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VBP da agropecuária ficará em torno de R$ 1,371 trilhão em 2026

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O valor gerado “dentro da porteira” pelo agro brasileiro deve ser menor neste ano. A estimativa mais recente do Ministério da Agricultura aponta que o Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária ficará em torno de R$ 1,371 trilhão em 2026, abaixo da previsão anterior e também inferior ao resultado do ano passado, numa queda aproximada de 3,6%. Para 2025, por outro lado, a conta foi revisada levemente para cima, indicando cerca de R$ 1,422 trilhão.

O VBP mede o faturamento bruto das propriedades rurais — soma o volume produzido com os preços recebidos pelo produtor — e, por isso, costuma refletir rapidamente dois movimentos típicos do agro: ciclos de preço das commodities e produtividade das lavouras. E é justamente a combinação desses dois fatores que explica a revisão para baixo. Após anos de valores elevados, grãos e algumas proteínas entraram em fase de preços mais moderados, enquanto a produção agrícola cresce em ritmo menor.

A maior parte do dinheiro continua vindo das lavouras. Elas devem responder por cerca de R$ 895 bilhões (aproximadamente 65% do total), com recuo próximo de 4% em relação ao ano anterior. A pecuária, por sua vez, deve gerar perto de R$ 475 bilhões (35%), também com leve queda.

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Mesmo dentro da agricultura, o desempenho será bastante desigual. A soja permanece como principal fonte de receita do campo brasileiro e deve ampliar o faturamento, estimado em cerca de R$ 342 bilhões, beneficiada pelo grande volume produzido. Já o milho tende a recuar, com receita próxima de R$ 154 bilhões, pressionado por preços mais baixos. O trigo também enfrenta retração mais acentuada.

Entre culturas importantes, o café deve registrar leve avanço, enquanto a cana-de-açúcar apresenta redução relevante. A laranja, muito dependente do mercado externo e do ciclo produtivo, aparece entre as maiores quedas. O algodão e o cacau também devem faturar menos. Arroz e feijão igualmente mostram redução de receita, ainda que continuem essenciais ao abastecimento interno.

Na pecuária, o quadro é mais estável. A bovinocultura segue liderando o faturamento do setor e deve crescer modestamente, alcançando cerca de R$ 218 bilhões. Em compensação, cadeias dependentes de custos de ração — como suínos e frangos — devem registrar retração. O leite também perde receita, enquanto ovos, após forte valorização em anos recentes, retornam a níveis mais baixos de faturamento.

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O cálculo do VBP é feito mensalmente pelo governo a partir da produção estimada pelo IBGE combinada com preços coletados em mercados e fontes oficiais. No total, o levantamento acompanha 17 atividades agrícolas e cinco pecuárias.

Na prática, a revisão não significa crise no campo, mas sim mudança de ciclo. O agro brasileiro continua produzindo volumes elevados; o que muda é o preço recebido. Depois de anos de ganhos impulsionados por commodities valorizadas globalmente, o setor entra em fase de normalização — e isso aparece primeiro justamente no faturamento das propriedades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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Projeto de R$ 20 bi da Ferrogrão ganha sinal verde para ligar Sinop a Miritituba

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O Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou um dos impasses mais arrastados da infraestrutura nacional ao declarar a constitucionalidade da Lei 13.452/2017, norma que reduziu os limites do Parque Nacional do Jamanxim, no Pará, para permitir a implantação da Ferrogrão (EF-170). Por um placar de 9 votos a 1, o veredito joga por terra o principal obstáculo jurídico que mantinha congelado o projeto de 933 quilômetros de trilhos, planejado para ligar Sinop, no norte de Mato Grosso, ao porto fluvial de Miritituba, no Pará.

A decisão foi recebida pelo agronegócio como um marco regulatório essencial para atrair os R$ 20 bilhões em investimentos privados necessários para tirar a obra do papel. Sob a perspectiva macroeconômica, a Ferrogrão é vista como o eixo de ruptura da dependência crônica do modal rodoviário na BR-163, com potencial para reduzir em até 20% o custo do frete de commodities agrícolas, como soja e milho, ampliando a competitividade do produto brasileiro no mercado externo.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que atuou no processo, aponta que as regiões Norte e Centro-Oeste concentram atualmente cerca de 70% da produção nacional de grãos, mas os portos do Arco Norte escoam apenas 34% desse volume. A consolidação da ferrovia deve acelerar o redirecionamento desse fluxo, aliviando o gargalo logístico dos portos das regiões Sul e Sudeste, como Santos (SP) e Paranaguá (PR).

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O julgamento foi balizado pelo voto do relator, o ministro Alexandre de Moraes, que rechaçou os argumentos de descumprimento de salvaguardas ambientais apresentados na ação original do PSOL. Moraes argumentou que o texto legal previu a devida compensação ecológica pela redução da unidade de conservação e destacou que o traçado ferroviário não intercepta terras indígenas homologadas, situando-se a quatro quilômetros da reserva mais próxima, a Terra Indígena Praia do Mangue.

O julgamento, que havia sido interrompido no ano passado, foi concluído com o voto do ministro Flávio Dino. Ao acompanhar o relator, Dino propôs condicionantes para a execução do projeto, determinando que qualquer alteração futura no perímetro da ferrovia não poderá afetar áreas indígenas em um raio de 250 quilômetros, além de defender que as comunidades tradicionais sejam ressarcidas ou tenham participação nos lucros caso sejam registrados impactos socioambientais imprevistos.

O único voto divergente foi do ministro Edson Fachin, que considerou inconstitucional a alteração de reservas ambientais por meio de Medida Provisória, rito utilizado na origem do projeto durante o governo de Michel Temer.

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Com o desfecho na Suprema Corte, o projeto da Ferrogrão sai da arena jurídica e ingressa na fase de viabilidade técnica. O Ministério dos Transportes informou que aguarda a conclusão da análise de modelagem de concessão e matriz de riscos pelo Tribunal de Contas da União (TCU) para estruturar o edital de leilão.

Lideranças do setor produtivo, como a Aprosoja Brasil, avaliam que a segurança jurídica conferida pelo STF deve acelerar o crivo da Corte de Contas, posicionando a ferrovia como um dos principais ativos de infraestrutura para captação de capital estrangeiro na América Latina nos próximos anos.

Fonte: Pensar Agro

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