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Colheita de trigo avança no Brasil, mas mercado segue pressionado com safra recorde na Argentina e menor demanda interna

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Oferta elevada e menor demanda mantêm pressão sobre o mercado brasileiro

O mercado de trigo no Sul do Brasil continua sob pressão, influenciado pela baixa demanda típica do fim de ano e pelo avanço da colheita nas principais regiões produtoras. Segundo a TF Agroeconômica, moinhos do Rio Grande do Sul reduziram o ritmo de compras em função de paradas para manutenção e férias coletivas, o que provocou queda de 0,75% nos preços diários e de 4,68% no acumulado de novembro, conforme dados do Cepea.

As ofertas dos moinhos gaúchos variam entre R$ 1.060 e R$ 1.130 por tonelada (CIF), valores ainda inferiores à competitividade da exportação, que paga cerca de R$ 1.035 FOB. Na região de Panambi, os preços da pedra seguem estáveis em R$ 55,00 por saca.

Santa Catarina amplia oferta, mas negociações seguem travadas

Em Santa Catarina, o avanço da colheita aumentou a oferta de trigo, mas a distância entre as expectativas de produtores e compradores tem limitado as negociações. Produtores pedem R$ 1.200/t FOB, enquanto as ofertas de compra variam entre R$ 1.100 e R$ 1.150, dependendo da logística.

Ainda há predominância de trigo vindo do Rio Grande do Sul, cotado a cerca de R$ 1.080 FOB + R$ 180 de frete, e também de trigo paulista, chegando a R$ 1.250 CIF. Já os moinhos catarinenses mantêm ofertas entre R$ 1.130 e R$ 1.150 CIF. Os preços pagos ao produtor continuam praticamente estáveis: R$ 63,00/saca em Canoinhas, R$ 61,00 em Chapecó e entre R$ 62,00 e R$ 64,25 nas demais regiões.

Paraná mantém leve alta, mas mercado futuro segue pressionado

No Paraná, o movimento é de alta moderada. Moinhos abastecidos oferecem R$ 1.200 CIF em Curitiba e nos Campos Gerais, com foco nas entregas de janeiro. No Norte do estado, as cotações variam de R$ 1.250 a R$ 1.280 CIF, enquanto no Oeste os valores ficam entre R$ 1.200 e R$ 1.220 CIF.

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O trigo importado segue como referência, cotado a US$ 260 com 12,5% de proteína em Antonina e US$ 240 com 10,5% em Paranaguá. A média estadual ao produtor subiu 0,32%, alcançando R$ 64,03/saca, o que reduziu o prejuízo para 14,2%, embora o mercado futuro já tenha oferecido margens de até 32,1% no início do ano.

Safra argentina recorde deve impactar preços no Brasil

Enquanto o Brasil avança na reta final da colheita, a Argentina, principal fornecedor de trigo ao mercado brasileiro, vive um cenário de recuperação e expectativa de safra recorde. Segundo dados da Scot Consultoria, após uma quebra significativa na temporada 2022/23, o país projeta uma produção histórica de 24 milhões de toneladas em 2025/26, impulsionada pelo aumento da área plantada, condições climáticas favoráveis e melhor produtividade.

A Bolsa de Cereais de Buenos Aires confirma o otimismo e aponta um crescimento expressivo em relação à safra anterior, de 18 milhões de toneladas. Essa expansão pode pressionar ainda mais os preços no mercado brasileiro, que depende fortemente do trigo argentino.

Produção nacional desacelera e mantém alta dependência de importações

No Brasil, a colheita de trigo 2025 já se aproxima do fim, embora em ritmo inferior à média histórica. Os estados do Sul — Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina — enfrentaram chuvas intensas, granizo e vendavais, mas a qualidade dos grãos foi considerada boa pela Scot Consultoria.

A produção nacional deve somar 7,7 milhões de toneladas, uma queda de 2,6% em relação a 2024, marcando o terceiro recuo consecutivo desde o recorde de 10,5 milhões de toneladas em 2022. O recuo é atribuído à redução da área semeada, reflexo de problemas climáticos e da maior atratividade de outras culturas de inverno. Em 2025, a área plantada deve encolher 20,1% frente a 2024.

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Argentina amplia participação nas importações brasileiras

A Scot Consultoria aponta que a demanda total de trigo no país, incluindo consumo interno e exportações, deve permanecer estável em 13,8 milhões de toneladas. Com a produção menor, o Brasil seguirá dependente das importações, registrando o segundo maior volume desde 2019.

Em 2024, a Argentina respondeu por 64,1% das importações brasileiras de trigo. Em 2025, até outubro, essa participação já subiu para 78,6%. Com o dólar em queda e a boa oferta argentina, as cotações internacionais recuaram, aproximando o preço interno da paridade de importação e levando o cereal ao menor valor em 12 meses.

Produção global em alta mantém mercado frouxo no curto prazo

Além da safra argentina, a oferta global de trigo também deve atingir níveis recordes em 2025/26, com aumento de produção na União Europeia, Estados Unidos, Rússia e Índia. A colheita no hemisfério Norte está em andamento e deve contribuir para a recuperação dos estoques mundiais, reduzindo a sustentação dos preços no mercado internacional.

