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Capobianco debate como acelerar implementação da ação climática em reunião preparatória para a COP31 em Berlim

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O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, participa, nestas terça e quarta-feiras (22 e 23/4), do Diálogo Climático de Petersberg, em Berlim, na Alemanha. O encontro reúne representantes de alto nível de mais de 40 países para debater temas como medidas de redução de emissões de gases de efeito estufa (mitigação), financiamento climático e maneiras de acelerar a implementação dos objetivos do Acordo de Paris. O presidente e a CEO da COP30, André Corrêa do Lago e Ana Toni, também estão presentes.

Em discurso na terça-feira, o ministro afirmou que o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) “é um exemplo concreto de que cumprir a meta de 1,5ºC está ao nosso alcance”. De acordo com ele, a redução de 50% do desmatamento na Amazônia e de 32% no Cerrado desde 2022, combinada a bons resultados em outros biomas, evitou a emissão de aproximadamente 800 milhões de toneladas CO₂ equivalente. Este fato, disse, demonstra a escala de impacto positivo que o TFFF pode ter para o atingimento do compromisso central do Acordo de Paris de limitar o aquecimento médio do planeta a 1,5ºC em comparação aos níveis industriais.

O TFFF é um mecanismo inédito liderado pelo Brasil para realizar pagamentos permanentes, em larga escala e baseados em desempenho a países tropicais que conservam suas florestas. Diferentemente de outros mecanismos de financiamento ambiental, o TFFF não se baseia em doações, mas em investimento feito por países, filantropia e empresas em um fundo. Desde que foi lançada na COP30, em novembro, a iniciativa mobilizou US$ 6,7 bilhões por meio de seis países. Já foi endossada, além da União Europeia, por 66 nações, que abrigam cerca de 90% do total das florestas tropicais e subtropicais do mundo. 

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A Alemanha é uma das apoiadoras do TFFF. Nesta semana, por ocasião da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Hanôver, o país europeu publicou declaração conjunta com o Brasil em que reafirma o compromisso, feito na COP30, de aportar EUR 1 bilhão ao mecanismo (leia mais aqui).

O ministro também citou o potencial do Brasil na área de biocombustíveis, que “desempenham um papel significativo na redução de emissões no setor de transportes” e “devem ser considerados como parte de um portfólio mais amplo de soluções, particularmente em setores em que a eletrificação permanece difícil no curto prazo”, destacou.

Capobianco enfatizou ainda que a Presidência da COP30 trabalha na elaboração de propostas de mapas do caminho para superar a dependência dos combustíveis fósseis e para pôr fim do desmatamento, pontos que não foram incluídos na decisão final na conferência de Belém, mas que angariaram o apoio de mais de 80 nações sob a liderança do presidente Lula.

“O clima já está integrado a todos os assuntos importantes que nós debatemos. Quando se fala de energia, estamos inevitavelmente falando de clima. Quando se fala de pobreza, injustiça, financiamento, também estamos falando de clima”, disse Corrêa do Lago, em sessão sobre as expectativas para a COP31. “Sabemos que 1,5 °C está ao nosso alcance e é extremamente importante compreendermos que a ambição não serve apenas para mitigação, mas também para financiamento. Todos nós queremos fazer muito, mas precisamos de recursos para agir”, completou o embaixador. 

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Diálogo Climático de Petersberg

Em sua 17ª edição, o Diálogo Climático de Petersberg é organizado anualmente pelo governo alemão em parceria com a Presidência Designada da COP do ano em questão. A conferência do clima de 2026 será realizada de 9 a 20 de novembro, em Antália, na Turquia, que copresidirá a COP31 com o governo da Austrália.

O ministro do Meio Ambiente, Conservação da Natureza, Segurança Nuclear e Proteção ao Consumidor da Alemanha, Carsten Schneider, abriu o Diálogo de Petersberg, seguido de intervenções do presidente designado da COP31 e ministro do Meio Ambiente da Turquia, Murat Kurum; do presidente das negociações da COP31 e ministro do Meio Ambiente da Austrália, Chris Bowen, que participou remotamente; e do secretário-executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), Simon Stiell. O secretário-geral da ONU, António Guterres, transmitiu mensagem por meio de vídeo gravado para a sessão.

Além das sessões plenárias, há sessões para debater temas relacionados à mitigação, ao financiamento climático e a como o regime climático pode acelerar a implementação. Representantes da COP30 também realizaram reuniões bilaterais e participaram de debates sobre os temas dos três Mapas do Caminho da Presidência da COP30. 

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Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

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Delegação brasileira rumo à COP17 na Mongólia: país apresentará metas de resiliência e mitigação à seca

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A 17ª sessão da Conferência das Partes (COP17) da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD) será realizada em Ulaanbaatar, na Mongólia, de 17 a 28 de agosto de 2026. O encontro constitui o principal espaço global de deliberação política para recuperação de áreas degradadas, proteção do solo e formulação de estratégias de resiliência contra os impactos socioeconômicos da seca extrema. 

