Saúde

Governo do Brasil lança Programa Nacional de Pesquisa Clínica e anuncia R$ 120 milhões para impulsionar a inovação no SUS

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O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, lançou nesta sexta-feira (17), na abertura da Feira SUS Inova Brasil, no Rio de Janeiro, o Programa Nacional de Pesquisa Clínica (PPClin). A iniciativa cria diretrizes para integrar instituições científicas, órgãos reguladores e o setor produtivo, com foco em transformar conhecimento em soluções práticas para o SUS. Na ocasião, também foi anunciado investimento de R$ 120 milhões para fortalecer a pesquisa clínica no Brasil, em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). De 2023 a 2025, os investimentos em pesquisa clínica somaram mais de R$ 1,4 bilhão, quase triplicando em relação ao período anterior.

No mesmo evento, o Ministério da Saúde também firmou parcerias estratégicas com a Anvisa, para alinhar a regulação sanitária às políticas de inovação, e com a HU Brasil, para transformar hospitais universitários em polos de pesquisa clínica. Além disso, lançou o hackathon “Desafio Tecnológico para o SUS”, focado em atrair startups para desenvolver soluções em diagnóstico, monitoramento e instrumentação oncológica.

“O grande esforço do Governo do Brasil é fazer com que mais brasileiros tenham acesso às inovações na área da saúde e que sejam adequadas às características da população brasileira. Um estudo, financiado pelo Ministério da Saúde, mostrou que o nosso país tem uma das maiores diversidades genéticas do mundo. Além disso, temos as características de desigualdade no Brasil, o clima, como as pessoas vivem nas cidades, que fazem com que doenças comuns em outros hemisférios, tenham características diferentes aqui. Então, investir em pesquisa clínica aqui no Brasil é descobrir medicamentos, formas de diagnóstico e terapias para a realidade do povo brasileiro”, destacou o ministro Alexandre Padilha.

Na base do PPClin, estão as ações que envolvem a melhoraria da infraestrutura dos centros de estudo, treinamento dos profissionais, diretrizes para o financiamento, além do desenvolvimento de um sistema digital moderno para manter e disseminar informações de forma transparentes para a população.

Além disso, o fortalecimento da expansão territorial da pesquisa clínica contribui diretamente para o enfrentamento das desigualdades regionais. Ao descentralizar os centros de pesquisa pelo país, amplia-se e democratiza-se o acesso de pacientes a procedimentos, terapias e estudos com novos medicamentos ainda em fase de desenvolvimento. Com isso, mais pessoas passam a ser atendidas próximas de suas residências e têm acesso antecipado a tecnologias de saúde, seja em estudos voltados ao câncer, ao diabetes, entre outros. A estratégia promove maior equidade com a inclusão de populações sub-representadas e amplia, de forma concreta, o acesso a tratamentos inovadores no âmbito do SUS.

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Esse novo ambiente regulatório articula os estudos com o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (Ceis), impulsionando a capacidade da nossa indústria de criar tecnologias em saúde de ponta, diminuindo a dependência do exterior. Esse novo marco, ainda abre oportunidades para a ampliação de postos de trabalho nas áreas da ciência e da saúde, já que gera a necessidade da formação e qualificação de profissionais. A expansão dos centros de pesquisa exige maior capacitação técnico-administrativa, criando vagas de emprego. Com isso, o ecossistema terá oportunidades não apenas para médicos e cientistas, mas para toda uma cadeia de trabalhadores brasileiros e possibilitando que a força científica nacional não migre para o exterior.

“Em dezembro incorporamos uma nova tecnologia que foi a vacina da bronquiolite. Quando o Ministério faz uma grande compra, a gente consegue atrair a indústria que produz essa vacina [localizada nos EUA] para vir fazer uma parceria, que no caso foi com o Instituto Butantan, para produzir essa tecnologia aqui ”, exemplificou Padilha.

Com a modernização das normas éticas e regulatórias pelo PPClin, o Brasil segue exemplos de países que investem nas políticas públicas para pesquisas clínicas como acontece na China, Austrália, Coreia do Sul, Reino Unido e em locais da União Europeia. A regulação e a governança são fundamentais para a atração de investimentos em pesquisas pela indústria, inclusive de empresas internacionais. O PPClin possibilitará o aumento da celeridade e da previsibilidade das avaliações, com regras ágeis e claras. Assim, o Brasil destrava processos e amplia sua inserção em grandes estudos multicêntricos globais. O ganho de desenvolvimento é que o Brasil passa a se posicionar como um polo estratégico global em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), alcançando maior soberania tecnológica e autonomia.

