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MCTI reforça apoio à inovação no Norte com novos editais, Centelha 3 e Infovia Acre

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A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, anunciou nesta terça-feira (3), em Rio Branco (AC), uma série de oportunidades de financiamentos, lançou a terceira edição do Centelha e divulgou os resultados da Infovia Acre, ação vinculada ao Conecta e Capacita. Desde 2023, o MCTI já investiu mais de R$ 109 milhões no fortalecimento da infraestrutura científica do Acre, com destaque para ações de manutenção e modernização de laboratórios e equipamentos na Universidade Federal do Acre (Ufac) e no Instituto Federal do Acre (Ifac). Outros R$ 4,5 milhões devem ser contratados ainda neste semestre para novos projetos com as duas instituições. O objetivo é garantir a manutenção, a modernização e o fortalecimento da infraestrutura de pesquisa e desenvolvimento.  

Durante a cerimônia, foram detalhados 13 editais lançados recentemente, que somam R$ 3,3 bilhões para projetos inovadores, dentro da segunda rodada do Mais Inovação. Entre as chamadas está a Subvenção Econômica Regional, com R$ 50 milhões destinados exclusivamente a negócios da Região Norte com faturamento anual de até R$ 90 milhões. Desse montante, 30% são reservados para micro e pequenas companhias com receita de até R$ 4,8 milhões. Assistiram à apresentação dos avanços na infraestrutura digital integrantes do ecossistema regional, que participaram de mais uma etapa do Finep pelo Brasil. 

A iniciativa itinerante da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), empresa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), leva instrumentos de apoio a capitais e municípios do interior em todas as regiões. A proposta busca ampliar e simplificar o acesso de empresas, cooperativas e instituições científicas às linhas de crédito e aos recursos não reembolsáveis disponíveis. Ao longo do ano, estão previstos mais de cem encontros em diferentes unidades federativas. 

A Finep retomou ainda a linha de Difusão Tecnológica, direcionada ao Norte, Nordeste e Centro-Oeste, com foco na incorporação de tecnologias 4.0 e no fortalecimento da indústria nacional de bens de capital. Outro mecanismo é o Inovacred, que disponibiliza R$ 1,5 bilhão em crédito descentralizado, sendo R$ 450 milhões voltados às três macrorregiões. A modalidade passou a contemplar também empreendimentos de grande porte nesses territórios. 

Ao abordar a estratégia do MCTI, Luciana Santos ressaltou a importância de levar recursos e oportunidades a todo o território nacional. “Estamos financiando, por exemplo, o ônibus híbrido elétrico 100% nacional, o barco voador para a Amazônia, testes moleculares para a predição de recorrência de câncer de mama. Isso é ciência que entrega, que resolve problemas concretos da indústria e da sociedade brasileira. Não é por acaso que o PIB brasileiro cresce pelo terceiro ano consecutivo”, afirmou. 

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O governador do Acre, Gladson Cameli, ressaltou a importância do investimento no estado. “Agradeço à ministra Luciana Santos e ao Finep, que atuam no fomento de empresas e instituições científicas de todas as regiões do País, impactando o setor produtivo de maneira inovadora e sustentável”, disse.  

Centelha 3 chega ao Acre 

Na mesma oportunidade, também foi apresentada a nova etapa do Centelha, iniciativa promovida pelo MCTI, pela Finep e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em parceria com o Conselho Nacional das Fundação Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) e a Fundação Certi. Criado em 2018, o programa estimula a criação de empreendimentos inovadores e a cultura empreendedora em todo o território nacional. 

Na terceira edição, lançada em 2025, a ação alcançou os 26 estados e o Distrito Federal e apoiou mais de 1,1 mil projetos. Os selecionados receberam subvenção econômica, bolsas de apoio técnico do CNPq, capacitações, suporte especializado e conexão com incubadoras, investidores e redes de parceiros. 

Ao comentar os impactos da política pública na consolidação de startups fora dos grandes centros, a ministra enfatizou o alcance nacional da iniciativa. “O Centelha apoia pessoas que transformam ideias em soluções e geram valor para a sociedade e para o mercado, oferecendo financiamento, capacitação e suporte de gestão. Nesta terceira edição, estamos por todo o País, sempre em parceria com as Fundações de Amparo à Pesquisa. Aqui no Acre, serão contratados 20 projetos, com apoio de R$ 80 mil para cada um deles”, destacou Luciana Santos. 

Para a professora da Universidade Federal do Acre Clarice Maia, “o lançamento de hoje é um marco para o desenvolvimento da nossa região. Financiamentos como do Centelha 3 são os motores para que a gente consiga desenvolver ideias e trazer resultados concretos para a sociedade”. A pesquisadora é responsável por desenvolver bioinsumos a partir de microrganismos locais para o controle biológico de pragas e fortalecimento do solo. 

