Agro News

BNDES libera R$ 451,7 milhões para Suzano investir em modernização e sustentabilidade industrial

Publicado

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um financiamento de R$ 451,7 milhões para a Suzano S.A. investir na modernização e ampliação de suas unidades industriais localizadas em Aracruz (ES), Limeira (SP), Mogi das Cruzes (SP), Mucuri (BA) e Três Lagoas (MS). O objetivo é aumentar a eficiência operacional, aprimorar o armazenamento de resíduos e reduzir o consumo de gás natural.

O valor faz parte de um investimento total de R$ 700 milhões, que será composto por recursos do Finem (R$ 342,8 milhões) e do Fundo Clima (R$ 108,9 milhões). As obras e melhorias devem gerar 670 empregos diretos e 286 indiretos durante o período de execução.

Projetos alinhados à sustentabilidade e à inovação

Segundo a Suzano, os investimentos contemplam oito projetos que integram o programa Compromissos para Renovar a Vida, conjunto de metas alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU). As ações buscam promover inovação, responsabilidade ambiental e fortalecer um modelo de produção baseado na economia regenerativa.

Detalhes dos investimentos por unidade
  • Aracruz (ES) – A unidade receberá obras para ampliar em 200 mil m³ a capacidade de armazenamento de resíduos do Aterro Industrial C e instalar uma nova estrutura para dragagem do lodo das lagoas da Estação de Tratamento de Efluentes (ETE). As melhorias permitirão uma gestão mais eficiente e segura dos resíduos gerados na produção de celulose.
  • Limeira (SP) – O foco será a eficiência energética e a redução do consumo de gás natural, estimada em 10,5 milhões de m³ por ano. Com a otimização do uso de vapor no processo produtivo, a empresa espera evitar a emissão de cerca de 25 mil toneladas de CO₂ anualmente.
  • Mogi das Cruzes (SP) – A Suzano construirá novas pistas de desaceleração e aceleração no acesso à unidade, melhorando a segurança viária de colaboradores, motoristas e moradores da região.
  • Mucuri (BA) – O investimento incluirá a instalação de um sistema de separação de areia no processo de cozimento das Linhas 1 e 2 e a revitalização dos difusores da Linha 1, com substituição de peneiras, chapas perfuradas e sistemas de elevação. O objetivo é melhorar a qualidade do produto e otimizar o consumo de insumos químicos.
  • Três Lagoas (MS) – A unidade substituirá três bombas de cavaco da Fábrica 1, visando maior confiabilidade operacional e eficiência no processo industrial.
Leia mais:  Energia solar: tendências e futuro do mercado
Apoio à indústria e compromisso ambiental

De acordo com o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o apoio à Suzano reforça a missão do Banco de estimular a modernização da indústria nacional, especialmente em setores estratégicos como o de celulose.

“O BNDES cumpre a missão dada pelo governo do presidente Lula de apoiar a modernização e a expansão da capacidade produtiva da indústria brasileira. Em 2024, a produção de celulose atingiu 25,5 milhões de toneladas, alta de 5,2% sobre 2023, com exportações de mais de US$ 10 bilhões — um avanço de 33,2%”, destacou Mercadante.

O vice-presidente executivo de Finanças e Relações com Investidores da Suzano, Marcos Assumpção, ressaltou a importância da parceria para os projetos de sustentabilidade e competitividade.

“A parceria com o BNDES é fundamental para viabilizar iniciativas de redução de emissões, aumento da circularidade e melhoria da confiabilidade dos equipamentos. Essas ações fortalecem a competitividade de todas as unidades contempladas”, afirmou.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Leia mais:  Controle biológico e manejo inteligente impulsionam produtividade nos canaviais durante a Coplacampo 2026
publicidade

Agro News

Greening, safra menor e queda no consumo pressionam o setor brasileiro

Publicado

A citricultura brasileira chega à safra 2026/27 pressionada por três problemas simultâneos: quase metade das laranjeiras do principal cinturão produtivo está contaminada pelo greening, a produção deve cair cerca de 10% e o consumo mundial de suco perdeu força depois de anos de preços elevados. Embora continue líder global, o Brasil precisa controlar a doença e ampliar mercados para evitar uma pressão maior sobre produtores e indústrias.

