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Soja e China: integração silenciosa redefine o papel do Brasil na cadeia global

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Relação Brasil-China vai além da exportação de commodities

O papel do Brasil no comércio global de soja é mais complexo do que a simples exportação de matéria-prima. A avaliação é do estrategista Carlos Alberto Tavares Ferreira, fundador da Carbon Zero, que aponta uma leitura equivocada sobre a relação comercial entre Brasil e China.

Segundo ele, o país asiático absorve entre 70% e 80% das exportações brasileiras de soja, consolidando-se como principal destino da produção nacional. No entanto, essa relação envolve uma estrutura mais ampla, que vai além da compra do produto.

Presença chinesa cresce em toda a cadeia do agronegócio

Empresas ligadas à China vêm ampliando sua atuação em diferentes etapas da cadeia produtiva no Brasil. A COFCO Corporation, por exemplo, já responde por cerca de 10% a 15% das exportações de grãos do país, posicionando-se entre as principais tradings em operação.

Ao mesmo tempo, a China Merchants Port mantém participações relevantes em terminais portuários na América Latina, incluindo ativos estratégicos no Brasil, fortalecendo sua atuação na logística de escoamento.

Estratégia de integração vertical ganha força desde 2017

O avanço chinês segue uma lógica de integração vertical iniciada na última década, conectando diferentes elos do agronegócio — da produção à exportação.

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Entre os principais movimentos, destacam-se:

  • A aquisição da Nidera e da Noble Group Agri, concluída em 2017;
  • A compra da Syngenta pela ChemChina, em uma operação de US$ 43 bilhões.

Essas iniciativas ampliam o controle sobre trading, insumos, tecnologia e infraestrutura, consolidando uma presença estratégica na cadeia global de alimentos.

Produtor brasileiro perde controle sobre a cadeia

Na prática, o produtor brasileiro segue responsável pelo cultivo e, em muitos casos, por parte do financiamento da produção. No entanto, depende de estruturas dominadas por capital estrangeiro para comercialização e logística.

Esse modelo resulta em uma participação ativa na produção, mas sem controle sobre o sistema como um todo, o que limita o poder de decisão e influência do Brasil dentro da cadeia global.

Investimentos em infraestrutura ampliam influência

Os investimentos chineses em infraestrutura portuária ao redor do mundo já superam US$ 20 bilhões, incluindo projetos estratégicos que impactam diretamente o escoamento da produção brasileira.

Entre os exemplos estão:

  • Participações em portos na América Latina;
  • Expansão de corredores logísticos;
  • Projetos como a ferrovia bioceânica, ligando Brasil ao Peru.
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Embora essas iniciativas contribuam para reduzir custos logísticos, também ampliam a influência externa sobre a cadeia produtiva do agronegócio.

Impactos na formação de preços e competitividade

A concentração de diferentes funções — produção, logística, trading e tecnologia — em um mesmo grupo tende a estruturar o mercado, reduzindo sua dinâmica plenamente competitiva.

Esse cenário impacta diretamente a formação de preços e pode limitar a autonomia do Brasil na definição de estratégias comerciais.

Desafio estratégico: compreender o novo papel do Brasil

Para especialistas, o principal desafio do país está na forma como essa relação é interpretada. Ainda vista por muitos como uma simples exportação de commodities, ela representa, na prática, a inserção do Brasil em uma cadeia global com forte influência externa.

O entendimento desse modelo é considerado essencial para o desenvolvimento de políticas e estratégias que ampliem a competitividade e a autonomia do agronegócio brasileiro no longo prazo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Adiada votação do projeto que cria incentivos às indústrias de fertilizantes

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O Senado adiou para a primeira semana de agosto a votação do projeto que cria o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert). Prevista para esta terça-feira (14.07), a análise foi transferida após um acordo entre parlamentares e o governo para ajustar pontos fiscais e jurídicos da proposta.

O Profert pretende estimular a implantação de novas fábricas e a ampliação ou modernização das unidades existentes. A medida é considerada estratégica para reduzir a dependência brasileira do mercado externo. O País importa mais de 80% dos fertilizantes utilizados nas lavouras, situação que deixa os produtores expostos à variação cambial, ao aumento dos fretes e a conflitos internacionais.

O projeto, de autoria do senador Laércio Oliveira, já foi aprovado pelo Senado, mas retornou à Casa depois de receber alterações na Câmara dos Deputados. O texto passou a incluir, além dos fertilizantes minerais, sintéticos e orgânicos, bioinsumos, biofertilizantes, remineralizadores e as matérias-primas usadas na fabricação desses produtos.

A versão aprovada pelos deputados também cria o Fundo de Estímulo à Produção Nacional de Fertilizantes, destinado ao financiamento de projetos, e estabelece mecanismos de crédito fiscal e de financiamento de longo prazo.

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O adiamento permitirá a apresentação de um projeto de lei complementar para corrigir possíveis problemas de constitucionalidade e adequar as renúncias tributárias às regras fiscais. A líder do governo no Senado, Teresa Leitão, afirmou que as duas propostas deverão ser analisadas conjuntamente.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, confirmou que o Profert e o projeto complementar serão votados no mesmo dia. A intenção é encaminhar as duas matérias simultaneamente à sanção presidencial, caso sejam aprovadas.

Durante a sessão, Laércio Oliveira criticou a condução das negociações pelo Ministério do Planejamento e Orçamento. Segundo o senador, o ministro Bruno Moretti deixou uma reunião convocada para discutir o projeto após divergências sobre o conteúdo da proposta. Laércio classificou a atitude como desrespeitosa e disse que permaneceu no encontro com Teresa Leitão.

Pelo texto em discussão, empresas habilitadas no Profert poderão adquirir máquinas, equipamentos, instrumentos e materiais de construção destinados aos projetos sem a cobrança de PIS/Pasep, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e Imposto de Importação. Conforme o tipo de operação, os benefícios poderão ser concedidos por suspensão do pagamento, redução da alíquota a zero ou isenção.

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A proposta também alcança serviços vinculados aos empreendimentos e prevê instrumentos para ampliar o acesso a recursos privados. A concessão dos incentivos, no entanto, dependerá da aprovação dos projetos pelo Poder Executivo e do cumprimento das exigências fiscais estabelecidas na futura regulamentação.

Relatora da matéria, a senadora Tereza Cristina defendeu o fortalecimento da produção doméstica. Ela reconheceu que o Brasil dificilmente alcançará a autossuficiência, mas afirmou que ampliar a oferta nacional é necessário para reduzir os riscos enfrentados pela agropecuária em períodos de instabilidade internacional.

Com o acordo, o projeto permanece em regime de urgência e deverá retornar à pauta após o recesso parlamentar. As informações sobre o adiamento e o acordo para a votação conjunta foram confirmadas pelo Senado Federal.

Fonte: Pensar Agro

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