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Mercado global de açúcar mantém tendência de queda com expectativa de superávit em 2025/26

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O mercado internacional de açúcar segue pressionado, com os preços mantendo trajetória de baixa nas últimas semanas. Segundo análise da Hedgepoint Global Markets, os contratos futuros recuaram para os níveis mais baixos dos últimos cinco anos entre outubro e novembro.

O açúcar bruto com vencimento em março/2026 atingiu 14,04 centavos de dólar por libra-peso, enquanto o açúcar branco para dezembro/2025 foi cotado a US$ 406 por tonelada — menor valor desde dezembro de 2020.

Apesar de uma recuperação modesta registrada após o fim da paralisação do governo dos Estados Unidos, a Hedgepoint avalia que o suporte recente foi apenas temporário e que os fundamentos do mercado permanecem baixistas, diante da expectativa de superávit global na safra 2025/26.

Brasil lidera crescimento da produção e pressiona preços internacionais

De acordo com a analista Laleska Moda, da Hedgepoint, a safra brasileira vem apresentando desempenho melhor que o esperado, principalmente após julho. Embora o ATR (Açúcar Total Recuperável) tenha ficado abaixo da média, a moagem de cana se recuperou e deve alcançar cerca de 605 milhões de toneladas, número levemente inferior ao ciclo 2024/25, mas com produção de açúcar em alta.

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O mix produtivo também permanece em níveis elevados — com recorde na primeira quinzena de agosto — e deve manter a oferta total em torno de 40,9 milhões de toneladas. Segundo Carolina França, analista de mercado da Hedgepoint, mesmo com a paridade favorecendo o etanol, a tendência é de manutenção do foco na produção de açúcar, já que os preços do petróleo recuaram recentemente.

Ela observa, no entanto, que pode haver ajustes pontuais em estados como Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, sem impacto relevante sobre o volume total de produção nacional.

Outros países também ampliam a produção e reforçam cenário de superávit

A Hedgepoint destaca que o Brasil não é o único responsável pelo aumento da oferta global. No Hemisfério Norte, países como Tailândia e Índia devem contribuir para o crescimento do volume disponível no mercado internacional.

Na Tailândia, as condições climáticas favoráveis durante o desenvolvimento da safra sustentam a projeção de produção de cerca de 10 milhões de toneladas, embora analistas sigam monitorando os efeitos do La Niña, que pode alterar o ritmo de colheita.

Já na Índia, as estimativas da ISMA (Indian Sugar Mills Association) apontam produção de 30,95 milhões de toneladas, considerando o redirecionamento de 3,4 milhões de toneladas para a fabricação de etanol. O aumento marginal de 0,4% na área cultivada, aliado às boas condições de chuva e ao alto nível dos reservatórios, sustenta a expectativa de uma safra robusta.

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Além disso, o governo indiano autorizou exportar 1,5 milhão de toneladas no ciclo 2025/26, volume alinhado às projeções da Hedgepoint. Eventuais ajustes, segundo o relatório, dependerão do comportamento dos preços internos e da paridade de exportação.

Superávit global limita ganhos e mantém viés de baixa no mercado

Com a retomada das exportações indianas e o bom desempenho das lavouras brasileiras e tailandesas, o mercado deve registrar excedente global de açúcar em 2025/26. Esse cenário reforça a perspectiva de pressão sobre as cotações internacionais, reduzindo o potencial de valorização do adoçante nos próximos meses.

“A oferta robusta já se reflete no comércio global, com a disponibilidade ampliada de açúcar compensando a entressafra brasileira. O consenso de mercado aponta para um cenário de superávit, o que tende a limitar ganhos significativos de preços no curto prazo”, conclui Carolina França, da Hedgepoint Global Markets.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Granja mineira é a primeira do Brasil a conquistar certificação de alto padrão em bem-estar animal na suinocultura

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Certificação inédita marca avanço do bem-estar animal na suinocultura brasileira

A granja de suínos da Auma Agronegócios, localizada em Patos de Minas (MG), tornou-se a primeira do Brasil a receber a certificação de bem-estar animal da Produtor do Bem. O reconhecimento abrange todas as etapas da produção — gestação, maternidade, creche e terminação — e considera critérios técnicos amplos relacionados à ambiência, sanidade, manejo, alimentação e gestão operacional.