Recursos vão impulsionar modernização e qualificação

O investimento, realizado em parceria com o MCTI, integra a estratégia do programa e já viabiliza a execução do PPClin. Os recursos serão operacionalizados pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), por meio do Fundo Setorial de Saúde (CT-Saúde). O cronograma prevê a seleção e contratação das propostas no segundo semestre de 2026, com execução até o final de 2028. Poderão submeter projetos as Instituições de Ciência, Tecnologia e Inovação (ICTs), incluindo universidades, institutos de pesquisa, hospitais universitários, unidades do SUS, além de redes e consórcios de pesquisa.

A iniciativa, aprovada pelo Comitê Gestor do CT-Saúde em abril deste ano, foca na modernização da infraestrutura e na ampliação de ensaios clínicos de fases iniciais (Fase 1), essenciais para reduzir a dependência tecnológica externa. Ao responder aos desafios, o governo fortalece a rede nacional de pesquisa e fomenta tecnologias inovadoras, como Inteligência Artificial e tecnologias de alto interesse para o SUS, garantindo soberania e cuidado ágil para a população.

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O programa conecta cientistas, pesquisadores e indústria para que o Brasil desenvolva suas próprias tecnologias e está alinhado aos princípios centrais do Acelerador de Ensaios Clínicos da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

Fortalecimento

Ainda durante o evento, o Ministério da Saúde anunciou novos acordos de cooperação técnica. Com a Anvisa será priorizada a cooperação entre a política pública de inovação em saúde e o sistema de regulação sanitária do país. Já a segunda iniciativa, desenvolvida em conjunto com a HU Brasil, visa qualificar a rede de hospitais universitários federais como ambientes de inovação, para que sejam polos estratégicos para o desenvolvimento de pesquisas clínicas e inovação em saúde.

Para mobilizar soluções tecnológicas e impulsionar o atendimento público de saúde do Brasil, o Ministério da Saúde lançou o hackathon “Desafio Tecnológico para o SUS”. A iniciativa promoverá uma imersão colaborativa para estimular a inovação e o fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde. O foco desta edição será a área de oncologia e vai reunir startups e atores do ecossistema de inovação para superar dois principais desafios: a criação de tecnologias que ajudem no diagnóstico e monitoramento do câncer; e o desenvolvimento de instrumentais e dispositivos médicos para ampliar a capacidade de realização de cirurgias em procedimentos oncológicos.

Mais avanços

A atual gestão promoveu outros avanços, como a regulamentação da Lei de Pesquisa Clínica, inspirada em modelos internacionais para atrair investimentos e acelerar o acesso a novos medicamentos. A legislação traz mais segurança jurídica, estimula a inovação e fortalece um setor estratégico para o desenvolvimento científico e industrial.

O modelo do Sistema Nacional de Ética em Pesquisa com Seres Humanos (Sinep) segue estruturas colegiadas independentes já consolidadas em diversos países, como Canadá e nações da União Europeia. O Sinep será composto por duas instâncias: a Instância Nacional de Ética em Pesquisa (Inaep) e a instância de análise ética em pesquisa, formada pelos CEPs.

Os Comitês de Ética em Pesquisa, por sua vez, permanecem como instâncias fundamentais na análise ética das pesquisas, atuando de forma independente e com mais autonomia. Agora estão organizados em dois níveis: credenciados (para estudos de baixo e médio risco) e acreditados (para todos os níveis de risco).

E pela Anvisa foi criado o Comitê de Inovação para priorizar tecnologias que podem impactar na qualidade de vida da população e na saúde pública.

Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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Saúde

Brasil atinge metas para eliminar transmissão da hepatite B de mãe para filho e solicita certificação à OPAS/OMS

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O Brasil atingiu, por dois anos consecutivos, os critérios internacionais para eliminar a transmissão da hepatite B de mãe para filho como problema de saúde pública. Nesse período, menos de 0,1% das crianças de até cinco anos apresentaram infecção ativa pelo vírus, resultado que atende ao parâmetro internacional estabelecido para a certificação. Nesta terça-feira (28), Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais, o país entregará à OPAS/OMS o dossiê com as evidências que embasam o pedido de certificação. 

“O dia de hoje é muito importante para uma luta que travamos há décadas contra as hepatites virais. Hoje estamos entregando formalmente ao diretor da OPAS e ao diretor-geral da OMS o relatório do Ministério da Saúde e do Sistema Único de Saúde brasileiro que demonstra, com base no nosso monitoramento, que o Brasil alcançou as metas para eliminação da transmissão vertical da hepatite B”, destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. 

Um dos principais indicadores é a prevalência de infecção ativa pelo vírus em crianças de até 5 anos, identificada pelo exame HBsAg. Para a eliminação da transmissão como problema de saúde pública, esse índice deve ser inferior a 0,1%. Essa meta considera o último ano completo de dados, 2025, quando a prevalência estimada foi de 0,0111% — abaixo do limite de 0,1% estabelecido para a eliminação. A modelagem matemática atualizada em 2026 também confirma que o país atende a esse critério. 

Outro indicador é a cobertura de pré-natal, que deve ser igual ou superior a 95%. No Brasil, mais de 98% das gestantes realizaram acompanhamento pré-natal em 2024 e 2025. Os resultados refletem medidas de cuidado ofertadas no SUS durante a gestação e após o nascimento. 

Segundo critérios da OPAS/OMS, as metas de cobertura vacinal precisam ser mantidas por pelo menos dois anos consecutivos. A vacinação contra a hepatite B nas primeiras horas de vida alcançou cobertura de 97% em 2024 e 100% em 2025, acima do mínimo de 90% estabelecido. Na infância, a proteção é ampliada com a vacina pentavalente, administrada em três doses, aos 2, 4 e 6 meses de idade. A cobertura da terceira dose foi de 90,4% em 2024 e de 88,7% em 2025, dado ainda preliminar que deve superar a meta. 

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A eliminação da transmissão vertical da hepatite B faz parte de uma estratégia internacional de enfrentamento às infecções. Após receber, em dezembro de 2025, a certificação pela eliminação da transmissão vertical do HIV, o Brasil assumiu o compromisso de, até 2030, eliminar como problemas de saúde pública as demais quatro infecções de transmissão vertical: hepatite B, sífilis, doença de Chagas e HTLV, consolidando o país como referência mundial na prevenção dessas doenças. 

A elaboração do dossiê brasileiro foi concluída em julho de 2026. Com a entrega, o pedido será submetido à avaliação interna da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), à revisão de um comitê externo de especialistas e, posteriormente, à análise do Comitê Global de Validação da OMS. 

Como o Brasil chegou a esses resultados 

A eliminação da transmissão vertical da hepatite B resulta de uma rede de prevenção, diagnóstico, tratamento e acompanhamento no SUS. A testagem para hepatite B é realizada durante o pré-natal, com testagem na maternidade para gestantes que não fizeram o exame. Quando necessário, o SUS oferece tratamento antiviral para reduzir o risco de transmissão durante a gravidez. 

Após o nascimento, os bebês recebem a vacina contra a hepatite B, preferencialmente nas primeiras 12 horas de vida. Filhos de mães com hepatite B também recebem imunoglobulina (HBIG) no mesmo período. A combinação das duas medidas evita cerca de 99% das infecções perinatais. 

Desde 2016, 100% das doações de sangue realizadas no SUS são testadas para hepatite B por meio de testagem molecular (NAT), tecnologia desenvolvida pela Fiocruz. 

Em 2024, a notificação obrigatória foi ampliada para casos de hepatite B em gestantes, puérperas e crianças expostas ao risco de transmissão vertical, permitindo o acompanhamento dos casos e a adoção das medidas necessárias. 

A prevenção e o cuidado também incluem vacinação, testes rápidos, tratamento e capacitação de profissionais de saúde. As medidas são ofertadas em diferentes contextos, incluindo áreas remotas e populações em situação de maior vulnerabilidade. 

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Novo boletim aponta avanços no cenário epidemiológico 

Nos últimos dez anos, o Brasil registrou redução no número de casos e óbitos por hepatites virais, segundo dados do Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2026. 

Entre 2015 e 2025, os casos de hepatite B diminuíram 25,5%, de 14,8 mil para 11 mil registros. Na hepatite C, a redução foi de 34%, de 25,8 mil para 17 mil casos. Já os registros de hepatite D caíram 57,9%, de 202 para 85 notificações. 

No mesmo período, o número de óbitos por hepatite B caiu 31,9%, de 451 para 307 mortes. Na hepatite C, a redução foi de 61,5%, de 2.028 para 780 óbitos. 

Prevenção e tratamento 

O SUS oferece vacinação contra as hepatites A e B e tratamento para as hepatites B e C. A vacina contra a hepatite B está disponível para toda a população, com vacinação iniciada ao nascer e continuidade conforme o esquema previsto no Calendário Nacional de Vacinação. Pessoas não vacinadas ou com esquema incompleto também podem receber a vacina. 

A vacina contra a hepatite A faz parte do calendário infantil e é aplicada em dose única aos 15 meses. Também é indicada para pessoas com condições específicas, como doenças crônicas do fígado, hepatites B ou C, coagulopatias, pessoas vivendo com HIV, em uso de PrEP, imunodeprimidas e candidatas ou submetidas a transplante, entre outras situações previstas nos protocolos do Ministério da Saúde. 

Para a hepatite C, o SUS oferece antivirais de ação direta (DAA) para adultos e crianças a partir de 3 anos. O tratamento apresenta taxas de cura superiores a 95%. 

Para a hepatite B, o SUS oferece tratamento contínuo às pessoas com indicação clínica, reduzindo o risco de progressão da doença e de complicações, como cirrose e câncer de fígado. 

Deborah Novais 
Ministério da Saúde 

Fonte: Ministério da Saúde

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