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Entidades do agro relatam alta e falta de diesel e pedem ação do governo

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Relatos de dificuldades para compra de diesel por produtores rurais em meio à colheita da soja e ao plantio do milho da segunda safra levaram entidades do agronegócio a cobrar providências do governo e de órgãos reguladores.

A Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) afirmou ter recebido comunicações de propriedades que enfrentam restrições no fornecimento do combustível em um dos períodos mais intensos de operação de máquinas no campo.

A preocupação foi reforçada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que aponta o diesel como o principal insumo energético da produção agrícola e da logística de transporte de grãos. Segundo a entidade, produtores em algumas regiões relatam aumento superior a R$ 1 por litro nas últimas semanas, além de dificuldades pontuais para abastecimento.

O problema ocorre no momento em que o país está no auge da colheita da soja e simultaneamente conduz o plantio da segunda safra de milho, período em que tratores, colheitadeiras e caminhões operam praticamente sem interrupção.

Apesar da pressão nos preços, o movimento não reflete, ao menos por ora, uma alteração oficial na política de preços do combustível. A Petrobras não anunciou reajuste recente no diesel e também não informou qualquer dificuldade de abastecimento no mercado interno.

Esse descompasso entre o preço nas propriedades e a política da estatal levanta suspeitas entre entidades do setor de que a alta observada em algumas regiões possa estar ligada a movimentos especulativos de fornecedores e distribuidores diante da volatilidade do mercado internacional.

A escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio levou o petróleo a superar US$ 100 por barril, o que costuma gerar expectativa de reajustes no diesel. Contudo, como o repasse ainda não ocorreu no mercado interno, entidades do agro avaliam que parte das elevações registradas pode resultar de antecipação de preços por agentes do mercado.

Para a Aprosoja, a situação exige monitoramento das autoridades. A entidade alertou para o risco de práticas abusivas em momentos de instabilidade e afirmou que aumentos injustificados podem elevar os custos de produção agrícola, encarecer o transporte de alimentos e pressionar a inflação.

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Custos agrícolas já pressionados

A preocupação com o combustível ocorre em um contexto de margens mais apertadas no campo. Os preços de várias commodities agrícolas permanecem abaixo dos níveis observados no mesmo período do ano passado. Em algumas regiões produtoras, a soja é negociada próxima de R$ 100 por saca, patamar considerado baixo para cobrir integralmente os custos de produção.

Nesse cenário, entidades do setor defendem medidas estruturais para reduzir a dependência do diesel fóssil importado. A CNA propôs antecipar o aumento da mistura obrigatória de biodiesel no combustível, elevando o percentual de 15% para 17%.

A estratégia já foi utilizada em momentos anteriores de volatilidade no mercado internacional de petróleo e pode ajudar a ampliar a oferta de combustível no mercado doméstico, além de reduzir a exposição a oscilações externas.

Fertilizantes e exportações também no radar

O encarecimento do petróleo também pressiona o mercado de fertilizantes nitrogenados, fortemente dependente de gás natural em sua produção. O Brasil importa parte relevante desses insumos de países do Oriente Médio, e dados monitorados pela CNA indicam que o preço da ureia já acumula alta próxima de 30% desde o início da escalada das tensões na região.

No comércio exterior, o setor também acompanha possíveis reflexos sobre as exportações de milho. O Irã é um dos principais destinos do cereal brasileiro e respondeu por cerca de 9 milhões de toneladas das compras externas do produto no último ano.

Embora os embarques mais relevantes ocorram apenas no segundo semestre, quando chega ao mercado a segunda safra, uma eventual prolongação da crise internacional pode afetar rotas comerciais, elevar custos logísticos e pressionar o preço do frete marítimo.

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Diante desse cenário, entidades do agronegócio defendem acompanhamento rigoroso do mercado de combustíveis e reforçam a necessidade de ampliar o uso de biocombustíveis como forma de fortalecer a segurança energética do setor agrícola brasileiro.

AÇÕES RÁPIDAS – O presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), afirmou que o momento exige resposta rápida do governo para evitar distorções no mercado de combustíveis em plena safra.

“Estamos no auge da colheita da soja e no plantio da segunda safra de milho, duas operações que dependem diretamente do diesel. Qualquer restrição de oferta ou aumento injustificado de preço impacta imediatamente o custo do produtor e pode comprometer o ritmo das operações no campo”, disse Isan.

Segundo ele, embora a volatilidade internacional do petróleo gere preocupação, não há justificativa para aumentos abruptos no mercado interno quando não há reajuste oficial do combustível. “Se não houve aumento autorizado e não existe informação de falta de produto nas refinarias ou nas distribuidoras, é preciso investigar o que está acontecendo na ponta. O produtor rural não pode pagar a conta de movimentos especulativos ou de oportunismo em um momento tão sensível do calendário agrícola”, afirmou.

Rezende também defendeu atuação mais firme das autoridades para garantir o abastecimento e proteger os produtores durante o período de colheita. “O governo precisa agir rapidamente para coibir práticas abusivas e assegurar que o diesel chegue ao campo com regularidade. Estamos falando de uma atividade essencial para o país. Se o produtor enfrenta dificuldade para colher e transportar a safra, toda a cadeia é afetada — da oferta de alimentos ao equilíbrio dos preços”, concluiu.

Fonte: Pensar Agro

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Fertilizantes: Rabobank reduz projeção para 2026 e alerta para impacto da inadimplência recorde no agro

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Inadimplência no campo e preços elevados devem reduzir consumo de fertilizantes

O mercado brasileiro de fertilizantes deverá enfrentar uma retração mais intensa em 2026 do que a prevista anteriormente. Em relatório divulgado nesta quarta-feira, o Rabobank revisou para baixo sua estimativa de vendas de adubos no país e apontou a inadimplência recorde dos produtores rurais como um dos principais fatores de pressão sobre a demanda.

A instituição projeta que as entregas de fertilizantes aos agricultores brasileiros somem 45,1 milhões de toneladas em 2026, o que representa uma queda de 8,2% em relação ao volume recorde registrado em 2025. Caso a previsão se confirme, será o menor volume comercializado desde 2022, período marcado pelos impactos da guerra entre Rússia e Ucrânia sobre o mercado global de insumos.

A nova estimativa é mais conservadora do que a divulgada em abril, quando o banco previa consumo de aproximadamente 47,2 milhões de toneladas.

Segundo o Rabobank, além dos preços ainda elevados dos fertilizantes, a situação financeira de muitos produtores brasileiros tem limitado a capacidade de investimento e comprometido a aquisição de insumos para a próxima safra.

Guerra no Oriente Médio afetou mercado global de fertilizantes

O relatório destaca que os reflexos da guerra envolvendo o Irã contribuíram para a elevação dos custos dos fertilizantes em 2026. O fechamento temporário do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de matérias-primas e insumos, provocou aumento dos preços internacionais e forte volatilidade nos mercados.

Embora haja sinais de normalização logística e avanços diplomáticos para reduzir as tensões na região, o banco avalia que os impactos sobre a demanda global já foram consolidados.

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No caso da ureia, um dos fertilizantes nitrogenados mais utilizados no mundo, os preços retornaram aos níveis observados antes do conflito. Ainda assim, o Rabobank destaca que o comportamento do mercado repetiu um padrão semelhante ao registrado em 2022.

De acordo com a análise, foram necessárias cerca de seis semanas para que os preços atingissem o pico após o início das tensões, seguidas por aproximadamente dez semanas para retornar aos patamares iniciais.

Já o fosfato monoamônico (MAP), um dos fertilizantes mais utilizados na agricultura brasileira, permanece negociado em níveis mais elevados, sustentando os custos de produção para diversas culturas.

Inadimplência recorde preocupa setor agropecuário

Outro ponto de atenção destacado pelo banco é o avanço da inadimplência no crédito rural.

Com base em dados do Banco Central referentes a abril, o Rabobank observa que a inadimplência nas operações contratadas a taxas de mercado alcançou 13,3% do volume financiado, um dos maiores níveis já registrados para o setor.

O cenário reforça as dificuldades enfrentadas por parte dos produtores rurais, especialmente em segmentos que vêm acumulando margens apertadas, custos elevados e dificuldades de acesso a novas linhas de crédito.

A combinação entre menor liquidez no campo e insumos ainda caros tende a limitar o potencial de recuperação da demanda por fertilizantes ao longo do próximo ano.

Rabobank prevê queda nas exportações de milho em 2026

Além do mercado de fertilizantes, o Rabobank revisou as perspectivas para o milho brasileiro e projetou redução nas exportações do cereal.

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A expectativa é de que os embarques nacionais atinjam 39 milhões de toneladas em 2026, volume cerca de 3 milhões de toneladas inferior ao registrado no ano anterior.

Entre os fatores que explicam a revisão estão a valorização do real frente ao dólar, que reduz a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional, e a forte concorrência de grandes exportadores, especialmente Estados Unidos e Argentina.

Os elevados custos do transporte rodoviário também continuam sendo um desafio para o setor exportador, reduzindo a competitividade logística do cereal brasileiro.

Demanda interna por milho deve seguir aquecida

Apesar da perspectiva menos favorável para as exportações, o consumo doméstico de milho deverá continuar avançando.

O Rabobank estima crescimento de 5% na demanda interna em 2026, alcançando cerca de 97 milhões de toneladas.

O principal motor desse avanço será o aumento do consumo pelas indústrias de ração animal e pelo setor de etanol de milho, que segue ampliando sua participação na matriz de biocombustíveis brasileira.

Diante desse cenário, o mercado agrícola brasileiro entra em 2026 com desafios relacionados ao crédito rural, custos de produção e competitividade internacional, enquanto busca equilibrar a demanda interna crescente com um ambiente global ainda marcado por incertezas econômicas e geopolíticas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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