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Colheita recorde de soja no Brasil pressiona cotações, enquanto produtores apostam em armazenagem e mercados acompanham Chicago

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Avanço da colheita no Brasil afeta preços internacionais

O mercado global de soja iniciou a semana sob pressão, influenciado pelo ritmo acelerado da colheita brasileira e pelo aumento da oferta no curto prazo. De acordo com levantamento da Safras & Mercado, até o dia 23 de janeiro a colheita da safra 2025/26 atingia 6,4% da área plantada, acima dos 3% da semana anterior e do 3,9% registrados no mesmo período de 2025. A média histórica é de 6%, indicando que a safra avança dentro do esperado, mas com volumes recordes.

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros de soja encerraram a segunda-feira (26) em baixa. O contrato de março recuou 0,56%, fechando a US$ 10,61 ¾ por bushel, enquanto o de maio caiu 0,50%, a US$ 10,74 por bushel. A realização de lucros após altas recentes e o aumento da oferta brasileira foram os principais fatores de pressão.

Os derivados também acompanharam o movimento: o farelo de soja para março recuou 1,87%, cotado a US$ 294,30 por tonelada, enquanto o óleo de soja caiu 0,18%, para 53,89 centavos de dólar por libra-peso.

Mercado interno: diferenças regionais e estratégias de armazenagem

No Brasil, os preços seguem influenciados tanto pela dinâmica local quanto pelas condições internacionais.

No Rio Grande do Sul, praças como Não-Me-Toque mantiveram estabilidade, enquanto Nonoai apresentou leve valorização, impulsionada por ajustes na demanda industrial e pela postura estratégica de armazenadores. Os preços no porto ficaram em R$ 134,00 por saca, e no interior, R$ 122,01 (-0,92%).

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Em Santa Catarina, a cotação em São Francisco do Sul foi de R$ 128,66 (-0,53%), sustentada por fatores geopolíticos e pela forte demanda chinesa.

No Paraná, a preocupação dos produtores está voltada à capacidade de estocagem e à qualidade dos grãos, já que a colheita avança. Os preços oscilaram de R$ 118,00 no balcão de Ponta Grossa a R$ 131,45 (+0,09%) no porto de Paranaguá.

Em Mato Grosso do Sul, o armazenamento estratégico surge como alternativa para quem busca melhores janelas de venda, mas a necessidade de capital para o plantio da safrinha tem levado produtores a antecipar negócios em patamares menos atrativos. Em Dourados, Campo Grande e Maracaju, a saca foi cotada a R$ 114,95 (-1,19%), enquanto em Chapadão do Sul, o preço subiu 0,72%, a R$ 111,81.

O Mato Grosso, principal produtor nacional, vive o momento mais intenso da colheita. O avanço rápido sobre o campo provocou um choque de oferta, pressionando o mercado físico. As cotações variam de R$ 101,80 em Sorriso a R$ 109,33 em Rondonópolis e Primavera do Leste.

Movimentação em Chicago e cenário macroeconômico

Na manhã desta terça-feira (27), os contratos de soja voltaram a registrar pequenas altas na Bolsa de Chicago, com ganhos entre 1,75 e 2 pontos nos principais vencimentos. O contrato de março era negociado a US$ 10,63 e o de maio a US$ 10,76 por bushel. O movimento é sustentado pelo óleo de soja, que subiu mais de 0,5%, enquanto o farelo manteve leve queda após forte recuo no pregão anterior.

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O foco dos investidores permanece nas condições climáticas na Argentina, que podem melhorar nas próximas semanas, e na demanda chinesa, que segue firme às vésperas do Ano Novo Lunar.

No cenário global, fatores geopolíticos e macroeconômicos continuam influenciando o mercado de commodities. O ouro, por exemplo, segue renovando recordes, ultrapassando os US$ 5.000 por onça, enquanto persiste a preocupação com um possível shutdown do governo dos Estados Unidos, o que traz cautela adicional aos investidores.

Expectativas para o mercado

Apesar da pressão de curto prazo causada pela oferta elevada, analistas apontam que os custos de produção e a demanda consistente da China devem oferecer sustentação às cotações nos próximos meses. A atenção agora se volta à logística interna brasileira e às condições climáticas da Argentina, que podem alterar o ritmo de exportações e o equilíbrio global de oferta e demanda.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Produtores cobram regras mais simples para produção na fazenda

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Produtores rurais, cooperativas e indústrias pressionam o governo para que a regulamentação da Lei de Bioinsumos preserve um modelo simplificado para a fabricação desses produtos dentro das propriedades. Um grupo de 35 entidades entregou à Casa Civil propostas para o decreto que definirá, na prática, as exigências para produção própria, acesso a microrganismos, registro de novos produtos e comercialização de inóculos.