O selo possui validade de um ano e representa a primeira certificação concedida pela entidade no setor suinícola brasileiro, estabelecendo um novo marco de exigência técnica no país.

Protocolo mais rigoroso redefine práticas de manejo no país

O diferencial do modelo está no nível de exigência superior aos protocolos tradicionais utilizados no Brasil e em parte dos sistemas internacionais.

Um dos principais destaques é a adoção do sistema “cobre-solta”, em que as matrizes são inseminadas e, na sequência, alojadas em grupo. A prática elimina o período de permanência em gaiolas após a inseminação — etapa que ainda é comum em diversos sistemas, onde as fêmeas podem permanecer confinadas por até 35 dias.

Segundo especialistas, o modelo favorece maior liberdade de movimento e expressão de comportamentos naturais, sendo considerado uma das práticas mais avançadas em bem-estar animal na suinocultura moderna.

Empresa reforça estratégia de produção responsável e sustentável

Para a CEO da Auma Agronegócios, Lucimar Silva, a certificação consolida o posicionamento da empresa em relação à sustentabilidade e à responsabilidade produtiva.

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O bem-estar animal é tratado como pilar estratégico, diretamente ligado à eficiência produtiva, qualidade dos alimentos e sustentabilidade da cadeia. A executiva destaca que o reconhecimento valida práticas já incorporadas à cultura organizacional e fortalece a governança dos processos.

A Auma já possui outras certificações socioambientais em diferentes atividades agrícolas, e a nova conquista reforça o histórico de produção consciente do grupo.

Melhorias operacionais impactam diretamente os indicadores produtivos

De acordo com o gerente de produção do Ecossistema Auma, Baltazar Vieira, o bem-estar animal é tratado como valor estrutural da operação, com implementação iniciada em 2022.

Entre os resultados já observados estão:

Redução da taxa de natimortos de 8% para 3% após três meses de adoção de enriquecimento ambiental

  • Fim do uso de ocitocina há dois anos
  • Eliminação do corte de dentes
  • Redução do corte de cauda sem aumento de canibalismo

Segundo o gestor, as melhorias em nutrição, sanidade, infraestrutura e capacitação das equipes refletem diretamente no desempenho zootécnico e no valor agregado da produção.

Mercado pressiona por padrões mais elevados de bem-estar animal

A certificação ocorre em um cenário de crescente exigência de mercados nacionais e internacionais por padrões mais rigorosos de bem-estar animal, especialmente em cadeias voltadas à exportação e ao varejo institucional.

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Embora o Brasil ainda adote amplamente sistemas híbridos, a transição para modelos com soltura precoce de matrizes vem avançando, em linha com práticas já consolidadas em mercados europeus.

Soluções como alimentação individualizada em sistemas coletivos também têm sido incorporadas para reduzir disputas e melhorar o desempenho produtivo.

Certificação inédita traz modelo técnico e transparente para o setor

Segundo o diretor-executivo da Produtor do Bem, José Ciocca, o modelo de certificação é estruturado em critérios multinível, com avaliação independente, acompanhamento técnico e apoio ao produtor durante a implementação das melhorias.

O sistema busca garantir não apenas a conformidade, mas também a evolução contínua das práticas de manejo.

“A conquista demonstra que é possível conciliar produtividade com manejo tecnicamente fundamentado. O Grupo Auma avançou além do convencional e se torna referência para o setor”, destacou Ciocca.

Suinocultura brasileira entra em nova fase de exigência técnica

A certificação da Auma Agronegócios sinaliza uma mudança relevante na suinocultura nacional, com maior integração entre produtividade, sustentabilidade e bem-estar animal.

O avanço reforça a tendência de profissionalização do setor e aproxima o Brasil de padrões internacionais cada vez mais exigentes, especialmente em mercados premium e cadeias exportadoras.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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