 anos da criação do Código Florestal brasileiro, o Cadastro Ambiental Rural (CAR), que traz um raio-x da malha fundiária do Estado, avançou pouco na regularização com a recuperação ambiental.
Conforme dados da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), são mais de 24,4 mil cadastros de produtores em assentamentos pendentes de análise no Simcar. No total, o Estado tem 147.958 CARs cadastrados no Simcar, sendo que 23,1% (34.166) estão validados em 68 dos 142 municípios mato-grossenses.
“O módulo compensação também vem lançar luz a essa problemática. Isso vai nos permitir que criemos um ‘mercado’ de compensação – quem tem déficit de reserva legal pode compensar com quem tem crédito. E o mais importante é que essa medida vai proporcionar a regularização das nossas unidades de conservação, que é a preferida pelos produtores, já que ela é entregue ao cuidado do Estado de Mato Grosso. Com isso, o governo pode promover a implementação dessas áreas”, apontou Ana Peterlini.
Para a promotora, os módulos vão beneficiar diretamente os pequenos produtores do Estado de Mato Grosso.
“Com os módulos, os pequenos produtores vão, de fato, conseguir sair da irregularidade e ter acesso, por exemplo, a financiamentos e tantas outras oportunidades que a validação do CAR vai lhes proporcionar. Esse é um momento histórico. Como representante do Ministério Público, agradeço ao Estado pelo avanço tão importante para os pequenos produtores”, destacou.
Terminou nesta sexta-feira (12.6) a programação da capacitação para Manejo e Contenção de Animais Silvestres em Eventos Climáticos Extremos promovida pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema). Na última aula prática, os cursistas fizeram o manejo de jacarés na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em meio a uma simulação de eventos de desastre com animais. O objetivo foi demonstrar os desafios enfrentados pela fauna silvestre durante emergências ambientais decorrentes das mudanças climáticas, como estiagem prolongada e incêndios de grandes proporções.
Os profissionais contaram com agentes do Grupo de Resgate Técnico Animal do Pantanal (GRETAP-MS), capacitados em operações de risco, para instruí-los na execução dos aprendizados. As simulações ocorreram em três tardes de aulas de campo. No primeiro dia (10), foram ensinadas as técnicas de contenção, transporte e manutenção em mamíferos e serpentes. Já no segundo (11), foi a vez de grandes animais e aves e, por fim, o manejo de jacarés.
Segundo a médica veterinária e analista ambiental da Sema, Danny Moraes, a capacitação contínua da Sema para os profissionais que vão atuar em ambientes extremos possui relevância para proporcionar uma abordagem técnica de resgate que assegure a sobrevivência da fauna silvestre em ameaça.
“Essa é uma oportunidade ímpar de ampliar a quantidade de pessoas capacitadas para que os animais tenham atendimento da melhor forma possível e, assim, tenham maior chance de sobrevida e de retorno ao ambiente natural”, afirma a veterinária.
Além disso, a atividade é uma oportunidade para trocar experiências com outros profissionais que atuam na linha de frente dos resgates, tanto em municípios de Mato Grosso quanto de outros estados.
Para a médica veterinária do Instituto Urihi, Luciana Guimarães, a importância da capacitação está na segurança adquirida pelo conhecimento teórico e aplicação de maneira responsável. “Tudo o que foi ensinado vai ser de extrema importância caso a gente precise aplicar, pois será agora de uma maneira aprimorada, mais responsável e segura, tanto para a equipe quanto para os animais”.
O coordenador de Fauna e Recursos Pesqueiros, Éder Toledo, destaca que o curso inaugura o plano de atividades do órgão ambiental, desenvolvido anualmente, para atendimentos aos animais silvestres no Estado de Mato Grosso, principalmente voltados às unidades de conservação.
Já as entidades participantes do encontro se tornam equipes que realizarão trabalhos in loco a partir da semana que vem, com o intuito de garantir a conscientização dos moradores de locais comumente atingidos. “Apesar de não termos focos de incêndio ou situações que envolvam animais, já vamos a campo para fazer reconhecimento de área, levantamento da situação e informar as pessoas, primordialmente na região da Transpantaneira e de Barão de Melgaço, além de fazer a distribuição de panfletos com o número de telefone para contato caso haja situações envolvendo animais silvestres naquela área”, relata o coordenador.
A terceira edição do simpósio também promoveu conteúdo programático durante os cinco dias de encontros (de 8 a 12.06), relacionados à gestão do fogo, biossegurança, resgate técnico animal, discussão de casos, estabilização clínica na sobrevivência da fauna silvestre, manejo, contenção, transporte e manutenção de grandes animais.
Na parte prática também foi aplicada uma espécie de simulado integrado, que cria eventos de desastre com animais de grande e pequeno porte, como forma de demonstrar os desafios enfrentados na vida real pela fauna silvestre.
A ação contou com o apoio do Instituto Urihi para Preservação Ambiental, Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV-MT) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis em Mato Grosso (Ibama).
Participaram do evento: servidores da Sema-MT, Grupo de Resgate Técnico Animal Cerrado Pantanal (Gretap-MS), CRMV-MT, Batalhão de Polícia Militar de Proteção Ambiental (BPMPA), Corpo de Bombeiros, Ibama e profissionais autônomos.
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