A primeira reestimativa do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) aponta uma produção de 263,15 milhões de caixas de 40,8 quilos em São Paulo e no Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais. O volume equivale a aproximadamente 10,7 milhões de toneladas de laranja.

A projeção ficou 3,1% acima da estimativa inicial, divulgada em maio, mas ainda representa uma queda de cerca de 10% diante das 292,94 milhões de caixas colhidas na temporada 2025/26. A recuperação sobre a primeira previsão ocorreu principalmente porque os frutos ganharam peso com as chuvas.

Entre maio e agosto, o cinturão citrícola recebeu 210 milímetros de chuva, volume 51% superior à média histórica do período. O peso médio estimado passou de 160 para 166 gramas por fruto, reduzindo de 255 para 246 o número de laranjas necessário para completar uma caixa.

O efeito positivo da chuva, porém, não elimina os riscos. A colheita está mais lenta e os frutos permanecem por mais tempo nas árvores, expostos a pragas, doenças e queda prematura. Até meados de agosto, apenas 27% da produção prevista havia sido retirada dos pomares.

Leia mais:  Goiás inicia exportação de melão para Argentina com apoio da Agrodefesa

A taxa média de queda dos frutos foi elevada de 23,7% para 24,1%. Nas variedades tardias, que ainda têm grande parte da produção no campo, a perda projetada chega a 27,3% para Valência e Folha Murcha e a 30,9% para a variedade Natal.

O greening permanece como o maior problema da atividade. O levantamento mais recente sobre a doença mostrou que 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola estavam contaminadas em 2025. A severidade média também aumentou, passando de 18,7% para 22,7% da copa das plantas.

Transmitido pelo psilídeo, um pequeno inseto, o greening não tem cura. A doença reduz a produtividade, provoca queda precoce e produz frutos menores, deformados e amargos. O controle exige monitoramento frequente, combate ao inseto transmissor e eliminação das plantas doentes, especialmente em regiões onde a incidência ainda é baixa.

Na safra 2025/26, o greening foi responsável pela perda estimada de 49,59 milhões de caixas. A doença respondeu sozinha por 13 pontos percentuais da taxa total de queda de 23,2% registrada naquele ciclo.

A pressão não está restrita aos pomares. Depois de quatro anos de resultados elevados, o mercado internacional entrou em uma fase de ajuste. As exportações brasileiras de suco de laranja somaram 746,9 mil toneladas na safra 2025/26, praticamente o mesmo volume da temporada anterior, mas a receita caiu aproximadamente 30%.

Leia mais:  Exportações de carne argentina se reorganizam e ganham novos destinos no mercado global

Os preços elevados das safras anteriores levaram parte dos consumidores a substituir o suco de laranja por bebidas mais baratas. Problemas de qualidade provocados pelo clima e pelo greening também afetaram o mercado. Na Europa, principal destino histórico do produto brasileiro, o volume adquirido caiu 10,9%. No Japão, a retração chegou a 28,6%.

O aumento das chuvas nesta temporada favoreceu o tamanho das laranjas, mas poderá reduzir a concentração de sólidos solúveis, medida pelo índice brix. Para a indústria, isso significa que pode ser necessário processar mais caixas para obter a mesma quantidade de suco concentrado, reduzindo parte do ganho trazido pelo maior peso dos frutos.

A busca por novos compradores tornou-se, portanto, uma necessidade para equilibrar a cadeia. O produto brasileiro não enfrenta grandes restrições sanitárias, mas encontra tarifas elevadas em mercados com potencial de consumo, como Japão, Coreia do Sul e Índia. A redução dessas barreiras poderia ampliar os destinos e diminuir a dependência de poucos compradores.

Maior produtora mundial de laranja e líder na exportação de suco, a citricultura brasileira mantém escala, tecnologia e capacidade industrial. O desafio agora é impedir que o avanço do greening, a queda da produtividade e o enfraquecimento do consumo reduzam a rentabilidade de uma cadeia que depende de investimentos contínuos para renovar pomares e manter a produção.

Fonte: Pensar Agro

Continue lendo

Mais Lidas da Semana