Com alas e samba-enredo focados nas histórias dos antigos carnavais cuiabanos, entre as décadas de 60 e 70, o bloco “Agora Q Q Esse” conquistou o título de melhor bloco carnavalesco de Cuiabá. No total, oito desfiaram neste fim de semana. O bloco Boca Suja ficou com a segunda colocação e o Luxo Folia em terceiro. Entre as escolas de samba, a Payaguás, levou a melhor e sagrou-se bicampeã. A apuração dos votos dos jurados terminou na noite deste domingo (8.2). O desfile contou com investimento de R$ 2,1 milhões da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT).
Além da verba das duas escolas de samba e sete blocos, os recursos foram usados em infraestrutura e atrações da músicos de renome nacional na Arena Pantanal, como o Tiee, Banda Novo Som, DJ Detona, Rubynho e DJ Gui Antony, e apresentações do Grupo Puro Prazer, Matheuzinho, Jero Neto e Tomé Aí.
Numa homenagem aos principais humoristas do Estado, o bloco “Agora Q Q Esse” levou uma ala inteira de quadros de personagens retratados por Liu Arruda, falecido em 1999, renomado comediante, ator, músico, jornalista e professor cuiabano. Ele é considerado o artista mais completo da história de Mato Grosso. Com mais de 25 anos de carreira, criou cerca de 40 personagens icônicos, como a Comadre Nhara e Ramona. Liu valorizava o sotaque e a cultura cuiabana. O bloco campeão foi puxado pela figura do folclórica do Padeiro português – conhecido nas histórias dos carnavais antigos pelo personagem Zé Pereira, que saía às ruas chamando o povo para brincar o carnaval brasileiro. Outra figura folclórica, do Januário, foi representada pelos passistas conclamando o público para o carnaval com cornetas.
A ala das crianças representava as matinês de outrora. As baianas, por sua vez, fizeram alusão ao tecido popular cuiabano de “chita”. De baixo custo, era conhecido pelas cores vibrantes e estampas florais grandes. Surgido na Índia, conforme a tradição, o tecido foi introduzido no Brasil pelos portugueses. O bloco contou com a ala “Cuiabá de Antigamente”, com rei e rainha, mestre-salas e a turma da “pipoca’. As brasileirinhas também marcaram presença, assim como a alegria ingênua do personagem italiano Pierrot.
As fantasias reproduziam as cores da escola, azul, branco e amarelo. O samba-enredo foi idealizado pela professora de Língua Portuguesa cuiabana, Auréa Santana, mulher do também diretor do bloco, Alair das Neves, e foi elaborado pelo cantor e compositor de sambas-enredo, Gustavinho Oliveira, do Rio de Janeiro (RJ).
Numa disputa com a escola de samba Império de Angola, a Payaguás levou a melhor ao abordar no samba-enredo e figurino das alas o tema a “Rota da Ancestralidade”, que retratou a origem dos pretos no Egito, passando pela África e chegando a Cuiabá. No desfile, as alas seguiam o dispositivo com a pirâmide, símbolo do povo egípcio. A bateria trajava fantasias em alusão à terra preto do Egito.
A escola desfilou com alas em homenagem a personalidades históricas de Cuiabá – Mãe Preta, Maria Taquara e Mãe Bonifácia. Na ala de Maria Taquara, foi acrescentado um chapéu no figurino dos componentes, com um coração de um lado e uma trouxa de roupa de outro, em alusão à ideia de uma mulher que trabalhava de lavadeira de roupas pela manhã, também chamada de “meu bem” à noite, quando saía com os soldados do Exército que a galanteavam.
Nas arquibancadas da Arena Pantanal, a torcida organizada do Mixto Esporte Clube, Boca Suja, compareceu em peso. Apesar da torcida massiva, o bloco ficou na segunda colocação. Neste ano, o bloco, idealizado pelos torcedores mixtenses, Emanuel dos Santos Lobo e Frank Sabiá, antigo funcionário da Câmara Municipal de Cuiabá, completou 30 anos na avenida. “Trouxemos a história dos negros mato-grossenses, do Congo a Vila Bela da Santíssima Trindade, toda a trajetória”, explica o presidente do bloco, Gabriel Augusto de Moraes.
Para ele, o carnaval cuiabano está em ascensão. “Sem dúvida, a cada ano há um crescimento. Vem num processo de profissionalização, de instrumentalização, com o fim do amadorismo. Estamos ainda na busca pela profissionalização dos jurados da capital. Cuiabano também entende muito de carnaval”, defende. O bloco conta com cerca de 750 integrantes. Dos nove jurados do carnaval de Cuiabá deste ano escolhidos mediante edital aberto, três são de Cuiabá e sete do Rio de Janeiro.
