Agro News

Mercado de bioinsumos cresce 15% e supera R$ 6,2 bilhões em 2025, com avanço recorde da área tratada

Publicado

O mercado de bioinsumos no Brasil registrou um desempenho histórico em 2025, superando R$ 6,2 bilhões em vendas, o que representa um crescimento de 15% em relação ao ano anterior. No mesmo período, a área tratada com insumos biológicos atingiu 194 milhões de hectares, avanço de 28% na comparação com 2024.

O crescimento reflete a consolidação do uso de tecnologias biológicas no campo, impulsionadas principalmente pelo manejo integrado de pragas e pela demanda por práticas mais sustentáveis na produção agrícola.

Os dados foram divulgados pela CropLife Brasil (CLB) e estão disponíveis na plataforma CropData, que reúne informações e análises sobre o setor.

Bioinsumos ganham espaço diante de desafios econômicos e ambientais

O avanço dos bioinsumos ocorre em um cenário desafiador para o produtor rural, marcado por volatilidade nos preços das commodities, custos elevados e taxas de juros mais altas.

Além dos fatores econômicos, há também uma pressão crescente por soluções mais sustentáveis no campo, o que tem acelerado a adoção de tecnologias biológicas.

Segundo a CropLife Brasil, os bioinsumos vêm se consolidando como uma alternativa viável e integrada dentro dos sistemas produtivos, contribuindo para uma agricultura mais eficiente e de menor impacto ambiental.

Expansão do setor é impulsionada por inovação e manejo integrado

O crescimento do mercado está diretamente ligado a um conjunto de fatores estruturais, como:

  • Expansão e profissionalização da indústria de bioinsumos
  • Necessidade de controle de pragas resistentes
  • Integração entre defensivos químicos e biológicos
  • Busca por maior sustentabilidade nas lavouras
  • Aumento da adoção pelos produtores, com uso recorrente e combinado
Leia mais:  Economia de Mato Grosso cresceu mais de mil por cento nos últimos 20 anos

Esse movimento reforça a transição para modelos produtivos mais equilibrados e eficientes no campo.

Segmentos: inoculantes lideram em área e biofungicidas avançam em valor

O setor de bioinsumos é dividido em quatro principais segmentos: biofungicidas, bioinseticidas, bionematicidas e inoculantes.

Área tratada em 2025:

  • Inoculantes: 40%
  • Bioinseticidas: 24%
  • Bionematicidas: 23%
  • Biofungicidas: 13%

Os inoculantes, compostos por bactérias fixadoras de nitrogênio, estiveram presentes em 77 milhões de hectares, destacando seu papel na redução de emissões e na promoção de uma agricultura de baixo carbono.

O maior crescimento em área foi registrado pelos bionematicidas, que avançaram cerca de 60% entre 2024 e 2025, adicionando 16 milhões de hectares e consolidando sua presença no manejo agrícola.

Já em termos de valor de mercado, a distribuição foi diferente:

  • Bioinseticidas: 35%
  • Bionematicidas: 30%
  • Biofungicidas: 22%
  • Inoculantes: 13%

O destaque ficou para os biofungicidas, que cresceram 41% em valor, atingindo R$ 1,4 bilhão, com uso ampliado no controle de doenças como mofo branco e ferrugem.

Soja, milho e cana lideram uso de bioinsumos no Brasil

Entre as principais culturas agrícolas, a soja concentra a maior adoção de bioinsumos, com 62% da área tratada. Na sequência aparecem:

  • Milho: 22%
  • Cana-de-açúcar: 10%
  • Outras culturas (algodão, café, citrus e hortifruti): 6%
Leia mais:  MPA participa da abertura da COP15 sobre espécies migratórias em Campo Grande (MS)

A forte presença da soja está diretamente relacionada ao uso intensivo de inoculantes, tecnologia amplamente consolidada na cultura.

Mato Grosso lidera adoção; São Paulo e Goiás na sequência

No recorte regional, Mato Grosso é o estado com maior utilização de bioinsumos, impulsionado pela produção de soja, onde cerca de 90% da área utiliza inoculantes.

Na sequência aparecem:

  • São Paulo: 17% da área tratada, com destaque para cana-de-açúcar e citros
  • Goiás: 14%
  • Região do MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia): 11%

O avanço nessas regiões acompanha a expansão agrícola e a intensificação do uso de tecnologias sustentáveis.

bioinsumo-infografico

Perspectiva é de crescimento contínuo no uso de biológicos

O desempenho de 2025 reforça que os bioinsumos deixaram de ser tendência e se consolidam como uma realidade no campo brasileiro.

O crescimento acelerado da área tratada e do valor de mercado demonstra a confiança do produtor rural na tecnologia, que passa a integrar de forma definitiva os sistemas de produção.

A expectativa do setor é de continuidade dessa expansão, com os bioinsumos desempenhando papel cada vez mais relevante na produtividade e sustentabilidade da agricultura brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
publicidade

Agro News

Produção recorde de leite impulsiona digitalização e novas estratégias no setor de laticínios

Publicado

O setor de laticínios brasileiro atravessa um novo ciclo de expansão, impulsionado pelo avanço da produção de leite e pela crescente demanda por alimentos frescos. Dados do IBGE apontam que a aquisição de leite cru alcançou 27,51 bilhões de litros em 2025, volume recorde da série histórica e 8,5% superior ao registrado no ano anterior. Apenas no quarto trimestre, foram captados 7,36 bilhões de litros, alta anual de 8,6%.

