Saúde

Ministério da Saúde faz visita técnica no Hospital da Criança de Brasília para apurar situação financeira

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O Ministério da Saúde, por meio do Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (DenaSUS), realizou, nesta terça-feira (21), visita técnica ao Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB). A ação busca apurar a regularidade dos repasses financeiros, a execução contratual e os impactos da situação fiscal da unidade na oferta de serviços de saúde pediátrica de alta complexidade.

Referência nacional em pediatria desde sua inauguração, em 2011, o Hospital da Criança de Brasília integra a rede do Sistema Único de Saúde (SUS) e é administrado por organização social, em parceria com a Secretaria de Saúde do Distrito Federal. A unidade é considerada estratégica para o Governo Federal por sua atuação assistencial especializada, atendendo crianças e adolescentes de todo o país em tratamentos de média e alta complexidade.

Segundo o diretor do DenaSUS, Rafael Bruxellas, a visita técnica teve como foco compreender a situação operacional da unidade. “Recebemos denúncias consistentes, inclusive de conselheiros de saúde do Distrito Federal, e decidimos iniciar com uma inspeção in loco para conhecer a estrutura do hospital, dialogar com a equipe gestora e entender quais soluções estão sendo apresentadas para solucionar o desabastecimento promovido no final do ano passado, especialmente no que se refere a regularização dos procedimentos, cirurgias, diagnósticos e consultas represadas. Também será verificado se os recursos federais repassados à Secretaria de Saúde estão sendo efetivamente transferidos para a gestão do hospital”, afirmou.

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Somente em aditivos no contrato entre a Secretaria do Estado e o gestor do hospital foram mais de 76 aditivos até agora, o que somam mais de 1.5 bi de recursos majoritariamente federais, evidenciando a relevância do financiamento federal para a manutenção dos serviços prestados. A organização social responsável pela gestão do Hospital da Criança de Brasília relata, entretanto, insegurança quanto à regularidade dos repasses nos próximos meses, fator que compromete o planejamento financeiro e a continuidade da assistência.

A atuação do DenaSUS foi motivada por um conjunto de denúncias apresentadas no final de 2025, incluindo manifestações de conselheiros do Conselho de Saúde do Distrito Federal, que apontam um cenário de grave déficit financeiro e orçamentário na unidade. As informações indicam atrasos nos repasses sob responsabilidade do Governo do Distrito Federal (GDF), estimados em mais de R$ 100 milhões, com impactos diretos na assistência, como fechamento de leitos de UTI e de enfermaria, suspensão de cirurgias, internações – risco à continuidade dos atendimentos. Recentemente, decisão da Justiça do Distrito Federal determinou o repasse emergencial de R$ 69 milhões ao hospital, a pedido do Ministério Público.

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Bruxellas destacou ainda que o foco da auditoria é prevenir riscos à assistência. “Nosso objetivo é identificar se há falhas no fluxo desses recursos e evitar qualquer risco de desabastecimento, interrupção ou paralisação dos atendimentos. Neste primeiro momento, já foi possível observar que há um trabalho técnico sendo desenvolvido pela organização social responsável pela gestão da unidade”, completou.

Tania Mello
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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Saúde

Ministério da Saúde amplia articulação com gestores no Congresso Norte e Nordeste de Gestão Municipal do SUS, em São Luís

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O Ministério da Saúde iniciou, na segunda-feira, 11 de maio, uma ampla agenda de participação no 11º Congresso Norte e Nordeste de Gestão Municipal do SUS, realizado em São Luís (MA). Considerado um dos principais encontros voltados ao fortalecimento da gestão pública de saúde nas duas regiões, o evento reúne participantes entre gestores, trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS), pesquisadores e representantes institucionais, com foco no debate sobre equidade e organização do cuidado nos territórios.

Promovido pelo Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Maranhão (Cosems-MA), em parceria com o Ministério da Saúde e os Cosems dos demais estados do Norte e Nordeste, o congresso tem como tema “Pluralidade, especificidade e equidade no cuidado à saúde nos territórios Norte e Nordeste”. Ao longo dos três dias de programação, o ministério participa de 23 das 24 atividades oficiais previstas, mobilizando cerca de 300 profissionais entre secretários, diretores e equipes técnicas em mesas, oficinas e atendimentos especializados.

A abertura do congresso contou com a presença de autoridades federais, estaduais e municipais. A secretária de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Lucinha Tremembé, representou o ministro Alexandre Padilha na solenidade. Na ocasião, destacou o congresso como um espaço que, além de agregar relevantes debates técnicos, se apresenta como “espaço de defesa pela vida, da democracia, do SUS público, universal e gratuito”.

