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Produção de grãos do Paraná cresce e deve atingir 22,3 milhões de toneladas em 2026, aponta IBGE

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Safra de grãos do Paraná tem revisão positiva na estimativa

A produção de grãos do Paraná deve crescer em 306,4 mil toneladas em relação à projeção divulgada em fevereiro, segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

A revisão coloca o estado entre os que tiveram maior aumento na estimativa de produção no país. O Paraná registra a quarta maior alta nacional, atrás da Bahia (652,2 mil toneladas), Goiás (424 mil toneladas) e Minas Gerais (321,2 mil toneladas).

Já a maior queda na projeção ocorreu no Rio Grande do Sul, com redução de 359.430 toneladas.

Paraná deve ter a segunda maior produção de grãos do país

De acordo com o levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Paraná deve colher 22,3 milhões de toneladas de grãos em 2026, volume 4,3% superior ao registrado em 2025.

Com esse resultado, o estado deve manter a posição de segundo maior produtor de grãos do Brasil, respondendo por 13,9% da produção nacional.

A liderança nacional permanece com o Mato Grosso, cuja produção é estimada em 48,5 milhões de toneladas. Em terceiro lugar aparece o Mato Grosso do Sul, com expectativa de 15 milhões de toneladas, crescimento de 14% em relação ao ano passado.

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Produção nacional de grãos deve chegar a 344,1 milhões de toneladas

No cenário nacional, a estimativa para a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2026 é de 344,1 milhões de toneladas.

Esse volume representa uma queda de 0,6% em relação à safra de 2025, quando foram colhidas 346,1 milhões de toneladas.

Já a área total a ser colhida deve alcançar 82,9 milhões de hectares, crescimento de 1,6% na comparação anual. Em relação à estimativa de janeiro, a área teve aumento de 0,3%.

Soja lidera crescimento da produção agrícola no Paraná

Entre as principais culturas do estado, a soja segue como destaque. A produção paranaense da oleaginosa deve atingir 22,3 milhões de toneladas, mantendo o estado como segundo maior produtor do país.

No cenário nacional, a safra de soja deve alcançar 173,3 milhões de toneladas em 2026, estabelecendo novo recorde na série histórica. O volume representa aumento de 0,4% em relação à estimativa de janeiro e 4,3% acima do total produzido em 2025.

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Produção de milho também apresenta crescimento

O milho também registra avanço no estado. O Paraná, segundo maior produtor nacional da cultura, apresenta crescimento de 1,6% na área cultivada.

A produção estimada é de 17,5 milhões de toneladas, com rendimento médio de 6.125 quilos por hectare. O estado responde por 16,6% da produção nacional de milho.

Paraná mantém liderança nacional na produção de feijão

No caso do feijão, o Paraná continua ocupando a posição de maior produtor do país.

A estimativa para as três safras da leguminosa no Brasil é de 3 milhões de toneladas. Desse total, o Paraná deve produzir 688,4 mil toneladas, o equivalente a 22,9% da produção nacional.

Na sequência aparecem:

  • Minas Gerais, com 514,1 mil toneladas (17,1%)
  • Goiás, com 364,9 mil toneladas
  • Mato Grosso, com 363,4 mil toneladas

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas

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A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.

Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.

“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.

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“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.

Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.

A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.

O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.

A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.

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O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.

As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.

A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.

O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.

Fonte: Pensar Agro

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