As sugestões foram consolidadas depois de reunião realizada na semana passada com representantes do governo. O decreto está em análise na Casa Civil e ainda não há data oficial para sua publicação.

Para o produtor, um dos pontos mais importantes é a chamada produção para uso próprio, que cresceu nos últimos anos principalmente em grandes propriedades, grupos de produtores, associações e cooperativas.

A Lei nº 15.070, sancionada em dezembro de 2024, já assegura esse direito. O produtor pode fabricar bioinsumos para utilizar na própria atividade, desde que não os comercialize.

A legislação também permite que essa produção seja feita coletivamente por associações de produtores, cooperativas, consórcios rurais, condomínios agrários e sistemas de produção integrada.

Essas unidades são dispensadas de registro como fabricantes comerciais. A lei prevê apenas cadastramento simplificado, que poderá inclusive ser dispensado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), dependendo das condições estabelecidas na regulamentação.

O que ainda precisa ser definido é como essas regras funcionarão no dia a dia.

As entidades defendem que o decreto não crie procedimentos que tornem a produção própria excessivamente burocrática ou cara. A preocupação é que exigências semelhantes às aplicadas à fabricação comercial inviabilizem estruturas mantidas pelos próprios agricultores.

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Outro ponto considerado decisivo é a origem dos microrganismos.

Boa parte dos bioinsumos utilizados na agricultura depende de bactérias, fungos e outros organismos selecionados para funções específicas, como controle de pragas e doenças, fixação de nitrogênio ou estímulo ao desenvolvimento das plantas.

A nova legislação permite que produtores utilizem material proveniente de bancos públicos ou privados de germoplasma ou adquiram inóculos registrados. As entidades querem que o decreto deixe claro como esse acesso ocorrerá e quais responsabilidades caberão a produtores e fornecedores.

A questão interessa especialmente às chamadas biofábricas on farm, instaladas dentro das propriedades ou organizadas coletivamente. Nessas estruturas, o produtor multiplica microrganismos para produzir o bioinsumo que será utilizado na própria lavoura.

Também está em discussão a formação de um mercado específico de inóculos.

O inóculo funciona como material inicial utilizado para multiplicar determinado microrganismo. A disponibilidade de produtos registrados e com identidade conhecida é considerada importante para garantir qualidade e segurança à produção realizada dentro das fazendas.

As 35 entidades defendem uma regra de transição para que esse mercado consiga se estruturar antes da aplicação integral das novas exigências.

A própria lei já estabeleceu uma proteção durante esse período. Enquanto não forem publicadas a regulamentação e as instruções de boas práticas, fica garantida a continuidade da produção de bioinsumos para uso próprio e do fornecimento dos insumos necessários a essa fabricação.

Depois que as boas práticas forem publicadas, os produtores terão 12 meses para fazer as adaptações exigidas.

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Outro tema em discussão é o registro dos produtos destinados ao mercado.

A Lei de Bioinsumos criou a possibilidade de procedimento simplificado quando já existir produto similar registrado no País. Para produtos considerados novos e destinados ao controle fitossanitário, entretanto, também haverá participação dos órgãos federais das áreas de saúde e meio ambiente.

As entidades querem que o decreto estabeleça uma definição objetiva do que será considerado produto novo. A preocupação é evitar interpretações diferentes que aumentem o tempo e o custo dos registros.

O setor também defende que a regulamentação mantenha uma separação clara entre bioinsumos e defensivos químicos. A Lei 15.070 criou um marco específico justamente para reunir em uma única legislação produtos biológicos utilizados na agricultura, pecuária, aquicultura e florestas plantadas.

A discussão ocorre em um momento de expansão da utilização dessas tecnologias no campo. Biofertilizantes, inoculantes, agentes biológicos de controle e outros produtos passaram a ocupar espaço maior no manejo das lavouras, seja substituindo aplicações químicas em determinadas situações, seja funcionando de maneira complementar.

Para o produtor, o conteúdo final do decreto poderá determinar quanto custará e quão simples será manter uma estrutura própria de produção.

A lei já assegurou o direito de produzir para consumo próprio. Agora, a disputa está nos detalhes: cadastro, boas práticas, origem dos microrganismos, acesso aos inóculos, fiscalização e responsabilidades.

São essas regras que definirão se a fabricação dentro da propriedade continuará sendo uma alternativa acessível ao agricultor ou se ganhará exigências capazes de elevar significativamente seu custo.

Fonte: Pensar Agro

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