O crescimento reforça o potencial competitivo da cadeia leiteira nacional, mas também amplia os desafios logísticos e operacionais do setor. Com um produto altamente perecível, a eficiência na distribuição se torna fator decisivo para evitar perdas, garantir qualidade e equilibrar produção e consumo.

Cadeia do leite enfrenta desafios com aumento da oferta

Ao contrário de outras categorias alimentícias, o leite exige uma operação logística extremamente sincronizada. Oscilações entre oferta e demanda podem gerar desperdícios significativos, seja pela falta de produtos em períodos de maior consumo ou pelo descarte causado pelo excesso de produção.

Além disso, o comportamento do consumidor brasileiro também vem mudando. A busca por produtos mais naturais, frescos e com origem conhecida impulsiona modelos de comercialização mais diretos.

Pesquisa “Do prato ao copo”, realizada pela MindMiners, mostra que 33% dos brasileiros afirmam consumir mais alimentos naturais ou in natura, enquanto 53% alternam entre produtos naturais e industrializados. Entre as bebidas não alcoólicas, 38% priorizam opções consideradas mais naturais.

Nesse cenário, a tradicional entrega de leite em domicílio volta a ganhar espaço, agora impulsionada pela tecnologia.

Leia mais:  Produção de café 2025 deve atingir 55,2 milhões de sacas, aponta Conab
Modelo de entrega domiciliar ganha nova força com digitalização

Durante décadas, o sistema de entrega de leite na porta de casa operou com base em rotas fixas, pedidos recorrentes e relacionamento direto entre distribuidores e consumidores. Embora eficiente, o modelo tinha limitações operacionais e baixa integração de dados.

Com a digitalização da cadeia, empresas do setor começam a transformar essa dinâmica, integrando pedidos, pagamentos, logística e gestão em plataformas unificadas.

Segundo a CEO da Food2C, Einat Eisler Carasso, o avanço tecnológico permite modernizar um formato tradicional sem alterar sua essência.

“A digitalização traz previsibilidade, organização e controle para uma operação que historicamente dependia de processos manuais. Em uma cadeia como a de lácteos, na qual perecibilidade e margem caminham juntas, reduzir ineficiências é fundamental”, afirma.

Compra recorrente melhora previsibilidade e reduz desperdícios

Entre os principais avanços proporcionados pela digitalização está a adoção de modelos de compra recorrente e assinaturas. Com entregas programadas, as empresas conseguem prever melhor a demanda e ajustar a produção com mais precisão.

A estratégia reduz desperdícios, melhora o abastecimento e fortalece a fidelização dos consumidores.

“A recorrência muda completamente a operação. Quando existe previsibilidade de consumo, toda a cadeia consegue atuar com mais eficiência, desde a produção até a entrega final. Isso também melhora a experiência do consumidor, que recebe produtos mais frescos e com regularidade”, destaca Einat.

Além da previsibilidade, o modelo aumenta a segurança de abastecimento para o consumidor, reduzindo o risco de falta de produtos no dia a dia.

Digitalização transforma operação de empresas tradicionais

O movimento já começa a ganhar força entre empresas consolidadas do setor. A Fazenda Bela Vista, que atua há mais de 30 anos com entrega domiciliar de leite e produtos frescos, modernizou recentemente sua operação ao substituir processos descentralizados por uma plataforma integrada.

Leia mais:  Exportações brasileiras de ovos disparam 305% em julho, revela ABPA

Com a mudança, pedidos, pagamentos e informações passaram a ser gerenciados em um único ambiente digital, conectando distribuidores, consumidores e indústria.

Segundo o diretor comercial da empresa, Paulo Passarini, a digitalização elevou o nível de eficiência operacional sem comprometer a proximidade com o cliente.

“A entrega domiciliar sempre fez parte da nossa história, mas a tecnologia trouxe mais organização, controle e capacidade de planejamento. Hoje conseguimos operar com mais eficiência e oferecer uma experiência mais consistente ao consumidor”, explica.

Dados e tecnologia fortalecem eficiência na cadeia de lácteos

Outro benefício da transformação digital está no acesso a informações mais precisas sobre hábitos de consumo, comportamento dos clientes e demanda regionalizada.

Com dados centralizados, as empresas conseguem ajustar ofertas, otimizar estoques e estruturar rotas de entrega de forma mais inteligente, reduzindo custos logísticos e desperdícios ao longo da cadeia.

Para especialistas do setor, a tecnologia tende a se consolidar como um dos principais vetores de competitividade da cadeia leiteira brasileira nos próximos anos.

Com a produção em crescimento e o consumo cada vez mais conectado à conveniência e à qualidade, modelos digitais devem ganhar relevância tanto na indústria quanto na distribuição.

“Existe uma grande oportunidade de modernizar a distribuição de alimentos no Brasil sem romper com modelos já consolidados. A tecnologia atua justamente como ponte entre produção, logística e consumidor final”, conclui Einat.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana