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Mapa realiza última reunião do Comitê Interno de Governança em 2025

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O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) realizou, no dia 4 de dezembro, a última reunião de 2025 do Comitê Interno de Governança (Cigov).A pauta teve ênfase nas atividades de transparência ativa e governo aberto ao longo de 2025., além do planejamento para o próximo ciclo de gestão.

O secretário-executivo adjunto, Cleber Oliveira Soares, que conduziu a reunião na condição de presidente substituto do colegiado, destacou a importância da continuidade das ações implementadas. “Estamos entrando no último ano de gestão, e esperamos que sejam perpetuadas para os próximos as implementações que fizemos para melhorar a atuação do Mapa como governo aberto, com ampla divulgação das informações, atividades e resultados da Pasta, possibilitando maior conhecimento pela sociedade civil”, destacou Cleber.

Como convidada, a chefe da Assessoria Especial de Controle Interno, Renata Alves de Figueiredo, apresentou o Selo Agro Mais Integridade, iniciativa que reconhece e premia empresas do agronegócio brasileiro que se destacam por boas práticas de ética e integridade nas áreas de anticorrupção, responsabilidade social e sustentabilidade ambiental. Na ocasião, ela informou que a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), em sua Revisão de Integridade sobre o Brasil de 2025, destacou o Selo como uma boa prática setorial.

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“Isso reforça que estamos no caminho certo e mostra o quanto essa iniciativa contribui para fortalecer a integridade pública no país. Esse reconhecimento internacional aumenta nossa responsabilidade, mas também nos motiva ainda mais a manter o alto nível de seriedade e qualidade do processo, garantindo que o Selo continue impulsionando empresas a elevar seus padrões e fortalecer a confiança no agro brasileiro”, destacou Renata.

Durante a reunião, também foram detalhadas as alterações previstas para o próximo Relatório de Gestão, que contará com itens específicos sobre integridade, controle, governança e relacionamento com a sociedade e demais partes interessadas. A Secretaria Executiva do Ministério ainda apresentou as próximas etapas de implementação do Programa de Análise de Impacto Regulatório, instituído pela Portaria Mapa nº 860, de 13 de novembro de 2025, voltado ao fortalecimento da transparência e do controle social no processo de elaboração de atos normativos.

Pelas secretarias finalísticas, participaram o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luis Rua, o secretário-adjunto de Política Agrícola, substituto, Silvio Farnese, e o secretário-adjunto de Desenvolvimento Rural, João Crescêncio Aragão Marinho. Também esteve presente o consultor jurídico, Pedro Pereira Loureiro.

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Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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Matopiba desponta como nova fronteira da produtividade no Brasil

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O avanço do agronegócio está mudando o mapa da produtividade brasileira e levando parte do dinamismo econômico para o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Enquanto o indicador nacional cresceu 18,7% entre 2002 e 2019, três Estados da região registraram alguns dos maiores aumentos do País.

O Piauí liderou o crescimento da produtividade do trabalho no período, com alta de 103%. O Maranhão avançou 86% e o Tocantins, 69,7%. Os resultados acompanham a expansão da fronteira agrícola e indicam que a transformação provocada pelo campo ultrapassou o aumento da área plantada e do volume colhido.

Os dados fazem parte do estudo “Missing the Productivity: Estimating Labor Productivity in Brazilian Municipalities (2002–2019)”, dos pesquisadores Alan Bueno e Diogo Ferraz. Divulgado em julho, o trabalho construiu uma base anual com informações dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.

O levantamento é um pré-print, versão que ainda não passou pela etapa definitiva de revisão acadêmica. Embora tenha alcance nacional e não seja dedicado exclusivamente ao Matopiba, o estudo revela grandes ganhos de produtividade nas fronteiras agropecuárias e uma evolução mais lenta nos Estados historicamente industrializados.

A produtividade analisada não é o rendimento das lavouras por hectare. O indicador mede quanto valor é produzido por trabalhador. Ele aumenta quando a incorporação de máquinas, tecnologia, qualificação e métodos mais eficientes de gestão permite ampliar a produção sem elevar na mesma proporção o número de pessoas ocupadas.