De acordo com a Scot Consultoria, a combinação entre alta oferta global, produção recorde na Argentina e avanço da colheita no Brasil tende a manter o mercado interno frouxo no curto prazo, com pouco espaço para recuperação dos preços até o início de 2026.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fertilizantes: Rabobank reduz projeção para 2026 e alerta para impacto da inadimplência recorde no agro

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Inadimplência no campo e preços elevados devem reduzir consumo de fertilizantes

O mercado brasileiro de fertilizantes deverá enfrentar uma retração mais intensa em 2026 do que a prevista anteriormente. Em relatório divulgado nesta quarta-feira, o Rabobank revisou para baixo sua estimativa de vendas de adubos no país e apontou a inadimplência recorde dos produtores rurais como um dos principais fatores de pressão sobre a demanda.

A instituição projeta que as entregas de fertilizantes aos agricultores brasileiros somem 45,1 milhões de toneladas em 2026, o que representa uma queda de 8,2% em relação ao volume recorde registrado em 2025. Caso a previsão se confirme, será o menor volume comercializado desde 2022, período marcado pelos impactos da guerra entre Rússia e Ucrânia sobre o mercado global de insumos.

A nova estimativa é mais conservadora do que a divulgada em abril, quando o banco previa consumo de aproximadamente 47,2 milhões de toneladas.

Segundo o Rabobank, além dos preços ainda elevados dos fertilizantes, a situação financeira de muitos produtores brasileiros tem limitado a capacidade de investimento e comprometido a aquisição de insumos para a próxima safra.

Guerra no Oriente Médio afetou mercado global de fertilizantes

O relatório destaca que os reflexos da guerra envolvendo o Irã contribuíram para a elevação dos custos dos fertilizantes em 2026. O fechamento temporário do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de matérias-primas e insumos, provocou aumento dos preços internacionais e forte volatilidade nos mercados.

Embora haja sinais de normalização logística e avanços diplomáticos para reduzir as tensões na região, o banco avalia que os impactos sobre a demanda global já foram consolidados.

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No caso da ureia, um dos fertilizantes nitrogenados mais utilizados no mundo, os preços retornaram aos níveis observados antes do conflito. Ainda assim, o Rabobank destaca que o comportamento do mercado repetiu um padrão semelhante ao registrado em 2022.

De acordo com a análise, foram necessárias cerca de seis semanas para que os preços atingissem o pico após o início das tensões, seguidas por aproximadamente dez semanas para retornar aos patamares iniciais.

Já o fosfato monoamônico (MAP), um dos fertilizantes mais utilizados na agricultura brasileira, permanece negociado em níveis mais elevados, sustentando os custos de produção para diversas culturas.

Inadimplência recorde preocupa setor agropecuário

Outro ponto de atenção destacado pelo banco é o avanço da inadimplência no crédito rural.

Com base em dados do Banco Central referentes a abril, o Rabobank observa que a inadimplência nas operações contratadas a taxas de mercado alcançou 13,3% do volume financiado, um dos maiores níveis já registrados para o setor.

O cenário reforça as dificuldades enfrentadas por parte dos produtores rurais, especialmente em segmentos que vêm acumulando margens apertadas, custos elevados e dificuldades de acesso a novas linhas de crédito.

A combinação entre menor liquidez no campo e insumos ainda caros tende a limitar o potencial de recuperação da demanda por fertilizantes ao longo do próximo ano.

Rabobank prevê queda nas exportações de milho em 2026

Além do mercado de fertilizantes, o Rabobank revisou as perspectivas para o milho brasileiro e projetou redução nas exportações do cereal.

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A expectativa é de que os embarques nacionais atinjam 39 milhões de toneladas em 2026, volume cerca de 3 milhões de toneladas inferior ao registrado no ano anterior.

Entre os fatores que explicam a revisão estão a valorização do real frente ao dólar, que reduz a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional, e a forte concorrência de grandes exportadores, especialmente Estados Unidos e Argentina.

Os elevados custos do transporte rodoviário também continuam sendo um desafio para o setor exportador, reduzindo a competitividade logística do cereal brasileiro.

Demanda interna por milho deve seguir aquecida

Apesar da perspectiva menos favorável para as exportações, o consumo doméstico de milho deverá continuar avançando.

O Rabobank estima crescimento de 5% na demanda interna em 2026, alcançando cerca de 97 milhões de toneladas.

O principal motor desse avanço será o aumento do consumo pelas indústrias de ração animal e pelo setor de etanol de milho, que segue ampliando sua participação na matriz de biocombustíveis brasileira.

Diante desse cenário, o mercado agrícola brasileiro entra em 2026 com desafios relacionados ao crédito rural, custos de produção e competitividade internacional, enquanto busca equilibrar a demanda interna crescente com um ambiente global ainda marcado por incertezas econômicas e geopolíticas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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