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Acordo Mercosul-UE entra em vigor e impõe novas exigências ESG ao agronegócio brasileiro

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Acordo Mercosul-UE começa a valer em maio de 2026

Entra em vigor em 1º de maio de 2026 o Acordo de Parceria Estratégica Mercosul-União Europeia, firmado em janeiro do mesmo ano, com o objetivo de criar uma das maiores áreas de livre comércio do mundo.

O tratado prevê a redução de tarifas, eliminação de barreiras comerciais e ampliação do fluxo de investimentos, abrangendo cerca de 91% dos produtos da União Europeia e 95% dos itens do Mercosul.

Novas regras ESG passam a ser condição de acesso ao mercado europeu

Apesar das oportunidades econômicas, o acordo traz desafios importantes para o agronegócio brasileiro, especialmente no campo regulatório e socioambiental.

De acordo com Frederico Favacho, sócio do Santos Neto Advogados, as empresas precisarão se adaptar rapidamente às novas exigências.

Segundo o especialista, o compliance ESG deixa de ser um diferencial competitivo e passa a ser uma exigência básica para exportação ao mercado europeu.

Exigências incluem rastreabilidade e descarbonização

O novo acordo altera de forma significativa as condições de entrada de produtos brasileiros na Europa. Além das mudanças tarifárias, passam a ser exigidos:

  • Rastreabilidade completa dos produtos
  • Descarbonização da cadeia produtiva
  • Processos de due diligence ambiental
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Esses critérios elevam o nível de controle sobre a produção e exigem maior transparência por parte das empresas exportadoras.

Regulamentações europeias podem restringir exportações

Favacho alerta que o limite entre regulação legítima e práticas protecionistas será cada vez mais tênue, especialmente no agronegócio.

Entre as principais normas que devem impactar o setor estão:

  • EU Deforestation Regulation (EUDR)
  • Corporate Sustainability Due Diligence Directive (CSDDD)
  • Carbon Border Adjustment Mechanism (CBAM)

Essas regulamentações podem impedir a entrada de produtos que não atendam aos novos padrões ambientais e sociais.

Contratos e gestão de fornecedores tendem a ficar mais complexos

No âmbito contratual, as empresas exportadoras precisarão reforçar mecanismos de controle sobre seus fornecedores.

Entre as medidas recomendadas estão:

  • Exigir comprovação de origem dos produtos
  • Incluir cláusulas de garantias e declarações (R&W)
  • Prever indenizações em caso de não conformidade

Além disso, será necessário intensificar auditorias contínuas e ampliar o monitoramento de fornecedores diretos e indiretos.

Disputas comerciais devem crescer com novas exigências

Com o aumento da complexidade regulatória, a tendência é de crescimento no número de conflitos comerciais internacionais.

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Segundo o especialista, grande parte dessas disputas deve estar relacionada ao cumprimento das cláusulas ESG, com resolução prioritária por meio de arbitragem internacional.

Esse cenário exigirá maior preparo das empresas brasileiras em mecanismos de solução de controvérsias fora do país.

Empresas precisam se preparar para novo ambiente regulatório

Diante das mudanças, o setor exportador brasileiro precisará revisar suas estratégias jurídicas e operacionais para manter a competitividade no mercado europeu.

A entrada em vigor do acordo marca uma mudança significativa no ambiente de negócios, exigindo adaptação rápida às novas regras e maior rigor no cumprimento de padrões socioambientais.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Confinamento de bovinos deve crescer 5,7% em 2026 e reforça avanço da tecnologia na pecuária brasileira

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A pecuária intensiva brasileira segue em trajetória de crescimento e modernização. Resultados preliminares do Censo de Confinamento 2026 e do Tour de Confinamento 2025, apresentados pela dsm-firmenich, indicam expansão da atividade, aumento da eficiência produtiva e maior adoção de tecnologias voltadas à gestão e à rentabilidade das propriedades.

Os dados reforçam uma tendência cada vez mais presente no setor: a integração entre nutrição, tecnologia, análise de dados e gestão estratégica para elevar a produtividade dos sistemas de produção de carne bovina.

Brasil deve alcançar quase 9,8 milhões de cabeças confinadas

De acordo com a prévia do Censo de Confinamento 2026, realizada com o apoio de mais de mil técnicos e parceiros de campo, o Brasil deverá registrar aproximadamente 9,78 milhões de bovinos confinados neste ano.

O volume representa crescimento de 5,7% em comparação com 2025, quando foram contabilizadas 9,25 milhões de cabeças.

Os estados líderes em confinamento continuam concentrando grande parte da produção nacional:

  • Mato Grosso: 2,4 milhões de cabeças (+7,7%);
  • São Paulo: 1,4 milhão (+4,9%);
  • Goiás: 1,4 milhão (+2,0%);
  • Mato Grosso do Sul: 900 mil (+5,2%);
  • Minas Gerais: 800 mil (+7,9%).

Juntos, esses cinco estados respondem por cerca de 70,6% de todo o rebanho confinado estimado para o país, consolidando sua importância estratégica para a pecuária intensiva brasileira.

Segundo Luiz Fernando Magalhães, presidente de Nutrição e Saúde Animal para a América Latina da dsm-firmenich, o levantamento permite compreender transformações estruturais que vêm ocorrendo na atividade.

“A pecuária brasileira está cada vez mais profissionalizada, com decisões baseadas em tecnologia, gestão e indicadores produtivos que contribuem para maior eficiência e competitividade”, destaca.

Tour de Confinamento revela ganhos de produtividade e retorno financeiro

O Tour de Confinamento 2025 avaliou sistemas produtivos em propriedades distribuídas por diferentes regiões do país, analisando indicadores técnicos, econômicos e zootécnicos.

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Os resultados apontaram desempenho consistente dos sistemas acompanhados:

  • Ganho médio de 7,22 arrobas por animal;
  • Ciclo médio de confinamento de 98 dias;
  • Peso médio de entrada de 12,7 arrobas;
  • Peso médio de saída de 19,92 arrobas;
  • Retorno médio sobre investimento (ROI) de 16,31%, podendo atingir até 26,8%.

Os números demonstram que a busca por eficiência operacional tem contribuído para melhorar os resultados econômicos da atividade, mesmo em cenários de custos elevados e margens mais apertadas.

De acordo com Walter Patrizi, gerente de Confinamento para a América Latina da dsm-firmenich, tecnologias nutricionais e estratégias de gestão têm papel fundamental na sustentabilidade financeira dos confinamentos.

Pecuária de precisão amplia uso de dados no campo

Outro destaque apresentado pela companhia foi o avanço da digitalização no setor pecuário.

A plataforma FarmTell® Beef, voltada para gestão da pecuária de corte, já acompanha aproximadamente 1,4 milhão de animais distribuídos em 410 confinamentos localizados em 12 estados brasileiros.

A ferramenta reúne informações zootécnicas, produtivas e operacionais, permitindo que os produtores tomem decisões mais rápidas e assertivas com base em indicadores de desempenho.

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Além disso, a empresa vem ampliando a utilização da Lore™, inteligência artificial desenvolvida para gerar análises e recomendações personalizadas aos pecuaristas, contribuindo para ganhos de eficiência e controle dos sistemas produtivos.

Segundo Vanessa Porto, diretora de Pecuária de Precisão da dsm-firmenich, o uso de tecnologia passou a ser um fator estratégico para a competitividade da atividade.

“O produtor continua valorizando o suporte técnico e a proximidade com especialistas, mas também busca ferramentas capazes de transformar grandes volumes de dados em informações práticas para a tomada de decisão”, afirma.

Tecnologia, gestão e sustentabilidade moldam o futuro da pecuária

Os resultados preliminares do Censo de Confinamento 2026 e do Tour de Confinamento 2025 evidenciam uma mudança estrutural na pecuária brasileira. O foco não está apenas na ampliação da produção, mas na capacidade de produzir mais com eficiência, sustentabilidade e rentabilidade.

A combinação entre ciência, inovação, gestão e ferramentas digitais vem se consolidando como um dos principais pilares para o crescimento do setor, permitindo que os produtores enfrentem desafios de mercado e aumentem sua competitividade nos próximos anos.

Nesse cenário, a pecuária de precisão e o uso estratégico de dados tendem a ganhar ainda mais relevância, impulsionando uma nova fase de desenvolvimento da produção de carne bovina no Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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