Agro News

Fim da escala 6×1 pode elevar custos no agronegócio e gerar impacto bilionário

Publicado

A proposta de alteração da jornada de trabalho no Brasil, que prevê o possível fim da escala 6×1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias e descansa um — passou a ser debatida de forma mais intensa no Congresso Nacional e já levanta preocupações em diversos setores produtivos. Estudos preliminares indicam que a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas pode gerar impactos financeiros relevantes, principalmente no agronegócio.

O tema foi discutido em audiência pública na Câmara dos Deputados, no âmbito da análise da PEC 221 de 2019, que trata da redução da jornada de trabalho no país. O encontro reuniu representantes do governo, parlamentares e entidades setoriais para avaliar os possíveis efeitos econômicos da medida.

Estudo do Ministério do Trabalho aponta impacto acima da média em alguns setores

Levantamento preliminar apresentado pelo Ministério do Trabalho e Emprego aponta que a redução da jornada semanal pode gerar impacto médio de 4,7% sobre a massa de rendimentos da economia brasileira.

No entanto, alguns setores podem enfrentar custos mais elevados. De acordo com os dados apresentados durante a audiência, os impactos estimados são os seguintes:

  • Transporte aquaviário e indústria de alimentos: cerca de 10,5%
  • Agropecuária, construção civil e comércio: entre 7,8% e 8,6%
  • Setor de serviços: aproximadamente 1,6%

As informações foram detalhadas pela subsecretária de Estatística e Estudos do Trabalho do ministério, Paula Montagner, que ressaltou que o cálculo considera apenas o impacto direto sobre a massa salarial e não inclui os custos de novas contratações que podem ser necessárias para manter os níveis atuais de produção.

Agronegócio estima impacto bilionário com a redução da jornada

Representantes da Frente Parlamentar da Agropecuária destacaram que os impactos para o setor agropecuário podem ser ainda maiores quando consideradas as necessidades operacionais das atividades produtivas.

Leia mais:  Remates oficiais da ABHB registram alta histórica de 115% nas fêmeas Hereford em 2025

Estudos apresentados por segmentos do agronegócio apontam estimativas de custos adicionais significativos:

  • Produção de etanol: aumento de custos entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões, devido à necessidade de novas contratações para manter a produtividade.
  • Setor de proteína suína e avícola: impacto estimado em até R$ 9 bilhões.
  • Cooperativas agroindustriais: custos adicionais de aproximadamente R$ 2,5 bilhões.

Para integrantes da bancada ruralista, o debate precisa considerar as particularidades regionais e operacionais do setor, que muitas vezes depende de jornadas adaptadas ao ciclo produtivo.

Governo reconhece impacto, mas defende avanço da discussão

Durante a audiência pública, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, reconheceu que a proposta pode gerar aumento de custos para alguns setores, mas afirmou que o impacto não deve ser impeditivo para o avanço da discussão.

Segundo ele, o governo está aberto ao diálogo com representantes empresariais e trabalhadores para aprofundar a análise dos efeitos da medida.

O ministro também afirmou que estudos indicam que a redução da jornada pode trazer ganhos de produtividade, o que ajudaria a compensar parte dos custos adicionais ao longo do tempo.

Parlamentares cobram esclarecimentos sobre impactos no emprego

Durante o debate na Câmara, parlamentares ligados ao setor produtivo apresentaram questionamentos sobre os efeitos da proposta no mercado de trabalho.

O deputado Maurício Marcon questionou se a redução da jornada poderia levar empresas a substituir trabalhadores ou realizar demissões para reduzir custos operacionais.

Já a deputada Julia Zanatta criticou a proposta e afirmou que a redução da jornada pode ampliar a pressão sobre empresas em um cenário de aumento de despesas e carga tributária elevada.

O deputado Luiz Gastão também alertou que os impactos podem ser mais severos para micro e pequenas empresas, que possuem menor capacidade de absorver novos custos.

A deputada Gisela Simona questionou a intenção do governo de inserir mudanças relacionadas à jornada de trabalho diretamente na Constituição.

Leia mais:  Preços do frango recuam no atacado diante de excesso de oferta no mercado brasileiro
Comissão da Câmara realizará novas audiências sobre o tema

A audiência realizada na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara foi a primeira de um ciclo de debates sobre a proposta.

