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Colheita de trigo no RS se aproxima do fim com produtividade estável, mas baixa rentabilidade preocupa produtores

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A colheita de trigo no Rio Grande do Sul entra na reta final, alcançando 93% da área projetada, segundo o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar. As lavouras ainda pendentes concentram-se em regiões de maior altitude, especialmente no Planalto Norte e na Serra do Sudeste.

De acordo com o relatório, a falta de chuvas significativas desde meados de novembro acelerou a maturação das plantas e reduziu a umidade dos grãos, o que favoreceu o avanço das máquinas no campo. Apesar disso, a produtividade segue bastante variável, refletindo diferenças de manejo agrícola, nível tecnológico e condições microclimáticas observadas ao longo da safra.

Regiões de altitude mantêm bom potencial produtivo

Nos Campos de Cima da Serra, onde o ciclo do trigo costuma ser mais tardio, ainda restam áreas por colher. Nessas regiões, o potencial produtivo é considerado expressivo, com algumas lavouras alcançando até 6.000 kg/ha. O bom desempenho está relacionado ao manejo fitossanitário eficiente, adubação equilibrada e à maior regularidade hídrica durante o período de enchimento dos grãos.

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Já no Sudeste gaúcho, os resultados são bem mais modestos. A combinação de menor investimento tecnológico e estresse hídrico reduziu o rendimento, com registros de áreas produzindo menos de 1.000 kg/ha.

Qualidade do grão é satisfatória, mas rentabilidade preocupa

A qualidade industrial do trigo colhido é considerada satisfatória, com predominância de peso hectolitro igual ou superior a 78 kg/hl, padrão valorizado pela indústria moageira. No entanto, a Emater também registrou lotes com menor peso específico em áreas que enfrentaram falhas de manejo ou adversidades climáticas durante o ciclo.

Apesar dos resultados técnicos positivos, a entidade chama atenção para a baixa rentabilidade observada pelos produtores. A queda nos preços de mercado e o aumento dos custos de produção reduziram as margens de lucro, limitando o retorno financeiro das lavouras, mesmo nas áreas mais produtivas.

Panorama estadual: área e média de produtividade

A área cultivada de trigo no estado foi estimada em 1.141.224 hectares, segundo dados da Emater/RS-Ascar. A produtividade média estadual é de 3.261 kg/ha, número considerado dentro das expectativas técnicas, mas insuficiente para garantir rentabilidade diante do atual cenário de preços.

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O levantamento reforça a importância de políticas de apoio e crédito direcionadas à agricultura familiar e à triticultura gaúcha, especialmente para mitigar os efeitos da instabilidade climática e dos custos elevados de produção.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas

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A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.

Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.

“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.

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“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.

Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.

A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.

O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.

A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.

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O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.

As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.

A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.

O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.

Fonte: Pensar Agro

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