Conectividade de alta capacidade 

Durante o evento, foram divulgados os resultados da Infovia Acre, implementada no âmbito do Conecta e executada pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). 

Até junho de 2026, serão 19 entregas relacionadas à expansão da conectividade. A estrutura conta com 1.249 quilômetros de fibra óptica e sete redes metropolitanas concluídas em dezembro de 2025. Também foram implementados sete trechos de longa distância interligando municípios estratégicos. 

O Acre passou a contar com enlace de 100 Gb/s entre Rio Branco e Porto Velho (RO), finalizado em setembro de 2025, além de uma segunda conexão com previsão de entrega em março de 2026. Nove municípios e 14 instituições de ensino e pesquisa foram contemplados, incluindo a Ufac, o Ifac, unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e outras estruturas acadêmicas. 

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Com maior capacidade de transmissão e menor latência, as instituições passam a ter melhores condições para desenvolver iniciativas em telemedicina, educação híbrida, inteligência artificial, inovação agrícola e modernização da gestão pública. A política também prevê capacitação em segurança cibernética, com 50 vagas destinadas ao estado, além do lançamento, em 2026, do projeto de Infovias Transfronteiriças em Educação e Pesquisa, que conectará o território acreano à fronteira com o Peru. 

Mais Ciência na Escola 

À tarde, Luciana Santos participa do lançamento do Mais Ciência na Escola no Acre. A agenda marcará a primeira implementação da iniciativa pelo Ifac e a contratação da proposta da Universidade Federal do Acre, ampliando a presença da política pública na rede estadual. O investimento é de R$ 1 milhão do FNDCT, com R$ 500 mil destinados a cada instituição. 

No Ifac, o projeto Escola Maker: Ciência e Inovação possibilitou a criação de cinco laboratórios em Cruzeiro do Sul, Tarauacá, Sena Madureira, Xapuri e Rio Branco, alcançando todas as regionais. A ação promove formação de alunos e docentes em modelagem e impressão 3D, robótica educacional, programação e gamificação com micro:bit, com foco no desenvolvimento de competências técnicas e colaborativas. A seleção priorizou jovens da rede pública e integrantes de grupos historicamente sub-representados, como estudantes pardos, negros, indígenas e pessoas com deficiência. 

Já a proposta da Ufac, intitulada O Futuro da Programação: o Desenvolvimento de Soluções Digitais na Educação Básica na Amazônia, incentiva o aprendizado de programação e a criação de ferramentas digitais para o ensino fundamental II e médio, em alinhamento com a Base Nacional Comum Curricular — BNCC Computação. A iniciativa começa com capacitação de professores das escolas parceiras e graduandos da universidade, seguida por oficinas práticas contínuas nas unidades da capital. 

O edital reserva no mínimo 40% das vagas para estudantes do sexo feminino e 30% para alunos autodeclarados negros, indígenas, pessoas com deficiência ou em situação de vulnerabilidade social, ampliando o acesso à formação tecnológica. 

 

Mais Ciência na Escola 
Data: 3 de março (terça-feira) 
Horário: 16h 
Local: Instituto Federal do Acre – Campus Rio Branco – Av. Brasil, 920 – Xavier Maia, Rio Branco (AC) 

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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Ciência leva soluções para a saúde, a produção de alimentos e a educação no Vale do São Francisco

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A ciência ganha novos caminhos para transformar a vida de quem vive no Semiárido. Nesta sexta-feira (26), em Juazeiro (BA), o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) lançou um conjunto de projetos que reúne inovação, desenvolvimento regional e inclusão social. As iniciativas vão desde o reaproveitamento da água e a geração de energia limpa nas propriedades rurais até uma plataforma digital para reduzir o tempo de espera de pacientes com câncer e a ampliação da educação científica nas escolas públicas. Ao todo, são mais de R$ 43 milhões em investimentos voltados ao Vale do São Francisco.  

Durante a cerimônia, a ministra Luciana Santos destacou que o desenvolvimento do país passa pela capacidade de transformar conhecimento em soluções concretas para a população. “Hoje estamos lançando ações que têm um mesmo objetivo: melhorar a vida das pessoas. Levar mais água, mais produção, mais saúde, mais educação e mais inovação para uma região que historicamente aprendeu a resistir, mas que hoje também é protagonista da ciência, da inovação e do desenvolvimento sustentável”, afirmou.  

A ministra também ressaltou que a retomada dos investimentos em ciência e tecnologia tem permitido ampliar a presença do MCTI nos estados. Entre 2023 e 2025, o ministério investiu mais de R$ 1,3 bilhão na Bahia, fortalecendo universidades, institutos de pesquisa e projetos voltados ao desenvolvimento regional.  

Um dos destaques do evento foi a ampliação do Sistema Sara, tecnologia social desenvolvida pelo Instituto Nacional do Semiárido (Insa) para tratar o esgoto doméstico e reutilizar a água na produção agrícola.

A diretora substituta do Insa, Dilma Trovão, ressaltou que o Sistema Sara é resultado da aplicação do conhecimento científico às necessidades da população. “É uma tecnologia simples, mas profundamente transformadora. Desenvolvida por pesquisadores do instituto, ela trata a água utilizada nas residências para que possa voltar à produção agrícola, levando saneamento ambiental, fortalecendo a agricultura familiar e garantindo mais saúde e dignidade para quem mora no Semiárido”, afirmou. 

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A iniciativa transforma um problema ambiental em oportunidade para agricultores familiares, permitindo irrigar hortas, pomares e áreas de cultivo, além de ampliar a segurança hídrica e alimentar das comunidades rurais. O investimento de R$ 21 milhões permitirá a implantação de mais 41 unidades do sistema, das quais 23 já estão em execução, sendo 16 na Bahia.  

Desde sua criação, o Sistema SARA já beneficiou centenas de famílias em nove estados do Semiárido, contribuindo para eliminar o esgoto a céu aberto, aumentar a produtividade agrícola e fortalecer a adaptação às mudanças climáticas.  

Tecnologia para agilizar o tratamento do câncer

Na área da saúde, o MCTI anunciou investimento de R$ 1,2 milhão no Projeto Dant, que desenvolverá um ecossistema digital para apoiar a gestão Oncológica do Sistema Único de Saúde (SUS).

O coordenador do Projeto DANT, Manoel Messias, destacou que a proposta utiliza tecnologia para tornar o atendimento oncológico mais ágil e acessível. “Queremos desenvolver ferramentas que aproximem os pacientes do sistema de saúde, especialmente aqueles que vivem em áreas mais vulneráveis.  A expectativa é que essa experiência se torne referência para o SUS e mostre que a ciência e desenvolvimento tecnológico também nascem no interior do Brasil”, disse. 

A plataforma reunirá informações clínicas e epidemiológicas para qualificar a tomada de decisão dos gestores e integrar os diferentes níveis de atendimento, reduzindo o tempo entre o diagnóstico e o início do tratamento.

A iniciativa beneficiará cerca de 2,1 milhões de pessoas em 53 municípios da Bahia e de Pernambuco atendidos pela Rede Interestadual de Saúde Pernambuco-Bahia (Rede PEBA).  

Mais ciência dentro das escolas

A programação incluiu ainda a ampliação do programa Mais Ciência na Escola em Juazeiro. Durante o evento, foram anunciadas mais duas escolas contempladas, com investimento de R$ 200 mil destinado à implantação de laboratórios maker e à concessão de bolsas de iniciação científica, ampliando as oportunidades para que estudantes tenham contato com a pesquisa desde a educação básica.  

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O coordenador do programa Mais Ciência na Escola na Bahia, Antonio Brotas, enfatizou que o principal legado da iniciativa permanece nas escolas. “O conhecimento fica com professores e estudantes, fortalecendo a educação científica e mostrando que a ciência é para todos”, ressaltou. 

Na Bahia, a iniciativa já atende 182 escolas, com investimento superior a R$ 18 milhões do MCTI. No município, 12 escolas participam do programa, envolvendo 120 estudantes bolsistas e 12 professores orientadores.

Inteligência de dados para fortalecer o campo

Fechando o conjunto de anúncios, o MCTI lançou o Sistema de Diagnóstico Rural Familiar, desenvolvido em parceria com o Instituto Federal da Bahia (Ifba), no Campus Irecê.

Para o coordenador do projeto Irecê, Jeime Nunes de Andrade, a iniciativa aproxima a agricultura familiar das tecnologias digitais. “Nosso objetivo é levar conceitos da agricultura de precisão para apoiar agricultores familiares com dados e inteligência artificial, aumentando a produtividade e fortalecendo a geração de renda no Semiárido”, finalizou.

A plataforma digital reunirá informações sobre solo, recursos hídricos, produção agrícola, criação de animais e dados georreferenciados, além de utilizar inteligência artificial para interpretar análises de solo e água e gerar recomendações de manejo.

A ferramenta apoiará agricultores familiares, equipes de assistência técnica e gestores públicos, contribuindo para aumentar a produtividade, ampliar o acesso ao crédito rural e orientar políticas públicas para cerca de 20 municípios do território de Irecê.

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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