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Na COP30, MMA lança construção de Estratégia Nacional de Soluções baseadas na Natureza

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O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) deu passo fundamental para fortalecer a integração da natureza no planejamento urbano e na agenda climática do país com o lançamento do processo de construção da Estratégia Nacional de Soluções Baseadas na Natureza (SbN). O anúncio foi feito em Belém (PA), na última terça-feira (18/11), pelo secretário nacional de Meio Ambiente Urbano, Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental, Adalberto Maluf, em evento organizado pela Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Meio Ambiente (Abema), na Casa da Biodiversidade e Clima, durante a COP30.

O lançamento do processo de construção participativa da estratégia enaltece um trabalho histórico que envolveu centros acadêmicos e de pesquisa e governos subnacionais. Essa articulação inclui, por exemplo, o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), e a Universidade Federal de Alagoas. O objetivo é ter um documento estratégico pronto para a próxima conferência do clima. “De COP a COP, teremos nossa estratégia de SBN”, destacou Maluf.

A iniciativa se insere no contexto do Programa Cidades Verdes Resilientes (PCVR), que busca uma articulação institucional multinível. “O programa, ao tentar integrar as agendas urbana, ambiental, climática, científica e tecnológica, permite uma articulação institucional multinível fundamental para o futuro do país”, explicou o secretário. Uma das metas do programa é que 17,5% dos municípios tenham implementado SbN até 2035.

“Só poderemos buscar a verdadeira neutralidade das emissões e ter resiliência com a natureza no centro da ação climática. E este é o propósito de constituir a Estratégia Nacional de SbN como política pública”, afirmou o diretor de Meio Ambiente Urbano do MMA, Maurício Guerra, um dos coordenadores e secretário-executivo do Comitê Gestor do PCVR.

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Durante debate ocorrido no ato de lançamento, o secretário municipal do Clima de Campinas (SP), Braz Adegas Júnior, destacou iniciativas implantadas no município, como microflorestas urbanas, passagens de fauna, parques lineares e ações de saneamento rural. “Ao participar do lançamento da construção participativa da estratégia, reafirmamos nossa disposição em cocriar políticas que coloquem a natureza no centro das soluções urbanas”, disse.

“Para os municípios brasileiros, o lançamento da iniciativa é uma oportunidade estratégica de contribuir para a construção de diretrizes nacionais que fortaleçam a capacidade local de enfrentar os desafios climáticos, ampliando o uso de SbN como pilares do desenvolvimento urbano sustentável”, apontou a representante da Associação Nacional de Municípios e Meio Ambiente (Anamma) Mulheres, Ângela Guirao, que também esteve no debate.

“A ação do MMA ajuda a construir um cenário de respostas melhores, mais rápidas e articuladas. Em um país com a importância e as dimensões do Brasil, a integração das escalas territoriais frente às agendas de clima, biodiversidade e combate à desertificação é essencial. As SbN são os principais instrumentos para a harmonização dessas agendas”, destacou o coordenador da Câmara Técnica da Biodiversidade da Abema e anfitrião do espaço, Paul Dale.

Também participaram da cerimônia a coordenadora-geral de Articulação e Parcerias do Ministério das Cidades, Sâmia Sulaiman, a assessora do CGEE e do Observatório de Inovação para Cidades Sustentáveis (OICS), Núria Brito, e a professora doutora da Universidade Técnica de Delft da Holanda, Mila Montezuma.

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Desenvolvimento urbano sustentável e resiliente

A justificativa para essa iniciativa está na crescente vulnerabilidade das áreas urbanas aos impactos climáticos, como enchentes e ilhas de calor, e na necessidade de soluções que conciliem eficiência, baixo custo e benefícios sociais. As SbN oferecem alternativas que reduzem riscos, aumentam a resiliência e contribuem para a equidade socioambiental.

Maluf destacou que o esforço em SbN é complementado por outras iniciativas do governo federal. Em financiamento, por exemplo, o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (Fundo Clima) disponibilizou R$ 10 bilhões para projetos de adaptação em cidades com foco em SbN, oferecendo juros de 1% ao ano.

O secretário reconheceu que, embora o financiamento público seja vital, é preciso pensar em soluções novas, citando como exemplo as obras de parques lineares e urbanos feitas como contrapartidas de investimentos privados. Maluf mencionou ainda o Banco de Projetos do PCVR – que recebeu 92 projetos de SbN dos 257 projetos elegíveis cadastrados – e o edital Periferias Verdes Resilientes, que revelou grande demanda por SbN nas periferias urbanas. Ao todo, foram 11 projetos contemplados no edital, totalizando um investimento de R$ 25,3 milhões do governo federal e Fundo Clima.

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Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

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Etanol de milho cresce 50% e leva agroindústria novo patamar

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A produção de etanol de milho deverá superar pela primeira vez a marca de 1 bilhão de litros em Goiás. A estimativa para a safra 2026/27 é de 1,18 bilhão de litros, crescimento de 50,6% em relação aos 782,6 milhões de litros produzidos no ciclo anterior.

Os números constam do segundo levantamento da safra de cana-de-açúcar e biocombustíveis, divulgado em agosto pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Em apenas uma temporada, a indústria goiana deverá acrescentar cerca de 396 milhões de litros à produção de etanol de milho.

A expansão muda o papel do cereal na economia estadual. Além de abastecer granjas, confinamentos, fábricas de ração e o mercado externo, uma parcela crescente da safra passa a ser processada dentro de Goiás. Com isso, o milho deixa de ser comercializado apenas como matéria-prima e passa a gerar combustível, óleo vegetal e produtos destinados à alimentação animal.

Somadas as produções provenientes da cana-de-açúcar e do milho, Goiás poderá fabricar aproximadamente 5,81 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27. O volume representa crescimento próximo de 9% em relação ao ciclo anterior.

Quase todo esse aumento virá do milho. A produção de etanol de cana deverá avançar apenas 1,7%, de 4,55 bilhões para 4,63 bilhões de litros. A participação do milho no total do biocombustível produzido no Estado deverá subir de aproximadamente 15% para mais de 20% em apenas um ano.

Para o produtor rural, a ampliação da indústria representa a entrada de um comprador capaz de demandar grandes volumes durante todo o ano. O milho pode ser armazenado e processado continuamente, o que reduz a concentração das vendas no período da colheita e cria novas possibilidades de contratos diretamente com as usinas.

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A demanda local também reduz parte da dependência das exportações e do transporte do grão por longas distâncias. Em determinadas regiões, o custo do frete até os portos compromete uma parcela importante do preço recebido pelo produtor. A presença de unidades industriais mais próximas pode melhorar a concorrência pela produção e fortalecer os preços regionais.

O avanço ocorre em um Estado que deverá colher perto de 12 milhões de toneladas de milho na safra 2025/26. Goiás ocupa a terceira posição nacional na produção do cereal, segundo a Conab, e conta com uma oferta suficiente para atender simultaneamente às cadeias de proteína animal, à indústria de biocombustíveis e a outros compradores.

Considerando um rendimento industrial entre 420 e 460 litros por tonelada, a produção projetada de etanol poderá consumir aproximadamente 2,6 milhões a 2,8 milhões de toneladas de milho. O volume corresponderia a mais de um quinto da atual safra estadual, embora o consumo efetivo dependa da tecnologia utilizada pelas usinas e do período de operação das unidades.

A transformação do grão não termina no combustível. O processamento gera grãos secos de destilaria, conhecidos pela sigla em inglês DDGS, um ingrediente rico em proteína utilizado na fabricação de rações. O produto pode substituir parte do milho e do farelo de soja na alimentação de bovinos, aves e suínos.

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Essa integração é particularmente importante para Goiás, que possui cadeias consolidadas de produção de carnes e leite. A indústria retira o amido do milho para produzir etanol, mas preserva e concentra nutrientes que retornam ao campo na forma de alimento para os animais.

A produção de etanol de milho no Estado era de 190,8 milhões de litros na safra 2018/19. Com a projeção atual, o volume terá crescido mais de seis vezes em oito safras. O avanço coloca Goiás entre os principais polos nacionais do segmento, ao lado de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

No país, a Conab estima produção recorde de 11,91 bilhões de litros de etanol de milho em 2026/27, alta de 17%. Goiás deverá responder por aproximadamente 10% desse total e crescer em ritmo quase três vezes superior ao da média nacional.

A expansão cria oportunidades, mas também exige atenção do produtor. O aumento da capacidade industrial não garante, sozinho, preços elevados para o cereal. O resultado dependerá da distância entre as fazendas e as usinas, dos custos de transporte, da oferta regional e das condições previstas nos contratos.

Ainda assim, a entrada de uma demanda permanente fortalece o mercado goiano de milho e amplia a agregação de valor dentro do Estado. Em vez de transportar apenas o grão, Goiás passa a vender combustível, óleo e nutrição animal, multiplicando os efeitos da produção agrícola sobre a indústria, os serviços e a geração de renda.

Fonte: Pensar Agro

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