“É um espaço onde reafirmamos que saúde não é mercadoria. Saúde é direito do povo brasileiro e os municípios são a porta de entrada do SUS. Este congresso também simboliza a importância do diálogo entre União, Estado e Município, pois nenhuma política de saúde se sustenta sem cooperação federativa e planejamento regional. Que seja um espaço de escuta, pactuação e construção coletiva”, afirmou.

Aos dirigentes locais, a secretária ressaltou ainda as especificidades das regiões e reforçou que políticas públicas federais contribuem tanto para o fortalecimento da atenção primária, quanto para a ampliação da saúde especializada: “Falar de gestão municipal nessas regiões é falar de distâncias geográficas, desigualdades históricas, mudanças climáticas. Mas, ao mesmo tempo, reconhecemos a enorme potência dos nossos territórios. O Norte e o Nordeste produzem inovações, participação social, acolhimento, ciência, cuidado e experiências exitosas que fortalecem o SUS em todo o Brasil”, destacou.

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 MS presente nos debates técnicos

A participação do ministério também se destaca nas atividades técnicas voltadas à organização da rede pública de saúde. Ainda no primeiro dia, uma das agendas centrais foi a oficina “Aspectos estratégicos de uma agenda de apoio à construção da Política Nacional de Regionalização”, reunindo representantes de diferentes secretarias da pasta, gestores estaduais e organismo internacional. A atividade discutiu estratégias para fortalecer a integração entre atenção primária, especializada, vigilância em saúde e saúde indígena, com foco nas especificidades dos territórios Norte e Nordeste.

A oficina foi coordenada por André Luis Bonifácio de Carvalho, diretor de Gestão Interfederativa e Participativa (DGIP) da Secretaria Executiva do Ministério da Saúde (SE/MS), que destacou a regionalização como eixo estruturante para a consolidação do SUS. “Não se constrói política pública de forma isolada. A regionalização precisa ser pensada com quem está na ponta, nos territórios e nos serviços. Por isso, esse diálogo é essencial”.

A discussão contou ainda com a participação de representantes das secretarias de Saúde Indígena, de Vigilância em Saúde e Ambiente, de Atenção Primária à Saúde, e de Atenção Especializada do Ministério da Saúde; além de integrantes da Secretaria de Estado da Saúde do Amazonas e da Organização Pan-Americana da Saúde.

Entre os fatores apontados no debate, está a necessidade de reconhecimento das especificidades dos territórios indígenas e a incorporação da saúde indígena como componente estratégico da organização das redes regionais de atenção. “Fortalecer a integração entre o SasiSUS e o SUS significa garantir continuidade do cuidado, equidade no acesso e respeito às diversidades territoriais e culturais dos povos indígenas. A consolidação dessa agenda exige cooperação interfederativa e fortalecimento da governança regional”, afirmou a secretária de Saúde Indígena, Lucinha Tremembé.

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O diretor do DGIP, André Luis Bonifácio de Carvalho, reforçou que o congresso é uma oportunidade estratégica para aproximar as políticas nacionais da realidade dos municípios e fortalecer a cooperação entre os entes federativos. A agenda do ministério inclui debates sobre financiamento, saúde digital, mudanças climáticas, vigilância em saúde, atenção primária, saúde indígena e estratégias para ampliação do acesso à atenção especializada.

As atividades voltadas à operacionalização do piso da enfermagem e à certificação dos hospitais de ensino mobilizaram gestores, trabalhadores e representantes de instituições de saúde durante a programação. A reunião sobre o piso da enfermagem superou as expectativas de público, reunindo cerca de 60 participantes — mais que o dobro do previsto — e exigindo a realização de um novo encontro no dia seguinte para atender à alta demanda. O debate concentrou-se na elegibilidade dos estabelecimentos, especialmente os privados, além de questões operacionais relacionadas à homologação de dados, uso de saldo em conta e funcionamento dos repasses mensais. Já a oficina sobre certificação dos hospitais de ensino destacou os desafios enfrentados por municípios de pequeno porte e, durante a atividade, o Contrato Organizativo de Ação Pública ensino-Saúde (COAPES) foi apontado como ferramenta estratégica para fortalecer a articulação entre municípios e instituições de ensino vinculadas ao SUS, apoiando a organização dos processos formativos e das contrapartidas locais.

Atendimento local no estande

Além da programação técnica, o Ministério da Saúde mantém um estande de atendimento durante todo o evento, com espaços dedicados ao diálogo direto com gestores municipais e estaduais. O local reúne equipes de diferentes secretarias para orientar sobre programas prioritários, esclarecer dúvidas técnicas e apresentar iniciativas em andamento, como ações do Fundo Nacional de Saúde, Rede Alyne, manejo pós-Covid, assistência farmacêutica, mudanças climáticas e saúde digital.

A participação no congresso também reforça o compromisso da pasta com a ampliação da infraestrutura e da capacidade assistencial nos municípios.

Thamirys Santos
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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