Conduzida sob o tema “Restaurando a Terra. Restaurando a Esperança”, a conferência busca pactuar ações emergenciais para reverter um cenário global no qual a degradação atinge até 40% das superfícies terrestres. As rodadas de negociação focarão em alavancar recursos internacionais para o manejo sustentável de paisagens rurais, implementar inovações para a segurança hídrica e alimentar, e conter o êxodo rural forçado nas regiões áridas. 

Sinergia e compromisso brasileiro

Sob a coordenação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE), a comitiva brasileira se posiciona na COP17 com base no princípio de que a capacidade produtiva da terra e saúde do solo são indissociáveis ao equilíbrio climático e da proteção biológica. Para o Brasil, atingir suas Metas LDN e conter o avanço da degradação, no geral, e da desertificação em suas regiões semiáridas e subúmidas secas, com atenção especial aos Bioma Caatinga e Cerrado, é um pilar estratégico à segurança alimentar e hídrica interna, além do cumprimento de metas internacionais.

A Secretária Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável do MMA, Edel Moraes, reafirma o compromisso do Governo do Brasil com a implementação da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD) e com o fortalecimento da agenda global de restauração da terra: “Enfrentar a degradação da terra exige integrar o conhecimento científico, os saberes tradicionais e políticas públicas capazes de promover justiça socioambiental e desenvolvimento sustentável. Nesse contexto, o Brasil avançou com elaboração do Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (PAB-Brasil), com o lançamento do Recatingar e, está atualmente, com na construção das Metas Voluntárias de Neutralidade da Degradação da Terra (LDN), reconhecendo o papel estratégico dos povos e comunidades tradicionais na conservação, restauração dos ecossistemas e adaptação às mudanças do clima”, destacou.

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O Plano de Ação Brasileiro de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (PAB-Brasil 2024-2043) é o principal instrumento do país para guiar a política nacional sobre o tema nos próximos 20 anos, articulando ações para neutralizar a perda de fertilidade do solo e proteger as populações mais vulneráveis.

Participação e governança 

Na última edição da conferência, um dos resultados de destaque foi a criação do Caucus Indígena e do Caucus de Povos e Comunidades Tradicionais. Para a COP17 na Mongólia, a expectativa brasileira é que a Convenção avance na consolidação dessas agendas.

“A expectativa é que se chegue à formulação final dos termos de referência dos Caucus de Comunidades Locais e povos Indígenas para a instalação definitiva desses grupos de trabalho. Eles irão contribuir diretamente para uma escuta ativa dessas populações, que são afetadas pelos processos de degradação da terra”, pontuou a secretária Edel Moraes.

Os debates deste ano ocorrem em consonância com o Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores (IYRP 2026), o que confere visibilidade extra a biomas que, embora garantam o sustento de 500 milhões de pessoas no mundo, enfrentam perda acelerada de produtividade.

Recuperação socioprodutiva

O diretor do Departamento de Combate à Desertificação do MMA, Alexandre Pires, ressaltou as principais ações que o Brasil apresentará para a comunidade internacional durante o evento, com destaque para a Caatinga. “Vamos apresentar o Programa Recaatingar, uma iniciativa de recuperação socioprodutiva da terra no Bioma Caatinga que estabelece a meta de recuperar 10 milhões de hectares de terras degradadas nos próximos 20 anos. É uma ação que dialoga diretamente com a Iniciativa Global pela Terra do G20”, explicou. 

Além do programa de recuperação, o governo brasileiro levará à COP17 um novo sistema integrado de dados e informações sobre a seca e desertificação. De acordo com Alexandre Pires, a ferramenta funcionará como um instrumento estratégico para que o governo federal, estados e municípios planejem ações integradas de mitigação e adaptação climática nas regiões semiáridas. 

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O governo brasileiro também pretende apresentar os planos estaduais de combate à desertificação e mitigação dos efeitos da seca, fruto de uma articulação com os governos dos estados do Semiárido brasileiro. A iniciativa é desenvolvida em parceria com a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e com a Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf).

As Três Convenções da Rio-92

A UNCCD integra o tripé de tratados ambientais globais nascidos na Cúpula da Terra de 1992 (Rio-92), ao lado das convenções de Clima e de Biodiversidade. Diferentemente da COP do Clima, que possui periodicidade anual, as COPs da Desertificação ocorrem a cada dois anos. O núcleo desse arcabouço global está estruturado de forma complementar: 

Convenção sobre Mudança do Clima (UNFCCC): Focada na redução das emissões de gases de efeito estufa e na transição energética global. 

Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB): Dedicada à preservação dos ecossistemas, uso sustentável da fauna e flora e repartição justa de benefícios genéticos. 

Convenção para o Combate à Desertificação (UNCCD): Voltada a conter a perda de fertilidade do solo, reverter a degradação produtiva da terra e formular estratégias de resiliência à seca e convivência com a desertificação. 

Construir uma agenda de implementação para deter o processo de degradação da terra e restaurar a capacidade produtiva das áreas já degradadas é uma iniciativa que une as três convenções. Afinal, a recuperação de terras degradadas recompõe a biodiversidade, contribui para a captura de carbono, favorece a recuperação dos recursos hídricos e ajuda a reduzir a temperatura do ambiente. 

Assessoria Especial de Comunicação Social do MMA
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Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

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