No Brasil, a agropecuária foi o setor que apresentou o maior avanço entre 2002 e 2019. A produtividade do trabalho no campo cresceu 80,1%, diante de aumentos de 10,3% nos serviços e de apenas 5,4% na indústria.

O resultado ajuda a explicar por que regiões antes com menor participação na economia nacional passaram a atrair armazéns, transportadoras, revendas de máquinas e insumos, instituições financeiras, empresas de tecnologia, indústrias de alimentos e prestadores de serviços.

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Para Alan Bueno, professor da Universidade Estadual do Paraná e um dos autores do estudo, o avanço do Matopiba pode ser comparado à transformação ocorrida no Centro-Oeste a partir da segunda metade do século passado.

“O Matopiba é o novo ouro. É o que foi o Centro-Oeste nos anos 1950. Trata-se de um crescimento que faz mudar a realidade regional”, afirmou.

Segundo o pesquisador, o campo passou a funcionar como ponto de partida de uma rede econômica mais ampla. “O agro converteu-se no catalisador de uma vasta rede econômica, envolvendo transporte, comércio, construção civil, tecnologia, crédito e serviços”, explicou.

A expansão foi sustentada principalmente pela produção de soja, milho e algodão, além da pecuária. O desenvolvimento de sementes adaptadas ao Cerrado, a correção dos solos, a mecanização e a agricultura de precisão permitiram que a região ampliasse sua participação na produção nacional.

Os dados mais recentes indicam que o movimento continuou depois de 2019, último ano abrangido pelo estudo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia colham juntos aproximadamente 41,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, aumento próximo de 9% sobre o ciclo anterior.

A Bahia deverá liderar a produção regional, com cerca de 15 milhões de toneladas. O Tocantins aparece em seguida, com 9,74 milhões, seguido pelo Maranhão, com 9,05 milhões, e pelo Piauí, com 7,58 milhões de toneladas.

Somente a soja deve alcançar 25,4 milhões de toneladas nos quatro Estados, o equivalente a aproximadamente 14% da produção brasileira da oleaginosa. O resultado consolida o Matopiba como fornecedor relevante para as indústrias de óleo, farelo, rações, carnes e biocombustíveis.

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O avanço da produtividade, porém, não significa que os benefícios econômicos sejam distribuídos automaticamente. A mecanização reduz a necessidade de algumas tarefas manuais, ao mesmo tempo que amplia a procura por operadores de máquinas, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, mecânicos e profissionais de tecnologia e logística.

Sem capacitação local, parte dessas vagas pode ser preenchida por trabalhadores vindos de outras regiões. O aumento da riqueza também depende da capacidade dos municípios de converter maior arrecadação em educação, saúde, saneamento e infraestrutura.

Outro desafio é evitar que o Matopiba permaneça apenas como fornecedor de produtos primários. A instalação de esmagadoras de soja, fábricas de rações, frigoríficos, usinas de biocombustíveis e indústrias de alimentos permitiria agregar valor à produção e manter uma parcela maior da renda na própria região.

O crescimento também aumenta a pressão sobre estradas, ferrovias, armazéns e terminais de exportação. Sem infraestrutura compatível, parte do ganho obtido dentro das propriedades pode ser perdida com fretes elevados, filas e demora no escoamento.

Há ainda o desafio de conciliar a expansão produtiva com a conservação do Cerrado, a regularização fundiária e a inclusão da agricultura familiar. A competitividade futura da região dependerá não apenas do volume produzido, mas também da capacidade de comprovar a origem e a sustentabilidade dos produtos.

O estudo mostra que a produtividade brasileira começou a mudar de endereço. O Matopiba já produz mais por trabalhador e movimenta uma cadeia econômica cada vez maior. O próximo passo será transformar essa eficiência em indústria, empregos qualificados e melhoria permanente da renda da população.

Fonte: Pensar Agro

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