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Estudo aponta falhas sanitárias na carne bovina e alerta para riscos à saúde no Brasil

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Um estudo realizado por pesquisadoras da Universidade Federal de Mato Grosso revelou a necessidade de melhorias no controle sanitário da carne bovina no Brasil, desde o abate até a comercialização. A pesquisa identificou falhas importantes na conservação do produto e riscos microbiológicos que podem impactar a saúde pública.

Pesquisa analisou mais de uma década de estudos

Intitulado “Contaminação Microbiana na Carne Bovina Brasileira”, o levantamento consistiu em uma revisão sistemática de 69 artigos científicos publicados entre 2012 e 2023.

O estudo foi desenvolvido no campus Araguaia da Universidade Federal de Mato Grosso, como trabalho de iniciação científica no curso de Ciências Biológicas, e publicado na Revista de Ciências Agroveterinárias.

A análise concentrou-se principalmente nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul, permitindo identificar padrões recorrentes de contaminação em diferentes contextos produtivos.

Falhas na cadeia de frio são principais problemas

Um dos pontos mais críticos identificados pela pesquisa é a quebra da cadeia de frio durante a comercialização da carne bovina.

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A legislação brasileira estabelece que o produto deve ser mantido a temperaturas de até 7 °C. No entanto, o estudo encontrou estabelecimentos comercializando carne em temperaturas muito superiores, com registros de até 25,5 °C.

Segundo as pesquisadoras, essa falha favorece a proliferação de microrganismos, compromete a qualidade do alimento e aumenta o risco de doenças gastrointestinais.

Alterações no pH indicam deterioração da carne

Outro problema observado foi a presença de carne com pH fora do padrão ideal, que varia entre 5,4 e 5,8.

Essas alterações indicam processos de deterioração ou crescimento microbiano, afetando diretamente a qualidade e a segurança do produto para o consumo.

Presença de bactérias representa risco à saúde

Entre os principais patógenos identificados no estudo estão bactérias dos gêneros Salmonella e Listeria, frequentemente associadas a doenças alimentares.

  • A infecção por Salmonella pode causar sintomas como dor abdominal, diarreia e febre
  • Já a Listeria está associada a quadros mais graves, podendo provocar infecções no sistema nervoso central, abortos e até septicemia

Além dos riscos à saúde, essas bactérias também alteram características físico-químicas da carne, como cor e pH.

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Contaminação está ligada à higiene inadequada

De acordo com a pesquisa, a contaminação da carne bovina ocorre principalmente por falhas no manejo sanitário, incluindo:

  • Higiene inadequada durante a manipulação
  • Contato com conteúdo gastrointestinal do animal no momento do abate
  • Uso de equipamentos mal higienizados
Recomendações para reduzir riscos ao consumidor

Para minimizar os riscos à saúde, as pesquisadoras destacam três pontos essenciais:

  • Cadeia de frio: garantir refrigeração contínua desde o abate até o preparo
  • Higiene na compra: observar a limpeza do local e priorizar carnes industrializadas e embaladas
  • Cuidados domésticos: manter armazenamento adequado e higiene rigorosa no preparo

O estudo reforça a importância do controle sanitário ao longo de toda a cadeia produtiva da carne bovina, destacando a necessidade de fiscalização mais eficiente e de boas práticas por parte de produtores, comerciantes e consumidores.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Itália acelera importação de frutas tropicais e entra na disputa global por manga e abacate

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Mercado de frutas tropicais cresce e impulsiona nova estratégia agrícola na Itália

O crescimento do mercado global de frutas tropicais vem redesenhando a dinâmica do agronegócio europeu e posicionando a Itália como um dos principais polos emergentes de consumo e importação de manga e abacate. O movimento ganhou destaque durante o último dia da Macfrut 2026, realizada em Rimini, onde especialistas, varejistas e pesquisadores discutiram o avanço dessas culturas.

O interesse crescente do consumidor europeu e o aumento dos investimentos ao longo da cadeia produtiva têm ampliado as oportunidades para países produtores e também para regiões italianas, especialmente o Sul do país, que avalia a expansão do cultivo em meio às mudanças climáticas.

Importações crescem mais de 400% e consolidam novo padrão de consumo

Durante o seminário “Mango and Avocado Explosion”, o diretor da Fruitimprese, Pietro Mauro, apresentou dados que evidenciam a forte expansão do mercado italiano.

A Itália já ocupa a 7ª posição entre os maiores importadores de manga da Europa, com crescimento de 412% em volume entre 2011 e 2025 e alta de 556% em valor no mesmo período. Nos últimos cinco anos, o avanço foi de 80% em volume e 67% em valor.

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No caso do abacate, o país figura como o 5º maior importador europeu, com expansão de 367% em volume nos últimos 15 anos e salto de 700% em valor. Entre 2020 e 2025, o crescimento foi de 142% em volume e 144% em valor.

Consumo interno confirma tendência de expansão

O aumento da demanda também se reflete no comportamento do consumidor italiano. Entre 2024 e 2025, as compras de manga cresceram 67% em volume e 60% em valor, mesmo com leve queda de 4% nos preços.

Já o abacate apresentou desempenho ainda mais expressivo, com alta de 39% em volume e 40% em valor, enquanto os preços permaneceram praticamente estáveis, indicando maior acessibilidade e consolidação do produto no mercado.

Produção no Sul da Itália pode ganhar força com clima favorável

Segundo o professor Paolo Inglese, do Departamento de Ciências Agrárias, Alimentares e Florestais da Universidade de Palermo, o avanço das culturas tropicais na Itália — especialmente na Sicília — pode estruturar uma cadeia produtiva mais competitiva.

A estratégia estaria baseada em três pilares: qualidade, cadeias curtas de distribuição e sustentação de preços. No entanto, o especialista alerta que o setor ainda enfrenta desafios relacionados à mudança climática e à adaptação das culturas tropicais ao ambiente mediterrâneo.

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Varejo amplia participação de manga e abacate nas gôndolas

No setor de varejo, o crescimento das frutas tropicais também já é evidente. Representantes da Coop e da Conad destacaram a forte expansão das vendas.

Segundo Fabio Ferrari, responsável nacional pelo setor de frutas e importação da Coop, o abacate registrou crescimento de 60% em volume nos últimos quatro anos.

Já Nicola Buoso, comprador sênior de frutas exóticas da Conad, destacou que o abacate já ultrapassou o abacaxi em faturamento dentro da categoria de frutas exóticas, consolidando sua posição como um dos produtos mais relevantes do segmento.

Tendência global reforça nova fronteira do agronegócio

Os dados apresentados na Macfrut 2026 reforçam que manga e abacate deixaram de ser produtos de nicho na Europa e passaram a integrar um mercado em plena expansão.

Com o avanço do consumo, o crescimento das importações e o interesse em produção local, a Itália se consolida como um dos novos centros estratégicos da cadeia global de frutas tropicais.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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