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Mercado de café oscila com pressão da colheita no Brasil, aumento da oferta global e volatilidade nas bolsas

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Proximidade da colheita pressiona preços no mercado interno

A aproximação da colheita de café no Brasil já começa a impactar os preços, mesmo com a intensificação dos trabalhos prevista apenas para meados de maio. Levantamentos do Cepea indicam que as cotações do café arábica vêm registrando quedas na maior parte dos dias desde o fim de março.

No caso do robusta, cuja colheita inicial ocorre entre abril e maio, a pressão é ainda mais evidente no mercado interno. A liquidez segue limitada, com produtores negociando volumes pontuais, principalmente para cumprir compromissos de curto prazo e se preparar financeiramente para o início da safra.

Mercado internacional reage após queda, mas cenário segue cauteloso

Após um tombo expressivo nas bolsas internacionais, o mercado do café iniciou a sessão desta quarta-feira (8) com recuperação técnica. Na Bolsa de Nova York, os contratos de arábica abriram em alta, com ganhos superiores a 300 pontos nos principais vencimentos.

Em Londres, o robusta também apresentou valorização, acompanhando o movimento de recomposição após a forte liquidação do dia anterior. Apesar disso, o ambiente segue marcado pela cautela, com investidores atentos ao avanço da safra brasileira e às perspectivas de aumento da oferta global.

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Expectativa de safra recorde no Brasil amplia pressão

O principal fator de pressão sobre os preços é a expectativa de uma safra robusta no Brasil. Para o ciclo 2026/27, a produção pode se aproximar de 75 milhões de sacas, representando crescimento superior a 20% em relação ao ano anterior.

Esse avanço é impulsionado pela recuperação das condições climáticas e ganhos de produtividade, especialmente no café robusta. Projeções de mercado indicam que a produção de arábica pode variar entre 46,5 e 49 milhões de sacas, contribuindo para um possível superávit global.

Com a entrada dos primeiros volumes da colheita entre abril e maio, a tendência é de maior oferta no curto prazo, o que limita reações mais consistentes nos preços.

Queda acentuada reflete oferta global e fatores externos

Na sessão anterior, a Bolsa de Nova York registrou forte queda nas cotações do café arábica, que atingiram os níveis mais baixos em cerca de um mês. Os contratos com vencimento em maio de 2026 recuaram 4%, refletindo o aumento da oferta global e a expectativa de safra elevada no Brasil.

Além disso, fatores externos também influenciaram o mercado, como a valorização do dólar frente ao real e o aumento da aversão ao risco diante de tensões geopolíticas no Oriente Médio.

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Exportações e oferta global reforçam cenário de pressão

O cenário de maior disponibilidade global também é influenciado pelo desempenho de outros países produtores. Em Honduras, por exemplo, as exportações de café cresceram 29,6% em março na comparação anual, totalizando cerca de 1,4 milhão de sacas.

Maior produtor da América Central, o país exportou 6,1 milhões de sacas na safra anterior, reforçando o aumento da oferta global e contribuindo para a pressão sobre os preços internacionais.

Volatilidade deve marcar o curto prazo

Apesar do cenário de oferta elevada, a recomposição dos estoques globais ocorre a partir de níveis historicamente baixos, o que mantém a volatilidade do mercado.

Analistas apontam que o comportamento dos preços deve seguir instável no curto prazo, alternando entre movimentos de recuperação técnica e pressão estrutural causada pelo avanço da colheita e pelo aumento da oferta.

Nesse contexto, o mercado do café permanece sensível ao ritmo da safra brasileira, às condições climáticas e à atuação de fundos financeiros, fatores que devem continuar ditando o comportamento das cotações nas próximas semanas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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