Novas audiências públicas devem contar com a participação de representantes do governo e de entidades do setor produtivo e sindical, entre eles:

o ministro da Fazenda, Fernando Haddad;

  • representantes das centrais sindicais Central Única dos Trabalhadores, União Geral dos Trabalhadores e Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil;
  • representantes de entidades empresariais como Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo e Confederação Nacional da Indústria.
Debate ocorre em meio à preocupação com custos e produtividade na economia

A discussão sobre a jornada de trabalho ocorre em um momento de atenção à dinâmica da economia brasileira. O Banco Central do Brasil tem destacado em suas comunicações recentes que fatores como produtividade, custos trabalhistas e mercado de trabalho influenciam diretamente o comportamento da inflação e o ritmo da atividade econômica.

Mudanças estruturais nas regras trabalhistas, como a redução da jornada semanal, também são consideradas elementos capazes de impactar a organização do mercado de trabalho e a competitividade dos setores produtivos.

Entidades defendem debate técnico e cauteloso

Nos últimos meses, o tema ganhou maior destaque no Congresso Nacional. Parlamentares e entidades do setor produtivo têm defendido que eventuais mudanças sejam discutidas com base em estudos técnicos e amplo diálogo entre governo, trabalhadores e empresas.

Na semana passada, mais de 100 entidades representativas da economia brasileira divulgaram um manifesto defendendo que qualquer alteração na jornada de trabalho leve em consideração:

  • preservação do emprego formal;
  • combate à informalidade;
  • estímulo ao aumento da produtividade;
  • respeito às diferenças entre setores da economia;
  • fortalecimento da negociação coletiva.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
publicidade

Agro News

Safra da Lagosta 2026: limite de captura, monitoramento e controle

Publicado

Os Ministérios da Pesca e Aquicultura (MPA) e Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) publicaram a Portaria Interministerial MPA/MMA 56, DE 30 DE ABRIL DE 2026 que estabelece o limite de captura para a pesca da lagosta vermelha (Panulirus argus) e da lagosta verde (Panulirus laevicauda), e as medidas de monitoramento e controle dessa pesca para o ano de 2026 – além de alterar a Portaria nº 221/2021 da Secretaria de Aquicultura e Pesca do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. 

Fica estabelecido o limite máximo de 6.192 toneladas para a pesca de ambas as espécies citadas acima, em todo o território nacional no ano de 2025 nas modalidades de permissionamento 5.1, 5.2, 5.3 e 5.4 da Instrução Normativa Interministerial MPA/MMA nº 10/2011.

Atenção: esse limite máximo engloba a soma de captura das duas espécies.

Ainda, o tamanho mínimo para captura da lagosta vermelha é: 13 cm de comprimento da cauda e 7,5 cm de comprimento do cefalotórax, e da lagosta verde: 11 cm de comprimento da cauda e 6,5 cm de comprimento do cefalotórax. As lagostas somente poderão ser armazenadas a bordo, desembarcadas, transportadas e entregues às empresas pesqueiras se estiverem vivas.

Leia mais:  Preços do frango recuam no atacado diante de excesso de oferta no mercado brasileiro

Monitoramento

O monitoramento do limite máximo de captura das lagostas será realizado por meio da “Declaração de entrada de lagosta em Empresa Pesqueira”, conforme oAnexo I da portaria.

A empresa pesqueira que adquirir lagosta deverá informar o recebimento da produção, por meio da declaração, em até 3 dias úteis, a contar da data constante na nota de produtor, nota fiscal de primeira venda ou da nota de entrada na empresa.

A declaração de entrada de lagosta deverá ser preenchida e enviada por meio de formulário eletrônico disponível no portal eletrônico oficial do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima no endereço https://lagosta.mma.gov.br.

Durante a temporada de pesca de 2025 para a captura das lagostas, será disponibilizado, no portal eletrônico do Ministério da Pesca e Aquicultura em: Menu principal > Assuntos > Pesca > Principais Recursos Pesqueiros > Lagosta, o painel de acompanhamento das capturas.

A captura será encerrada quando for atingido 95% do limite, com divulgação no portal eletrônico e redes sociais do MPA.

 

Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura

Leia mais:  Remates oficiais da ABHB registram alta histórica de 115% nas fêmeas Hereford em 2025

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana