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Juros altos limitam acesso ao crédito e dificultam expansão da indústria, aponta pesquisa da CNI

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Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), com apoio da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), revelou que 80% das empresas industriais que enfrentaram dificuldades na obtenção de crédito de curto ou médio prazo apontam juros elevados como o principal obstáculo. O levantamento faz parte da Sondagem Especial nº 98 – Condições de Acesso ao Crédito em 2025.

Outros problemas citados pelas empresas incluem a exigência de garantias reais (32%) e a falta de linhas de crédito adequadas às necessidades das empresas (17%). Para crédito de longo prazo (acima de cinco anos), a ordem se mantém: 71% apontaram os juros como entrave, seguidos por 31% em garantias e 17% em linhas inadequadas.

De acordo com Maria Virgínia Colusso, analista de Políticas e Indústria da CNI:

“A política monetária restritiva, com Selic a 15% ao ano e juros reais em torno de 10%, torna o crédito caro e desestimula investimentos em expansão e inovação, afetando a competitividade industrial.”

Alta Selic freia busca por crédito

A pesquisa mostra que grande parte das empresas não buscou crédito nos seis meses anteriores à sondagem (fevereiro a julho de 2025):

  • 54% não tentaram crédito de longo prazo;
  • 49% não buscaram crédito de curto ou médio prazo.
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Entre as que buscaram crédito, quase 1 em cada 3 empresas de longo prazo e cerca de 1 em cada 5 empresas de curto ou médio prazo não conseguiram contratar ou renovar linhas de financiamento.

O levantamento por porte mostra maior frustração entre médias empresas:

  • Crédito de longo prazo: médias (43%), pequenas (37%), grandes (27%)
  • Crédito de curto/médio prazo: médias (26%), pequenas (21%), grandes (16%)
Mais de um terço das empresas apontam piora nas condições de crédito

A pesquisa também indica que 35% das empresas industriais que renovaram crédito de curto ou médio prazo avaliaram as condições como piores ou muito piores, incluindo juros, número de parcelas, carência e exigência de garantias. No crédito de longo prazo, 33% tiveram a mesma percepção.

Por outro lado, 47% avaliaram que as condições permaneceram sem mudanças significativas, e apenas 14% (curto/médio prazo) e 12% (longo prazo) obtiveram condições melhores ou muito melhores.

Baixa adesão ao risco sacado

A Sondagem revelou ainda que apenas 13% das empresas industriais contrataram operações de risco sacado nos 12 meses anteriores, e 5% pretendiam contratar nos 12 meses seguintes. A maioria (54%) não contratou nem pretende contratar, enquanto 29% não soube ou não quis responder, mostrando baixo conhecimento sobre a modalidade.

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O risco sacado é uma operação de antecipação de recebíveis em que o fornecedor recebe o pagamento antecipado de uma venda, e o comprador assume a obrigação de quitar o valor junto à instituição financeira na data acordada.

Metodologia da pesquisa

A Sondagem Especial nº 98 entrevistou 1.789 empresas industriais: 713 pequenas, 637 médias e 439 grandes. O levantamento foi realizado entre 1º e 12 de agosto de 2025.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Agro brasileiro combina recorde de produção com avanço em sustentabilidade e práticas ESG consolidadas

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O agronegócio brasileiro vive um momento de expansão produtiva aliado à consolidação de práticas sustentáveis em larga escala. Em um cenário de maior exigência internacional por critérios ESG nas cadeias produtivas, o setor já opera há mais de duas décadas com modelos estruturados de responsabilidade ambiental.

Safra recorde reforça desafio de sustentabilidade em escala

A produção brasileira de grãos para a safra 2025/2026 está projetada em 353,8 milhões de toneladas, o maior volume já registrado no país. O resultado evidencia o avanço da produtividade no campo e reforça a necessidade de soluções eficientes para garantir sustentabilidade em grande escala.

Nesse contexto, o setor agropecuário nacional tem buscado integrar crescimento produtivo com responsabilidade ambiental, ampliando a adoção de sistemas estruturados de gestão.

Sistema Campo Limpo é referência em logística reversa no agronegócio

Um dos principais exemplos desse modelo é o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias, responsável pelo Sistema Campo Limpo, programa de logística reversa de embalagens vazias de defensivos agrícolas.

Criado em 2002, o sistema conecta indústria, distribuidores, produtores rurais e poder público em um modelo de responsabilidade compartilhada, garantindo o destino ambientalmente adequado das embalagens.

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Mais de 900 mil toneladas de embalagens destinadas corretamente

Ao longo de sua operação, o Sistema Campo Limpo já destinou corretamente 902 mil toneladas de embalagens, consolidando-se como um dos maiores programas de logística reversa do mundo.

Somente em 2025, o volume destinado chegou a 75.996 toneladas, o maior resultado anual desde o início das operações, reforçando a escala e eficiência do sistema.

Estrutura nacional garante acesso em todo o país

O programa conta atualmente com mais de 400 unidades de recebimento distribuídas em todo o Brasil, permitindo que produtores rurais realizem a devolução adequada das embalagens mesmo em regiões mais afastadas dos grandes centros.

Essa capilaridade é apontada como um dos fatores que sustentam a eficiência operacional do modelo.

Economia circular transforma resíduos em novos produtos

Além da destinação ambientalmente correta, o Sistema Campo Limpo também impulsiona a economia circular no campo. As embalagens coletadas passam por processos de transformação e se tornam novos materiais.

Atualmente, o sistema possui 38 artefatos homologados, incluindo novas embalagens, tampas e itens como tubos e conduítes, utilizados em diferentes setores da indústria.

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Modelo de governança reforça responsabilidade compartilhada

A estrutura do sistema é baseada em governança compartilhada entre os diferentes elos da cadeia produtiva. Os produtores rurais realizam a devolução das embalagens, os canais de distribuição organizam o fluxo de recebimento, a indústria garante a destinação final adequada e o poder público atua na regulamentação e fiscalização.

Agro brasileiro ganha destaque internacional em ESG

Segundo o diretor-presidente do inpEV, Marcelo Okamura, o modelo brasileiro demonstra que é possível ampliar a produção mantendo práticas sustentáveis estruturadas e mensuráveis.

Em um cenário global cada vez mais exigente em relação à transparência ambiental, o agronegócio brasileiro se posiciona de forma competitiva ao contar com sistemas consolidados que integram produtividade e sustentabilidade.

O Sistema Campo Limpo reforça esse papel ao demonstrar que a sustentabilidade já faz parte da estrutura produtiva do campo no Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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