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Brasil enfrenta, na safra 2025/26, um dos maiores gargalos estruturais do agronegócio

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O Brasil deverá enfrentar, na safra 2025/26, um dos maiores gargalos estruturais do agronegócio: a falta de capacidade de armazenagem. Com produção estimada em 357 milhões de toneladas de grãos e capacidade estática de cerca de 223 milhões de toneladas, o déficit chega a aproximadamente 135 milhões de toneladas, um volume que exigiria investimentos da ordem de R$ 148 bilhões para ser eliminado.

Os dados, consolidados por consultorias de mercado como a Cogo Inteligência de Mercado, evidenciam um descompasso persistente entre o crescimento da produção e a expansão da infraestrutura. Enquanto a safra avança em ritmo médio de 4,4% ao ano, a capacidade de armazenagem cresce cerca de 2,4%, ampliando o hiato ao longo do tempo.

Gargalo estrutural pressiona custos e logística

Na prática, a insuficiência de armazenagem compromete a eficiência de toda a cadeia. Sem estrutura adequada, parte relevante da produção precisa ser escoada imediatamente após a colheita, concentrando demanda por transporte, pressionando fretes e sobrecarregando portos.

Além disso, alternativas improvisadas, como o uso de caminhões e estruturas temporárias, acabam sendo incorporadas ao sistema, elevando custos operacionais e reduzindo a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional.

Outro ponto crítico é a baixa presença de armazenagem dentro das propriedades. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), apenas 16% da capacidade total está localizada nas fazendas. O avanço da produção, puxado por ganhos de produtividade e expansão de área, não tem sido acompanhado pela mesma intensidade na construção de silos e armazéns. Só Mato Grosso concentra cerca de 40% do déficit nacional de armazenagem, estimado em 135 milhões de toneladas.

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O resultado é um sistema que opera sob pressão constante, especialmente no pico da colheita, quando a falta de espaço físico obriga o produtor a vender em momentos de preços menos favoráveis ou a arcar com custos adicionais de logística.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA), o déficit de armazenagem já deixou de ser um problema logístico e passou a afetar diretamente a rentabilidade dentro da porteira.

“O produtor brasileiro evoluiu em produtividade, em tecnologia, em gestão. Mas continua sendo penalizado na etapa seguinte, que é o pós-colheita. Sem armazenagem, ele perde o poder de decisão sobre quando vender e, na prática, entrega margem para o sistema”, afirma.

Segundo ele, o problema ganha escala à medida que a produção cresce acima da infraestrutura. “Estamos falando de um déficit que se aproxima da produção de um país como a Argentina. Isso mostra que não é um ajuste pontual, é uma lacuna estrutural. Enquanto a produção cresce acima de 4% ao ano e a armazenagem pouco mais de 2%, o Brasil vai ampliando um passivo que custa caro em frete, em perda de qualidade e em preço de venda”, diz.

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Rezende também aponta que a solução passa por mudança no modelo de investimento, com maior foco na armazenagem dentro das propriedades. “O Brasil precisa migrar para um modelo mais equilibrado, com o produtor tendo capacidade de estocar parte relevante da sua produção. Isso reduz pressão logística, melhora a gestão comercial e aumenta a eficiência do sistema como um todo. Sem isso, vamos continuar colhendo recordes e perdendo competitividade na sequência”, conclui.

O cenário reforça a necessidade de ampliação do crédito direcionado à armazenagem, além de maior participação da iniciativa privada e de instrumentos que incentivem investimentos de longo prazo. A modernização da infraestrutura é considerada etapa crítica para sustentar o crescimento da produção agrícola brasileira e garantir maior previsibilidade de renda ao produtor.

Fonte: Pensar Agro

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Dia das Mães impulsiona vendas de flores no Brasil e responde por 18% do faturamento anual do setor

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O Dia das Mães segue como a data mais importante para o setor de flores e plantas ornamentais no Brasil, sendo responsável por cerca de 18% de todo o volume anual de vendas, segundo o Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor). Para 2026, a expectativa é de crescimento de aproximadamente 10% nas comercializações em relação ao ano anterior, consolidando o período como o principal motor de consumo da cadeia produtiva.

Mais do que um presente, as flores representam um gesto de forte valor emocional, sendo associadas a sentimentos como amor, gratidão e cuidado. Essa conexão afetiva faz com que o produto se destaque frente a outras opções de presentes, reforçando sua relevância no varejo durante o período.

Valor emocional sustenta demanda e impulsiona o setor

O diretor do Ibraflor, Renato Opitz, destaca que o impacto da data vai além do consumo imediato, refletindo diretamente na organização de toda a cadeia produtiva.

Segundo ele, o Dia das Mães movimenta uma parcela significativa do faturamento anual do setor, sendo essencial para produtores, atacadistas e varejistas. A combinação entre apelo emocional e versatilidade dos arranjos faz com que as flores sejam uma escolha recorrente para homenagens em todo o país.

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Planejamento antecipado garante abastecimento

Para atender à forte demanda, toda a cadeia produtiva intensificou o planejamento com meses de antecedência. Grande parte da produção foi reservada ainda nas estufas, estratégia que ajuda a garantir abastecimento contínuo e maior estabilidade de preços durante o pico de consumo.

Em muitos casos, negociações começaram ainda em março, com alguns produtores comercializando até 80% da produção antes mesmo de maio. Parte da produção, no entanto, é mantida como reserva técnica para assegurar o cumprimento de contratos e a qualidade das entregas.

Embalagens e diferenciação ganham protagonismo

Além da produção, o setor também investiu em inovação na apresentação dos produtos. Embalagens diferenciadas têm ganhado destaque como forma de agregar valor e aumentar a atratividade dos arranjos nas floriculturas.

Essa tendência é observada em diferentes espécies e linhas de produtos, incluindo flores de corte e plantas ornamentais. Entre os exemplos estão rosas, lírios, alstroemérias, cravos, gypsophilas e statices, além de plantas como orquídeas, azaleias e tulipas.

Varejo se prepara para pico de demanda

No varejo, floriculturas em todo o país também intensificaram a preparação para o período. Os estabelecimentos reforçaram estoques, ampliaram equipes e estruturaram serviços de entrega para atender ao aumento expressivo da demanda.

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Entre os produtos mais procurados estão rosas, orquídeas, hortênsias, girassóis, gérberas, antúrios e lírios, além dos tradicionais buquês, que seguem como destaque nas vendas do período.

Setor floricultor consolida força no calendário do agro

Com forte apelo emocional e organização antecipada de toda a cadeia, o Dia das Mães reafirma sua posição como a principal data do calendário da floricultura brasileira.

O desempenho esperado para 2026 reforça a importância do segmento dentro do agronegócio, evidenciando um mercado estruturado, diversificado e altamente sensível ao comportamento do consumidor.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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