O presidente da Liga Independente dos Blocos e Escolas de Samba de Cuiabá, Celso Gonçalo Nazário, destacou a importância do aporte de recursos do Governo de Mato Grosso para a reestruturação dos blocos, e escolas e viabilização da infraestrutura do Carnaval de Cuiabá 2026. “Graças aos apoios que recebemos do Governo de Mato Grosso, conseguimos tirar o carnaval do papel, há três anos, quando fizemos o nosso primeiro desfile como liga, realmente. Ano passado, conseguimos mais uma vitória, que foi levar o carnaval pra Arena Pantanal, onde ganhou visibilidade imensa dentro da cidade. O apoio do Governo do Estado move toda a nossa estrutura”, frisou.
Secretário-adjunto de Cultura, Jan Moura esclareceu que o Governo de Mato Grosso aguardou a regularização da Liga para aplicar os recursos necessários a fim de revitalizar o Carnaval cuiabano. É unânime entre os presidentes de blocos e escolas de samba que o período é de ascensão para o setor. Além dos recursos destinados ao longo dos últimos três anos ao carnaval cuiabano e do interior, a Cultura do Governo de Mato Grosso conta com o maior investimento da história do Estado entre 2019 e 2025, período em que foram destinados R$ 853,5 milhões ao setor, entre editais, estruturação, cursos e gestão de bibliotecas e demais espaços, patrocínios e eventos.
O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) combate, nesta sexta-feira (9.10), 13 incêndios florestais registrados nos municípios de Água Boa, Colniza, Cuiabá, Juruena, Marcelândia, Nossa Senhora do Livramento, Nova Maringá, Paranatinga, Rosário Oeste, São José do Rio Claro, Tesouro e União do Sul.
As ações de combate estão concentradas, principalmente, em Marcelândia, onde os bombeiros atuam em duas ocorrências. Além desse local, as equipes permanecem mobilizadas nas demais localidades, realizando ações de combate direto às chamas e controle dos focos de incêndio.
As operações contam, conforme a necessidade de cada ocorrência, com o apoio do Grupo de Aviação Bombeiro Militar (GAvBM), da Defesa Civil Estadual, do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) e da Polícia Militar. A atuação integrada das forças amplia a capacidade de resposta e fortalece o combate aos incêndios florestais em Mato Grosso.
Focos de calor
Em Mato Grosso, foram registrados 13 focos de calor nas últimas 24 horas, conforme a última checagem realizada às 17h no Programa BDQueimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os dados são do Satélite de Referência (Aqua Tarde). Sendo os 13 focos registrados na Amazônia.
O Corpo de Bombeiros Militar também realiza o monitoramento do uso irregular do fogo no âmbito da Operação Infravermelho. Esse monitoramento é realizado a partir da Sala de Situação Central, instalada no Batalhão de Emergências Ambientais (BEA), em Cuiabá.
Com o apoio de imagens de satélite e outras tecnologias, a operação tem como objetivo identificar, de forma antecipada, áreas com risco de incêndio florestal ou onde o fogo já tenha sido iniciado de maneira ilegal, atuando tanto na prevenção quanto na responsabilização dos infratores.
Incêndios extintos
Desde o início do período proibitivo do uso do fogo em Mato Grosso, o Corpo de Bombeiros Militar já atuou na extinção de incêndios nos municípios de Água Boa, Araguaiana, Aripuanã, Barra do Garças, Boa Esperança do Norte, Bom Jesus do Araguaia, Campo Verde, Canabrava do Norte, Canarana, Chapada dos Guimarães, Cocalinho, Colíder, Colniza, Dom Aquino, Feliz Natal, Guarantã do Norte, Guiratinga, Juara, Lambari D’Oeste, Luciara, Marcelândia, Matupá, Nova Bandeirantes, Nova Maringá, Nova Nazaré, Nova Ubiratã, Nova Xavantina, Novo Santo Antônio, Novo São Joaquim, Paranatinga, Peixoto de Azevedo, Poxoréu, Primavera do Leste, Ribeirão Cascalheira, Rondonópolis, Rosário Oeste, Santa Terezinha, São Félix do Araguaia, União do Sul e Vila Rica.
O CBMMT reforça o alerta à população sobre a proibição do uso do fogo para limpeza e manejo de áreas rurais nos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal, entre 1º de julho e 30 de novembro de 2026. Nas áreas urbanas, o uso do fogo é proibido durante todo o ano.
O uso irregular do fogo pode configurar crime ambiental e está sujeito às penalidades previstas em lei. Além de ser proibida, a prática representa riscos à segurança pública, à saúde da população e ao meio ambiente. Casos de uso irregular do fogo, inclusive em áreas urbanas, devem ser denunciados pelos números 193 (Corpo de Bombeiros Militar) ou 190 (Polícia Militar).
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